Termelétricas da Eneva deverão operar com flexibilidade entre setembro e dezembro para atendimento da ponta do sistema; revisão considera segurança energética e otimização de custos
A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) aprovou nesta segunda-feira, 28 de julho, a revisão dos Custos Variáveis Unitários (CVUs) das usinas termelétricas Porto Sergipe I, localizada em Sergipe, e Luiz Oscar Rodrigues de Melo (UTE Linhares), no Espírito Santo. Ambas são operadas pela Eneva e a atualização atende à deliberação do Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE), considerando a necessidade de reforço no atendimento da demanda no horário de ponta.
Os novos valores dos CVUs — superiores a R$ 900/MWh — serão aplicados no período entre setembro e dezembro de 2025. O objetivo é garantir maior segurança eletroenergética ao Sistema Interligado Nacional (SIN) durante os momentos de maior consumo, ao mesmo tempo em que se busca mitigar o custo total de operação por meio da ativação flexível de usinas já instaladas.
Térmicas de grande porte são estratégicas para o sistema
A UTE Porto Sergipe I, que agora passa a operar com CVU de R$ 968,27/MWh, é considerada uma das mais relevantes do Nordeste. Movida a gás natural e com capacidade instalada de 1,6 GW, a usina representa aproximadamente 15% do atendimento à carga regional. Operando em ciclo combinado de gás e vapor, a unidade está preparada para responder rapidamente às variações de demanda.
Já a UTE Linhares, localizada no Espírito Santo, teve seu CVU revisado para R$ 1.251,82/MWh. A planta, com 300 MW de potência instalada e abastecimento a gás natural liquefeito (GNL), mantém contratos de disponibilidade com 30 distribuidoras de energia. Os compromissos são válidos até 31 de dezembro de 2025 e cobrem energia contratada da ordem de 96 MW médios.
CMSE busca segurança e racionalidade econômica
Segundo o CMSE, a decisão de revisar os CVUs está inserida em um conjunto de medidas que visam garantir a confiabilidade operativa do SIN nos momentos de maior exigência da carga. A atuação pontual das térmicas foi definida com base em critérios de flexibilidade operacional, localização estratégica e otimização do uso de recursos energéticos.
“A operação flexível dessas térmicas permitirá atender a ponta da carga com mais segurança, ao mesmo tempo em que contribui para reduzir o custo total de despacho, priorizando ativos que já estão disponíveis e que oferecem resposta rápida”, destacou o comitê em nota técnica.
Além disso, o colegiado enfatizou a importância de se utilizar recursos com menor custo marginal em comparação a fontes emergenciais mais caras, especialmente em um cenário de sensibilidade hidrológica ou variações inesperadas na demanda.
Leilão de capacidade de 2021 será antecipado
A medida ocorre em paralelo à antecipação da operação de dez usinas vencedoras do Leilão de Reserva de Capacidade de 2021 (LRCap), cuja entrada em operação estava prevista originalmente para julho de 2026. Com o novo cronograma, essas unidades devem começar a operar já em agosto de 2025, reforçando o atendimento ao SIN em períodos críticos.
Nas últimas semanas, a Aneel também aprovou os custos de acionamento tanto das usinas contratadas no LRCap quanto de termelétricas sem contratos vigentes, autorizando sua operação no regime merchant, a depender das condições sistêmicas.
A Eneva, que possui forte presença nesse segmento, estima receita adicional de aproximadamente R$ 362,2 milhões com a antecipação dos contratos de potência de reserva de quatro de suas usinas. A cifra considera os valores aprovados recentemente pela agência reguladora e representa um incremento relevante à estrutura financeira da companhia.
Perspectivas para a operação termelétrica no segundo semestre
Com os novos CVUs, tanto Porto Sergipe I quanto Linhares passam a compor o portfólio de usinas estratégicas que poderão ser despachadas de forma otimizada, conforme critérios operacionais definidos pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS). A tendência é que esse modelo de despacho se torne mais recorrente à medida que aumentam as exigências de confiabilidade no fornecimento, principalmente em horários de pico e em regiões com maior sensibilidade.
O cenário reforça o papel das térmicas a gás natural como elementos fundamentais de segurança energética durante a transição para uma matriz mais renovável e descentralizada, sem abrir mão da confiabilidade que a operação do SIN exige.



