Serviço Geológico do Brasil inicia mapeamento de minerais estratégicos no oeste mineiro

Projeto investiga ocorrência de terras raras, nióbio, fosfato e outros bens minerais críticos em áreas de elevado potencial geológico, com foco em tecnologias de baixo carbono e transição energética

O Serviço Geológico do Brasil (SGB), órgão vinculado ao Ministério de Minas e Energia (MME), deu início neste mês a uma nova frente de pesquisas geológicas no oeste de Minas Gerais, com o objetivo de mapear e avaliar o potencial mineral de elementos considerados críticos para o futuro da transição energética e para a indústria de alta tecnologia. Entre os bens minerais de interesse estão as terras raras (ETRs), o fosfato e o nióbio, além de titânio, alumínio, cobre, ouro e diamantes.

Os estudos fazem parte do projeto “Geologia e Avaliação do Potencial Mineral da Província Ígnea do Alto Paranaíba”, uma das iniciativas estruturantes do Programa Mineração Segura e Sustentável, dentro da Ação Pesquisa Mineral do Novo PAC. A pesquisa é conduzida pela Gerência de Geologia e Recursos Minerais de Belo Horizonte (SGB-BH), por meio do Departamento de Recursos Minerais.

As áreas de investigação incluem os complexos alcalino-carbonatíticos de Serra Negra, Salitre I, II e III, Araxá e Tapira, além das unidades subvulcânicas e piroclásticas do Grupo Mata da Corda, formações conhecidas por sua geodiversidade e elevada perspectiva econômica.

- Advertisement -

“Essas unidades geológicas são reconhecidas pelo elevado potencial mineral, incluindo a possível presença de ETRs em argilas iônicas formadas por intemperismo químico”, explica o pesquisador em geociências Paulo Dias.

Terras raras e minerais críticos ganham protagonismo na transição energética

A relevância dos minerais estratégicos mapeados na iniciativa está diretamente associada à demanda crescente por tecnologias de baixo carbono e inovação industrial. Elementos como as terras raras, por exemplo, são fundamentais na fabricação de turbinas eólicas, baterias de veículos elétricos, ímãs permanentes, painéis solares, computadores e outros dispositivos eletrônicos. Já o nióbio, recurso no qual o Brasil lidera a produção mundial, é utilizado em ligas metálicas de alta resistência e componentes para infraestrutura.

O novo projeto do SGB visa não apenas identificar e caracterizar as ocorrências desses minerais, mas também fornecer dados técnicos de base que possam subsidiar decisões públicas e privadas de investimento, com segurança geológica e ambiental.

Além disso, a iniciativa dialoga diretamente com as diretrizes previstas no Plano Nacional de Mineração 2050, na Política Mineral Brasileira e nos compromissos do Brasil com a economia verde e a segurança energética global.

- Advertisement -

Visita técnica fortalece parceria com setor produtivo e avança conhecimento geológico

Um dos marcos do projeto foi a realização de uma visita técnica ao Complexo Alcalino-Carbonatítico de Salitre, em parceria com a empresa Mosaic Fertilizantes, que atua na extração de fosfato na região. A atividade contou com a participação dos pesquisadores do SGB Paulo Dias, Joana Magalhães, Raianny Ferreira, Cassiano Castro e Francisco Vilela, acompanhados pelos geólogos da Mosaic Rodolfo Gonçalves, Giovanna Moreira e Carla Grasso.

Durante a visita, a equipe teve acesso a testemunhos de sondagem, informações sobre a geologia local e aspectos estruturais da mina e de seu entorno imediato. O encontro contribuiu para o alinhamento técnico entre o setor público e privado e para a padronização dos dados geológicos utilizados nas etapas seguintes do projeto.

A coleta e o compartilhamento de informações estruturadas são fundamentais para fortalecer a cadeia de valor da mineração nacional, além de garantir maior confiabilidade e previsibilidade nos processos de licenciamento, prospecção e exploração.

Próximas etapas: geoquímica e mineralogia do Grupo Mata da Corda

As fases seguintes da pesquisa incluirão novos trabalhos de campo nos afloramentos, depósitos e minas associados ao Grupo Mata da Corda, com foco em amostragens, caracterização estratigráfica e mineralógica e análises geoquímicas detalhadas. O SGB também utilizará testemunhos doados por empresas para aprofundar a compreensão sobre o potencial das unidades geológicas.

O Grupo Mata da Corda é reconhecido por sua geodiversidade e por abrigar minerais associados a ambientes subvulcânicos, piroclásticos e intrusivos, o que o torna relevante não apenas para a indústria de base, mas também para setores tecnológicos estratégicos.

A expectativa é que os dados produzidos nesta etapa da pesquisa contribuam para a elaboração de novos mapas geológicos e relatórios técnicos com alto valor agregado para investidores, pesquisadores, formuladores de políticas públicas e instituições reguladoras.

Destaques da Semana

Petrobras define indicações para Conselhos de Administração e Fiscal de 2026

Governo propõe recondução de Magda Chambriard e Bruno Moretti...

O MW como Ativo Imobiliário: A Nova Fronteira dos Data Centers no Brasil

Especialistas da Capacity analisam por que o custo da...

Enel SP contesta processo de caducidade na ANEEL, aponta “vácuo normativo” e pede arquivamento

Distribuidora rebate Nota Técnica nº 9/2026-SFT, questiona uso de...

Artigos

Últimas Notícias