Mudanças na cúpula da Indústrias Nucleares do Brasil se somam a indicações estratégicas em outras estatais do setor nuclear, como Eletronuclear, Nuclep e ENBPar, em movimento coordenado pelo MME
O Ministério de Minas e Energia (MME) encaminhou na última quarta-feira (23) ao Conselho de Administração da Indústrias Nucleares do Brasil (INB) e à holding estatal ENBPar (Empresa Brasileira de Participações em Energia Nuclear e Binacional) um pacote de indicações para a presidência e para três das quatro diretorias da INB. A iniciativa marca um movimento coordenado do governo federal para reformular a gestão de empresas estratégicas do setor nuclear brasileiro.
A INB é a responsável pela cadeia de produção do combustível nuclear utilizado nas usinas de Angra, incluindo a mineração, beneficiamento, conversão e reconversão do urânio, enriquecimento isotópico e fabricação de pastilhas, varetas e elementos combustíveis. A reestruturação de sua diretoria ocorre em um contexto de reorientação da política nuclear do país, com foco em segurança energética, nacionalização tecnológica e ampliação das capacidades industriais.
Novos nomes na liderança da INB
Segundo documento ao qual a Agência iNFRA teve acesso, o MME indicou Marcelo Xavier de Castro para ocupar a presidência da INB, substituindo Adauto Seixas, além de representá-la no Conselho de Administração. Castro tem experiência em políticas públicas e gestão em setores regulados, e assume a missão de comandar a estatal em um momento de renovação institucional e desafios operacionais.
Para a Diretoria de Combustível Nuclear, o indicado foi Alexandre Gromann de Araújo Góes, em substituição a Reinaldo Gonzaga. A área é responsável por uma etapa crítica da produção de combustível que alimenta os reatores nucleares das usinas brasileiras.
A Diretoria de Recursos Minerais, responsável pela exploração e aproveitamento de jazidas de urânio, passará a ser comandada por Tomas Antonio Albuquerque de Paula Pessoa Filho, que assume o posto no lugar de Luiz Antônio da Silva.
Já para a Diretoria de Finanças e Administração, foi indicado Itamar de Almeida, substituindo Maurício Pessôa Garcia Junior. Ele terá entre suas responsabilidades a condução da gestão orçamentária e de pessoal, além do planejamento financeiro da estatal.
A única diretoria que permanece sem alterações é a Diretoria Técnica de Enriquecimento Isotópico, ocupada por Alexandre de Vasconcelos Siciliano, profissional com perfil técnico especializado em uma das áreas mais sensíveis da cadeia do ciclo do combustível nuclear.
Reestruturação avança em outras estatais nucleares
As mudanças na INB integram um conjunto mais amplo de trocas promovidas pelo governo federal em empresas do setor nuclear. No início desta semana, Marlos Costa assumiu oficialmente a presidência da ENBPar, holding responsável por coordenar as participações da União em empreendimentos nucleares e binacionais.
Na Eletronuclear, empresa controlada pela ENBPar e responsável pela operação das usinas de Angra 1, 2 e da futura Angra 3, o nome cotado para a presidência é André Osório, atual chefe de gabinete da presidência da companhia. Sua nomeação, se confirmada, manterá um perfil técnico-administrativo à frente da estatal, em um momento em que o governo busca acelerar o andamento das obras de Angra 3 e reforçar a segurança e confiabilidade do parque gerador nuclear nacional.
Também são esperadas mudanças na Nuclep (Nuclebrás Equipamentos Pesados), empresa estratégica na fabricação de componentes para os setores nuclear, de defesa e petróleo e gás. Entre os nomes cogitados para assumir a presidência da estatal estão Marcelo Perillo, ex-diretor técnico da Norte Energia, e Adeilson Teles, atualmente ocupando cargo comissionado na presidência da Nuclep.
Política nuclear ganha nova direção
As movimentações refletem uma reorientação da política nuclear brasileira sob a atual gestão, com maior ênfase na retomada de projetos estruturantes, valorização da cadeia produtiva nacional e aumento da soberania energética. A expectativa do governo é que as mudanças contribuam para acelerar investimentos, ampliar a transparência na governança das estatais e fortalecer o papel do Brasil no cenário internacional do uso pacífico da energia nuclear.
A reformulação também ocorre no contexto de crescente atenção global à segurança energética e à descarbonização da matriz elétrica, em que a energia nuclear volta a ser considerada uma opção viável, sobretudo para garantir estabilidade e confiabilidade na geração de base.



