Gás natural como âncora da segurança energética: Origem Energia aposta em planejamento e estocagem subterrânea para futuro do Brasil

Painel no “Energia 360 Alagoas” destaca planejamento energético integrado, estocagem subterrânea e papel do gás como energia firme diante da ascensão dos data centers e da inteligência artificial

A necessidade de um planejamento energético nacional mais integrado e o fortalecimento de soluções já disponíveis no Brasil foram as principais mensagens deixadas pelo CEO da Origem Energia, Luiz Felipe Coutinho, no encerramento do evento “Energia 360 Alagoas: Caminhos para a Segurança Energética”, realizado em Maceió, entre os dias 15 e 17 de julho. Em um cenário marcado pela crescente demanda por energia — impulsionada, entre outros fatores, pela expansão acelerada de data centers e da inteligência artificial —, a mensagem do executivo foi clara: o país precisa priorizar a soberania e a segurança energética com pragmatismo e eficiência.

“Hoje, precisamos pensar em soberania energética. Na Origem, acreditamos muito no desenvolvimento dos recursos que já temos e no gás natural como a bateria para dar segurança ao sistema”, afirmou Coutinho, durante o painel Evento em Perspectiva: Cenários Energéticos. Ao lado dele, esteve Verônica Coelho, Senior Vice President e Country Manager Brazil da Equinor, que reforçou o papel estratégico do gás natural como fonte de transição com menor impacto ambiental.

“Elas podem ser convertidas para geração a gás, que tem um impacto ambiental menor. Outro fator importante é a flexibilidade que o gás oferece em um sistema elétrico que conta com as fontes renováveis e suas intermitências. As térmicas a gás podem ser esta solução entregando energia de forma rápida”, avaliou Verônica, ao se referir a fontes ainda usadas no Brasil, como o carvão e o diesel.

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Estocagem subterrânea de gás natural: segurança para o futuro

Durante o evento, a Origem também apresentou avanços em seu projeto de Estocagem Subterrânea de Gás Natural (ESGN), o primeiro do tipo no Brasil. A iniciativa acaba de receber a licença prévia do Instituto do Meio Ambiente de Alagoas (IMA) e está em fase de autorização pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

A apresentação do projeto foi conduzida por Danielle Carmo, gerente de Estocagem da Origem, que destacou a complementariedade entre a estocagem de gás e as fontes renováveis. “Acreditamos muito na estocagem como âncora para a segurança energética do Brasil. Temos uma produção que é inflexível e uma demanda que é flexível. A estocagem não compete com as energias renováveis, ao contrário, incentivam seu uso”, afirmou.

Três dias de debates sobre o futuro energético do Brasil

Com uma programação extensa ao longo de três dias, o “Energia 360 Alagoas” reuniu executivos do setor energético, representantes de governo, pesquisadores e especialistas que discutiram temas críticos para o futuro energético do país. Entre os assuntos abordados estiveram a convergência entre os setores elétrico e de gás natural, a necessidade de mais flexibilidade no sistema, a geopolítica da energia, investimentos em infraestrutura, concessões e blocos exploratórios.

O painel sobre Estratégia de Investimentos em Blocos Exploratórios contou com a participação de Luciano Lobo (ANP), Juliano Stica (Petrobras), Flávio Fernandes (S&P Global) e Frederico Miranda (ABGP). Lobo destacou que, após um desempenho fraco em 2024, o setor mostra sinais de retomada, com 411 blocos exploratórios atualmente disponíveis, representando novas oportunidades de negócios.

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Perspectiva econômica e infraestrutura em pauta

O evento também incluiu uma análise macroeconômica do ex-ministro Joaquim Levy, hoje diretor de Estratégia Econômica e Relações com o Mercado do Banco Safra. Levy avaliou os impactos da elevação de tarifas pelos Estados Unidos sobre a economia mundial e suas implicações para o Brasil.

No painel Investimento em infraestrutura para competitividade no Brasil, Luiz Ildefonso Simões Lopes (Brookfield) e Ana Paula Zettel (BNDES) abordaram o papel do setor privado e das parcerias com o banco de fomento. “Muitos destes recursos foram capitaneadas por alguns setores, transporte e saneamento entre eles, mas também pelo setor privado. O BNDES é um grande player que financia a infraestrutura em parceria com a iniciativa privada, que é a grande protagonista nessa retomada”, disse Zettel.

Lopes destacou que a descarbonização está no centro das estratégias da Brookfield: “Miramos neste setor de uma forma geral, não só na energia, mas em todos os segmentos industriais. Este é um grande foco do negócio, que pode gerar enormes oportunidades. Podemos pensar em como fazer um fabricante de cimento, por exemplo, reduzir as emissões, mesmo que de forma transitória. Temos toda uma área de transição energética para investir”, afirmou.

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