Negócio envolve intermediação de 992 toneladas de créditos da UHE Teles Pires e reforça atuação estratégica das duas instituições no avanço da agenda ASG
O Banco do Brasil (BB) e a Eletrobras firmaram um contrato pioneiro no mercado brasileiro de créditos de carbono, com a intermediação da venda de 992 toneladas de CO₂ equivalente (tCO₂e) geradas pela Usina Hidrelétrica de Teles Pires. Localizada na divisa entre os estados do Pará e do Mato Grosso, a usina tem capacidade instalada para abastecer com energia limpa cerca de 13,5 milhões de pessoas. O acordo marca uma nova etapa na relação entre sustentabilidade, finanças e geração de energia no Brasil.
A operação, conduzida pelo Banco do Brasil, visa a compensação das emissões relativas aos escopos 1, 2 e 3 da Brasilseg, companhia de seguros do grupo, para o ano de 2024. Ao todo, a seguradora neutralizará 1.985 toneladas de CO₂, com base em metodologia reconhecida que classifica os diferentes tipos de emissão de gases de efeito estufa.
O vice-presidente de Negócios de Atacado do Banco do Brasil, Francisco Lassalvia, destacou a importância da iniciativa. “Com esta iniciativa, estamos não apenas expandindo nossos canais de venda, ampliando nosso escopo de negócios com mais esta modalidade de intermediação financeira, mas também reiteramos nosso compromisso com a redução de emissões e a promoção de práticas empresariais responsáveis”, avaliou.
Crédito de carbono e Mercado Livre de Energia como instrumentos da transição energética
A parceria não se limita à operação de carbono. O relacionamento estratégico entre BB e Eletrobras também se estende à comercialização de energia no Mercado Livre, oferecendo aos clientes do banco acesso a soluções que combinam economia e sustentabilidade.
Para a Eletrobras, essa aproximação com o setor financeiro, especialmente com um parceiro da capilaridade do Banco do Brasil, representa um avanço significativo em sua estratégia de negócios sustentáveis.
“A parceria com o Banco do Brasil reforça nossa estratégia de atuação com centralidade no cliente final, ampliando o portfólio de produtos e soluções sustentáveis, muito além da simples oferta de contratos de energia”, afirmou Ivan Monteiro, presidente da Eletrobras.
A diversificação do portfólio da estatal também dialoga com as transformações no setor elétrico, que busca modelos mais flexíveis, descentralizados e integrados às metas de descarbonização da economia brasileira. A comercialização de créditos de carbono provenientes de usinas hidrelétricas consolidadas, como Teles Pires, insere-se nesse contexto, conferindo lastro ambiental a operações com alto valor agregado.
BB consolida liderança em finanças sustentáveis
Reconhecido pelo mercado como protagonista da pauta ambiental, social e de governança (ASG), o Banco do Brasil segue liderando rankings internacionais e nacionais de sustentabilidade corporativa. Foi eleito, pela sexta vez, o banco mais sustentável do mundo, segundo o Global 100, da Corporate Knights.
Além disso, integra há 13 anos consecutivos o Índice Dow Jones de Sustentabilidade e figura no Índice Clean 200, que elenca as empresas com maior geração de receitas sustentáveis, conforme o levantamento de 2025.
Esses indicadores refletem o desempenho robusto da carteira de crédito sustentável do banco, que alcançou R$ 393,5 bilhões em março de 2025, um crescimento de 9,6% em relação ao mesmo período do ano anterior. Parte significativa desse montante está direcionada à transição energética, com destaque para o financiamento de projetos de energia renovável.
O banco projeta atingir R$ 30 bilhões em crédito para renováveis até 2030. Em março de 2025, a carteira já somava R$ 17,8 bilhões, com alta de 6,6% sobre o saldo de dezembro de 2024. O desempenho reforça a atuação do BB como um catalisador de investimentos em infraestrutura verde e baixo carbono no Brasil.
Novo marco para o mercado voluntário de carbono no Brasil
O contrato entre BB e Eletrobras representa um passo relevante na consolidação do mercado voluntário de carbono no Brasil, que ainda enfrenta desafios regulatórios e estruturais, mas é considerado essencial para o atingimento das metas de neutralidade climática.
A iniciativa mostra que instituições de grande porte estão dispostas a operar com seriedade e transparência em um mercado que tende a crescer exponencialmente nos próximos anos.



