Operador Nacional do Sistema Elétrico aponta melhora nas condições do Sul, mas reforça necessidade de térmicas e ações coordenadas para assegurar a operação do SIN até dezembro
CMSEO Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) apresentou, nesta quarta-feira (16/7), em reunião do Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE), as mais recentes projeções para o atendimento energético no Sistema Interligado Nacional (SIN) até o fim de 2025. Embora haja sinais positivos nas condições hidroenergéticas da região Sul, o cenário ainda exige atenção e uma série de medidas preventivas, especialmente durante o período seco, que se estende até o fim do ano.
As atualizações mostram melhora na recuperação dos reservatórios na região Sul e no submercado do Baixo Paraná, o que contribui para uma perspectiva mais favorável no fornecimento de potência. No entanto, o ONS ressalta que o sistema ainda dependerá da geração térmica adicional durante todo o segundo semestre — especialmente nos meses de novembro e dezembro, quando há risco de esgotamento desses recursos.
Flexibilização operacional de térmicas e antecipação de obras estruturais
Durante a reunião do CMSE, foi deliberado que a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) deverá viabilizar o uso das usinas termelétricas Luiz Oscar Rodrigues de Melo e Porto do Sergipe I com maior flexibilidade, a fim de atender à demanda nos horários de ponta do sistema. A decisão reforça o esforço do setor em evitar sobrecargas no fornecimento e mitigar eventuais riscos de suprimento.
Além disso, o ONS recomendou uma série de medidas adicionais para reforçar a segurança operativa no período:
- Monitoramento do abastecimento de gás natural, fundamental para o funcionamento das térmicas;
- Antecipação da entrada em operação da Linha de Transmissão de 500 kV Terminal Rio-Lagos, originalmente prevista para outubro de 2025;
- Avaliação do despacho de usinas a gás natural liquefeito (GNL) sem necessidade de aviso prévio de 60 dias.
O Operador também indicou que as defluências das hidrelétricas de Jupiá e Porto Primavera deverão permanecer em seus patamares mínimos, sendo elevadas apenas quando necessário para suprir a potência requerida.
Reforço com térmicas de reserva de capacidade de 2021
“Uma vez que esteja viabilizado o despacho das térmicas Luiz Oscar Rodrigues de Melo e Porto do Sergipe I ganharemos mais flexibilidade na operação. Somando a isso, outra estratégia já aprovada pelo CMSE anteriormente, é a disponibilização das usinas termelétricas vencedoras do leilão de reserva de capacidade de 2021, que estarão aptas a gerar já no próximo mês”, afirmou o diretor-geral do ONS, Marcio Rea.
A medida busca ampliar as margens de segurança e tornar o sistema mais resiliente durante os picos de carga, típicos do período seco. A entrada em operação das térmicas contratadas no leilão de 2021 agrega potência disponível ao sistema sem comprometer os reservatórios hidrelétricos.
Cenários de afluência exigem monitoramento contínuo
As projeções de afluência entre julho e dezembro de 2025 variam entre 73% e 98% da Média de Longo Termo (MLT), respectivamente nos cenários inferior e superior. Em ambos os casos, o sistema permanece com atendimento pleno, mas sob a necessidade de acompanhamento constante.
No cenário mais desfavorável, a energia armazenada nos reservatórios do Sudeste/Centro-Oeste ao fim de dezembro poderá estar 13,9 pontos percentuais (p.p.) abaixo do nível observado em dezembro de 2024. Já no cenário mais otimista, a diferença seria positiva, com 0,8 p.p. a mais em comparação com o ano anterior.
Para o conjunto do SIN, os percentuais estimados também variam significativamente. Caso prevaleça o cenário inferior, o sistema fechará o ano com 8,8 p.p. a menos do que em 2024. Na melhor hipótese, haverá um ganho de 3,3 p.p. frente ao nível verificado no mesmo período do ano passado.
Visão estratégica e coordenação para mitigar riscos
As medidas apresentadas refletem o esforço conjunto de ONS, Aneel e demais agentes do setor para garantir a confiabilidade do fornecimento de energia no país, mesmo diante de incertezas climáticas. O fortalecimento da operação termelétrica, o monitoramento de recursos e a antecipação de reforços na infraestrutura de transmissão são componentes fundamentais desse planejamento preventivo.
O CMSE continuará acompanhando semanalmente os cenários, prontos para adotar novas decisões caso ocorram alterações significativas nas afluências ou no comportamento da carga.



