Sinval Zaidan Gama, atual diretor técnico, assume interinamente o comando da estatal responsável pelas usinas nucleares de Angra dos Reis; empresa reafirma foco na segurança e no desenvolvimento do setor nuclear
A Eletronuclear comunicou nesta quarta-feira, 16 de julho de 2025, a saída de Raul Lycurgo Leite da Presidência da companhia. O executivo ocupava o cargo desde dezembro de 2023, tendo assumido a posição após a gestão de Eduardo Grand Court, que presidiu a empresa entre outubro de 2022 e o fim do ano seguinte.
A mudança ocorre em um momento estratégico para a estatal, que é responsável pela operação das usinas nucleares Angra 1 e Angra 2, e pelo projeto da futura Angra 3, no litoral sul do estado do Rio de Janeiro. A sucessão foi deliberada nesta quinta-feira (17) durante reunião do Conselho de Administração da empresa.
O colegiado definiu que, interinamente, a Presidência da Eletronuclear será exercida por Sinval Zaidan Gama, atual diretor técnico da companhia. O executivo acumulará a nova função sem prejuízo de suas atribuições originais.
Perfil do novo presidente interino
Sinval Zaidan Gama é engenheiro e servidor de carreira com longa trajetória na área nuclear. Atuando há décadas no setor, é reconhecido por sua experiência técnica e pelo envolvimento direto nas atividades operacionais e de engenharia da Eletronuclear. Sua nomeação interina sinaliza uma transição pautada pela continuidade das diretrizes técnicas e operacionais da companhia.
A manutenção do comando dentro do corpo diretivo também visa preservar a estabilidade institucional durante o processo de definição da nova liderança definitiva da estatal.
Compromisso com a operação segura e sustentável
Em nota oficial, a Eletronuclear reafirmou seu compromisso com a excelência operacional, a segurança das operações e o desenvolvimento sustentável do setor energético brasileiro. Segundo o comunicado, a estatal seguirá atuando “para manter a excelência operacional, garantir a segurança das suas operações e contribuir para o fortalecimento do setor nuclear brasileiro, reforçando seu compromisso com a sociedade e com o desenvolvimento sustentável do país”.
A empresa é uma subsidiária da Eletrobras e desempenha papel estratégico na matriz elétrica nacional, sendo responsável por aproximadamente 3% da geração de energia no Brasil. A energia nuclear é considerada uma fonte firme e livre de emissões de carbono, tendo função complementar essencial à geração hidrelétrica, especialmente em momentos de escassez hídrica.
Desafios em curso: Angra 3 e reestruturação do setor
Entre os principais desafios da gestão interina está o andamento do projeto da usina Angra 3, cuja retomada das obras vem sendo discutida entre o governo federal, a Eletrobras e potenciais parceiros privados. O empreendimento é considerado essencial para ampliar a participação da fonte nuclear na matriz elétrica brasileira e para garantir maior segurança energética no longo prazo.
A mudança na presidência da Eletronuclear ocorre também em meio ao debate sobre o novo modelo institucional do setor nuclear no Brasil, incluindo propostas de atualização no marco regulatório, atração de investimentos e integração de novas tecnologias, como pequenos reatores modulares (SMRs).
Transição em meio à agenda institucional
A gestão de Raul Lycurgo Leite foi marcada por esforços para modernizar a governança da empresa e por tentativas de acelerar o cronograma de Angra 3, dentro das diretrizes estratégicas definidas pelo Ministério de Minas e Energia (MME) e pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE).
A mudança de comando ocorre em um momento em que a Eletronuclear busca alinhar seus projetos às metas de transição energética e segurança do abastecimento definidas pelo governo federal. Nesse contexto, a continuidade das ações técnicas sob a liderança de Sinval Zaidan Gama tende a assegurar a estabilidade necessária durante esse período de transição.



