País ultrapassa 41,4 GW de potência instalada em MMGD e soma mais de 6,5 milhões de unidades consumidoras com créditos pela geração própria de energia elétrica
A micro e minigeração distribuída (MMGD) segue em ritmo acelerado no Brasil, consolidando-se como um dos pilares da expansão energética sustentável no país. Até 30 de junho de 2025, o número de sistemas de MMGD conectados à rede de distribuição alcançou 3,71 milhões, totalizando uma potência instalada de 41,48 gigawatts (GW). O avanço beneficiou mais de 6,5 milhões de unidades consumidoras, entre as quais estão cerca de 4 milhões de residências que recebem créditos na conta de luz por gerar sua própria energia elétrica.
Os dados, divulgados pela Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), têm como base informações enviadas pelas distribuidoras e estão disponíveis no painel interativo da autarquia.
Crescimento expressivo em 2025: 4,6 GW em apenas seis meses
Somente nos primeiros seis meses de 2025, o país incorporou 452 mil novos sistemas de MMGD, adicionando 4,6 GW à capacidade instalada. Essa expansão gerou créditos para mais de 806 mil consumidores, reforçando a popularização do modelo de compensação de energia elétrica, pelo qual o excedente de geração injetado na rede pode ser utilizado posteriormente, reduzindo o valor da fatura.
Em junho, foram mais de 50 mil novas usinas registradas, com destaque para 50.078 sistemas fotovoltaicos, além de uma pequena central eólica e uma termelétrica movida a bagaço de cana-de-açúcar, que somaram 521,03 megawatts (MW) ao sistema.
São Paulo lidera novas instalações; Minas Gerais e Mato Grosso também se destacam
Entre os estados, São Paulo se mantém na dianteira da geração distribuída, com 69.569 novas instalações e 576,5 MW adicionados à rede somente no primeiro semestre. Minas Gerais, tradicional líder histórico em MMGD, figura agora em segundo lugar em potência adicionada, com 413,07 MW, e permanece como vice-líder em número de novas usinas (36.405). Mato Grosso aparece na terceira posição em potência (384,33 MW), enquanto o Paraná se destaca em número de instalações (32.717).
A regionalização do avanço da MMGD mostra a capilaridade do modelo, com impacto direto na democratização do acesso às fontes renováveis, especialmente a energia solar, responsável por mais de 99% dos sistemas conectados até hoje.
Por que a potência de MMGD não é somada à geração centralizada?
Apesar de sua crescente relevância, a geração distribuída não é contabilizada junto à potência da geração centralizada no Brasil. Isso ocorre porque os modelos de comercialização e uso da energia são distintos.
Na geração centralizada — que abrange grandes usinas hidrelétricas, térmicas, eólicas e solares — a energia é vendida nos mercados regulado (ACR) ou livre (ACL), com registro na Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE). Já na MMGD, a energia produzida é consumida prioritariamente na própria unidade geradora, com o excedente transformado em créditos para abater o consumo da unidade ou de outras associadas ao mesmo CPF ou CNPJ.
Essa lógica descentralizada é um dos pilares do modelo e explica sua atratividade, especialmente para consumidores residenciais e pequenos negócios que buscam independência energética e economia nas tarifas.
Regulação e avanços tecnológicos impulsionam o segmento
A continuidade do crescimento da MMGD dependerá de fatores regulatórios, como a implementação completa da Lei nº 14.300/2022 (Marco Legal da Geração Distribuída), e de avanços tecnológicos, que têm tornado os sistemas mais acessíveis e eficientes. A expansão do mercado de locação de painéis solares, os modelos de geração compartilhada e a digitalização da rede elétrica são elementos que devem sustentar o avanço do setor nos próximos anos.
O marco atual mostra não apenas a confiança do consumidor brasileiro em fontes limpas e descentralizadas, mas também evidencia a importância de políticas públicas que viabilizem investimentos e assegurem previsibilidade para todos os agentes do setor.
Conclusão: Geração distribuída se firma como vetor da transição energética
A geração distribuída, especialmente por meio da energia solar fotovoltaica, se consolida como uma força transformadora no setor elétrico brasileiro.
A marca de 4 milhões de famílias beneficiadas e mais de 41 GW instalados demonstra que a transição energética descentralizada não é mais uma tendência: é uma realidade que avança com velocidade e impacto.



