Minha Casa, Minha Vida poderá ter uso obrigatório de aquecedores solares de água com apoio do FGTS

Projeto em análise no Senado cria programa nacional para incentivar energia solar térmica em habitações populares e autoriza saque do FGTS para aquisição dos equipamentos

A energia solar deve ganhar um novo impulso no Brasil com a possível aprovação de um projeto de lei que torna obrigatória a instalação de aquecedores solares de água em unidades do programa Minha Casa, Minha Vida. A proposta, de autoria do senador Astronauta Marcos Pontes (PL-SP), tramita no Senado e poderá ser votada nos próximos dias na Comissão de Meio Ambiente (CMA).

O texto propõe a criação do Programa Nacional de Incentivo ao Uso de Aquecedores Solares de Água em Residências (Pronasol), com o objetivo de ampliar o uso de tecnologias solares térmicas em habitações populares e incentivar a eficiência energética nas construções financiadas com recursos públicos. Segundo o projeto (PL 3492/2023), caberá ao governo federal definir quais localidades terão instalação obrigatória dos sistemas em empreendimentos com obras já concluídas.

Além da obrigatoriedade nos empreendimentos do Minha Casa, Minha Vida, o projeto também autoriza o saque do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS), uma única vez, para a aquisição de aquecedores solares, desde que destinados à residência própria unifamiliar do trabalhador.

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Inovação, economia e sustentabilidade

O relator da matéria, senador Zequinha Marinho (Podemos-PA), incluiu no parecer dispositivos que ampliam o escopo da proposta ao prever incentivos à pesquisa, inovação e desenvolvimento tecnológico na área de aquecimento solar. O objetivo é fomentar melhorias nos equipamentos, aumentando a eficiência dos sistemas, reduzindo os custos de produção e estimulando o uso de materiais recicláveis e soluções arquitetônicas adaptadas ao clima brasileiro.

Segundo Zequinha, o investimento em inovação pode trazer ganhos importantes para a indústria nacional: “Com incentivos à pesquisa e à eficiência energética, poderemos criar soluções mais baratas, sustentáveis e adequadas à realidade das famílias brasileiras”.

O autor do projeto, senador Marcos Pontes, reforça que a medida vai além dos ganhos ambientais. “Colabora com o meio ambiente ao incentivar o uso de energia solar, mas também fortalece as empresas do setor, gera empregos e representa economia para o consumidor final. Em um país com alta insolação como o nosso, a adoção dessa tecnologia é uma oportunidade para toda a cadeia da construção civil”, afirmou.

Próximos passos

Após análise na Comissão de Meio Ambiente, o projeto será encaminhado à Comissão de Infraestrutura (CI). Caso não haja recurso para deliberação no plenário, poderá seguir diretamente para a Câmara dos Deputados.

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O avanço da proposta ocorre em um momento de crescente interesse por soluções de energia renovável e eficiência nos programas habitacionais. Estudos mostram que sistemas de aquecimento solar de água podem reduzir em até 40% o consumo de energia elétrica nas residências, especialmente em regiões com climas mais quentes e maior radiação solar.

Se aprovado, o Pronasol poderá impulsionar a indústria de aquecedores solares no Brasil, criar empregos em cadeia, reduzir a pressão sobre o sistema elétrico nacional e promover maior justiça energética ao permitir que famílias de baixa renda também tenham acesso à energia limpa e econômica.

A proposta também está alinhada aos compromissos ambientais do Brasil, como a redução das emissões de gases de efeito estufa e o incentivo à adoção de fontes renováveis de energia no setor habitacional.

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