Operação abrange ativos hidrelétricos e eólicos e marca nova fase estratégica da empresa, que terá até 120 dias para formalizar a transação
A Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) aprovou a transferência de controle societário direto da Aliança Geração de Energia S.A. (Aliança) para o GIP Horizon Fundo de Investimento em Participações Multiestratégia – Responsabilidade Limitada (FIP GIP). A decisão foi formalizada por meio do Despacho nº 2.049/2025, publicado na última quinta-feira (10 de julho), e representa um importante movimento no setor de geração elétrica brasileiro, com implicações diretas em concessões estratégicas nos segmentos hídrico e eólico.
A partir da anuência da ANEEL, a Aliança tem até 120 dias para concluir a operação e apresentar à agência reguladora toda a documentação que comprove a formalização da transação. A autorização é um passo necessário em processos de mudança de controle societário de concessionárias de serviços públicos e tem como objetivo garantir a transparência, a continuidade operacional e a capacidade técnica e financeira dos novos controladores.
Ativos estratégicos sob nova gestão
A Aliança Geração de Energia possui participação direta em um portfólio relevante de usinas hidrelétricas, incluindo a UHE Aimorés, UHE Funil, UHE Risoleta Neves, UHE Amador Aguiar I, UHE Amador Aguiar II, UHE Porto Estrela e UHE Igarapava. Juntas, essas usinas representam uma parcela significativa da capacidade de geração hídrica nacional, distribuídas entre os estados de Minas Gerais e Espírito Santo.
Além das concessões hidrelétricas, a Aliança também detém autorizações para a exploração de ativos em energia eólica, entre eles os Complexos Eólicos Santo Inácio, Acauã e a Central Eólica Gravier S.A. A entrada do FIP GIP no controle da empresa representa não apenas uma mudança societária, mas também uma potencial reorientação estratégica voltada à ampliação de investimentos em fontes renováveis.
Nova fase com o FIP GIP Horizon
O GIP Horizon é um fundo de investimentos multiestratégia com foco em infraestrutura, energia e ativos sustentáveis, e faz parte de uma nova geração de investidores que apostam na transição energética como vetor de desenvolvimento econômico. A aquisição do controle da Aliança Geração de Energia reforça o posicionamento do fundo no setor elétrico e sinaliza o interesse crescente de investidores institucionais em ativos de energia limpa no Brasil.
A operação reflete também um ambiente regulatório estável e uma matriz energética cada vez mais diversificada, que tem atraído capital nacional e estrangeiro. De acordo com especialistas do setor, a movimentação pode abrir espaço para novos projetos em energias renováveis, especialmente eólica e solar, aproveitando a sinergia entre os ativos já existentes e o know-how do novo controlador.
Aspectos regulatórios e próximos passos
Segundo a legislação do setor elétrico, qualquer operação que envolva transferência de controle societário de concessionárias de serviço público precisa ser aprovada pela ANEEL, que avalia critérios técnicos, jurídicos e econômicos. A anuência dada à Aliança está condicionada à entrega de documentos comprobatórios dentro do prazo de 120 dias, incluindo atos societários, registros legais e garantias de continuidade das obrigações assumidas nos contratos de concessão e autorizações de geração.
A ANEEL também poderá acompanhar, por meio de seus mecanismos de fiscalização, a evolução da transação e a capacidade do novo controlador em manter a eficiência operacional e o cumprimento das obrigações regulatórias.
Transações reforçam consolidação do setor
A aprovação da transferência de controle da Aliança Geração de Energia acontece em um momento de movimentação intensa no mercado de geração elétrica, com diversas operações de fusões, aquisições e reorganizações societárias.
Essas movimentações fazem parte de um cenário de consolidação e maturação do setor, impulsionado pela necessidade de expansão da oferta de energia, transição para fontes renováveis e ganho de escala nos empreendimentos existentes.



