Segurança, inovação e regulação: os pilares para o futuro da energia solar no Brasil

Especialistas defendem normas mais rígidas, pesquisa aplicada e confiabilidade tecnológica como base para o crescimento sustentável da geração distribuída

Com o crescimento acelerado da geração distribuída no Brasil, a necessidade de fortalecer a regulação técnica e garantir a segurança dos sistemas fotovoltaicos tornou-se pauta central do evento O Futuro da Energia, promovido pela Huawei Digital Power em São Paulo no dia 1º de julho. O encontro reuniu representantes de órgãos reguladores, setor acadêmico e entidades do setor solar para debater o papel da normatização técnica, da ciência aplicada e da confiança do consumidor no avanço sustentável da energia solar no Brasil.

Entre os principais participantes estavam Hércules da Costa, chefe da Divisão de Regulamentação e Qualidade Regulatória (Direq) do Inmetro, José Marangon, conselheiro da Associação Brasileira de Geração Distribuída (ABGD), e os professores Bruno Luis Soares de Lima, da Universidade Presbiteriana Mackenzie, e Leandro Michels, da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM).

Testes em condições reais reforçam confiabilidade dos sistemas

Um dos principais destaques do evento foi a apresentação dos resultados de testes realizados com equipamentos fotovoltaicos da Huawei em parceria com universidades brasileiras. Os estudos, conduzidos em condições climáticas reais do país, demonstraram desempenho superior dos inversores e baterias, especialmente em aplicações residenciais — segmento responsável por grande parte das instalações de geração distribuída.

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O professor Bruno Lima, do Mackenzie, compartilhou os avanços dos testes comparativos feitos pela Escola de Engenharia Elétrica da instituição. O estudo destacou tecnologias como o AFCI (Arc-Fault Circuit Interrupter ou “Interruptor de Circuito por Falha de Arco”), rapid shutdown (desligamento rápido) e testes rigorosos de baterias. Os equipamentos da Huawei, segundo Lima, apresentaram alta performance em segurança, capacidade de operação off-grid e resposta eficaz a falhas de rede.

“A colaboração entre universidade, indústria e órgãos públicos é fundamental para promover segurança e inovação no setor fotovoltaico”, afirmou o professor.

Já o professor Leandro Michels, da UFSM, defendeu a necessidade de adaptar os testes às condições climáticas brasileiras, argumentando que os padrões internacionais não refletem a realidade nacional. Ele apresentou uma metodologia inovadora para avaliar o desempenho dos inversores ao longo do dia, levando em conta altas temperaturas e sobrecarga fotovoltaica.

Segundo Michels, os equipamentos da Huawei mantiveram desempenho elevado mesmo sob calor intenso e demonstraram maior durabilidade em componentes internos como capacitores.

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“Nosso foco é garantir que os equipamentos funcionem bem onde realmente serão usados, com dados reais e não apenas eficiência de catálogo. Isso é fundamental para proteger o consumidor e sustentar a credibilidade da energia solar no Brasil”, pontuou.

Parcerias estratégicas fortalecem marco técnico-regulatório

Mariani Passos, gerente de Estratégia de Negócios e Compliance em P&D da Huawei, reforçou a relevância dessas parcerias com instituições acadêmicas.

“Acreditamos que a colaboração com universidades como o Mackenzie e a UFSM é essencial para desenvolver soluções alinhadas à realidade brasileira e contribuir com a evolução do marco técnico e regulatório do país. É por meio da ciência aplicada que conseguimos construir um setor mais seguro, eficiente e sustentável”, destacou.

Regulação e confiança do consumidor como pilares

Durante o painel “Soluções residenciais: como elevar os padrões de qualidade e performance com segurança”, os participantes discutiram os avanços regulatórios e os desafios para consolidar a confiança do consumidor no setor.

Hércules da Costa, do Inmetro, explicou a Portaria nº 515, que tornou obrigatória a presença de dispositivos de proteção contra arcos elétricos nos sistemas fotovoltaicos. A medida também estabelece requisitos mínimos de desempenho, alinhados às necessidades da rede elétrica nacional.

“Nosso papel é fornecer regras mínimas de segurança e desempenho, criando um ambiente regulatório equilibrado e alinhado com outros órgãos, como a ANEEL”, afirmou.

Para José Marangon, conselheiro da ABGD, o armazenamento residencial pode ser uma solução estratégica para o sistema elétrico.

“A bateria distribuída pode ser uma aliada essencial no alívio da rede e na estabilização da tensão, inclusive em horários de pico. Precisamos de uma regulação que incentive esse mercado e transmita segurança ao consumidor”, disse.

Prevenção de acidentes e proteção do setor

Outro ponto levantado pelos especialistas foi a importância de prevenir acidentes que possam comprometer a imagem do setor. O professor Michels alertou que uma falha grave, como um incêndio causado por instalação mal executada, pode gerar reações desproporcionais.

“Se houver um incêndio em uma escola com sistema fotovoltaico mal instalado, isso pode gerar uma reação exagerada e comprometer anos de avanço tecnológico”, observou.

Um mercado em crescimento exige responsabilidade técnica

O consenso entre os participantes do evento é claro: o avanço da energia solar no Brasil deve ser sustentado por inovação, regulação técnica e responsabilidade compartilhada entre indústria, academia e governo. A segurança dos sistemas, a confiança do consumidor e a credibilidade do setor dependem diretamente da adoção de padrões rigorosos de qualidade, baseados na realidade climática e operacional do país.

Com a ampliação do acesso à geração distribuída, especialmente entre consumidores residenciais, garantir que os sistemas fotovoltaicos atendam aos mais altos níveis de segurança e desempenho é não apenas desejável, mas essencial para o futuro energético sustentável do Brasil.

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