HUB de Economia & Clima é lançado em São Paulo para alinhar desenvolvimento econômico à transição climática

Iniciativa do Instituto Clima e Sociedade visa integrar pesquisa, formulação de políticas públicas e investimentos para impulsionar a economia de baixo carbono no Brasil

Em um momento de crescente urgência climática e necessidade de novas estratégias econômicas sustentáveis, o Instituto Clima e Sociedade (iCS) lançou nesta segunda-feira (8/7), em São Paulo, o HUB de Economia & Clima. A iniciativa reúne pesquisadores, economistas, gestores públicos e investidores com o objetivo de construir soluções integradas para o desenvolvimento de baixo carbono no Brasil.

O evento de lançamento marcou o início de uma plataforma colaborativa voltada à produção de conhecimento aplicado e à articulação de políticas públicas eficazes para a transição climática. Segundo a diretora-executiva do iCS, Maria Netto, o HUB será uma ponte entre ciência, economia e tomada de decisão.

“Com o HUB de Economia & Clima, teremos um espaço fundamental para ampliar o diálogo entre as diversas entidades brasileiras que já atuam na conexão entre clima e desenvolvimento. Além disso, será uma oportunidade de aproximar esse debate dos tomadores de decisão e da realidade prática do dia a dia”, enfatizou Maria Netto.

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Conexão entre clima e economia

Ao longo do evento, especialistas reforçaram que a discussão econômica precisa estar alinhada com os desafios ambientais e que o Brasil tem potencial para liderar a transição climática. Para o economista Rogério Studart, membro do Conselho do HUB e senior fellow do Centro Brasileiro de Relações Internacionais (CEBRI), os países em desenvolvimento devem implementar políticas robustas de adaptação climática.

“A maioria dos países em desenvolvimento não vai conseguir se desenvolver se não tiver uma política de adaptação (à agenda climática) muito significativa. São transformações que exigem uma mobilização de recursos muito elevada e num curto período de tempo, muitas vezes com necessidade de acesso a um tipo de tecnologia inovadora”, enfatizou Studart.

A presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), Luciana Servo, reforçou que a crise climática já afeta o planejamento governamental. Ela apontou que, no Plano Plurianual 2024-2027, grande parte dos recursos destinados à agenda ambiental foi comprometida com emergências climáticas.

“Dentro do plano plurianual 2024-2027, o Governo trouxe uma agenda transversal ambiental. Os programas contemplados tinham um orçamento de R$ 94 bilhões mas, desse total, R$ 82 bilhões já foram destinados a desastres e emergências climáticas”, afirmou Luciana.

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Aplicação prática da pesquisa científica

No segundo painel do dia, o economista Bráulio Borges, da FGV, moderou o debate sobre o papel da economia aplicada na formulação de políticas climáticas. Claudio Amitrano, técnico do IPEA, ressaltou os desafios da implementação de ações sustentáveis.

“O desafio contemporâneo é muito grande nessa discussão, pois as políticas para enfrentar os desafios climáticos têm custo elevado e concentrado, e benefícios difusos e defasados. Isso significa dizer que a adesão por parte dos políticos e da população é extremamente complexa. E, sem eles, é muito difícil a gente levar adiante as agendas que achamos importantes para o desenvolvimento sustentável. No HUB, a gente precisa integrar os resultados dos nossos estudos ao cidadão comum”, destacou Amitrano.

Momento favorável para a academia brasileira

O professor da PUC-Rio e diretor executivo do Climate Policy Initiative, Juliano Assunção, destacou o potencial da pesquisa em economia e clima no Brasil e a importância do HUB como catalisador dessa inteligência.

“Hoje, vivemos um momento muito positivo para a academia brasileira na área de economia e clima. Essa é uma área de estudo extremamente promissora e já existem iniciativas em vários centros de pesquisa. Nesse contexto, o HUB irá tirar proveito de uma massa crítica e poderá trabalhar para criar uma estrutura que consiga consolidá-la”.

A professora da FGV Annelise Vendramini, especialista em finanças sustentáveis, destacou o papel do HUB na criação de um ambiente favorável para investimentos verdes e negócios alinhados à descarbonização.

“Com o HUB, vamos entrar numa discussão sobre como incentivar ou viabilizar a existência de negócios que vão nos ajudar a descarbonizar a economia, e sobre como constituir um ambiente de negócios favorável para que novos negócios surjam e para que seja fácil canalizar recursos para eles. O HUB pode contribuir reunindo pesquisadores de diferentes áreas do conhecimento para nos ajudar a enfrentar esse grande desafio: entender como reduzir a lacuna de investimentos necessários para a transição climática”, afirma a educadora.

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