Licença ambiental viabiliza construção de cinco parques eólicos em Santa Vitória do Palmar, reforçando a matriz limpa do estado e impulsionando a transição energética no Sul do Brasil
O setor de energias renováveis do Rio Grande do Sul avança com mais um importante marco. A Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam) emitiu, na última sexta-feira (4/7), a Licença de Instalação (LI) para o Complexo Eólico Electra Ventos do Sul, empreendimento que será implantado no município de Santa Vitória do Palmar, no extremo sul do estado. O projeto contempla cinco parques eólicos e soma uma potência instalada de 121,8 megawatts (MW), consolidando a região como um polo estratégico para a geração de energia limpa no Brasil.
O novo complexo ocupará uma área de 2.240,56 hectares e será composto pelos parques Electra Ventos do Sul I, II, III, IV e V. Ao todo, serão instalados 20 aerogeradores, sendo 19 com capacidade unitária de 6,2 MW e um com potência controlada em 4 MW, regulado por meio do Power Plant Controller (PPC) – sistema de automação que otimiza a operação de usinas de geração.
A Licença de Instalação emitida pela Fepam tem validade de cinco anos, entre 3 de julho de 2025 e 3 de julho de 2030, e estabelece uma série de condicionantes ambientais e operacionais a serem cumpridas ao longo do processo de implantação e operação do empreendimento.
Um impulso à transição energética no Sul do país
Segundo o presidente da Fepam, Renato Chagas, o licenciamento do complexo representa um avanço significativo para a diversificação e a sustentabilidade da matriz energética gaúcha. “A autorização para o Complexo Eólico Electra Ventos do Sul reforça o compromisso do Rio Grande do Sul com o desenvolvimento sustentável, promovendo geração limpa com responsabilidade ambiental e respeito às comunidades locais”, afirmou.
O estado do Rio Grande do Sul tem se consolidado como um dos principais centros de geração eólica do país. A topografia favorável e a constância dos ventos, especialmente nas regiões Sul e Campanha, tornam o território gaúcho ideal para projetos de grande escala voltados à produção de energia renovável.
Detalhes do empreendimento
O projeto do complexo é de responsabilidade da empresa Usina Eólica Vitória IV Ltda, com sede em Curitiba (PR). O licenciamento conta com a anuência do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), formalizada por meio do Ofício 1587/2024, e com as outorgas da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) para cada um dos cinco parques eólicos, emitidas entre os despachos 1687 e 1691/2023.
A conexão do complexo ao Sistema Interligado Nacional (SIN) será feita por meio da Subestação Marmeleiro 2, conforme previsto na Licença Prévia 85/2025, emitida com base nas diretrizes da Resolução CONSEMA 433/2020. A infraestrutura de conexão garantirá a inserção da energia gerada no sistema elétrico brasileiro, contribuindo para o suprimento de eletricidade com baixa emissão de carbono.
Sustentabilidade e segurança energética no mesmo projeto
O modelo adotado no complexo segue os princípios de sustentabilidade ambiental, eficiência energética e segurança operacional. A instalação dos aerogeradores em área remota permite o aproveitamento do potencial eólico sem conflitos com centros urbanos, e a adoção de tecnologias de automação, como o PPC, garante controle refinado da produção, mesmo em condições variáveis de vento.
Esse tipo de projeto é essencial para atender às metas de redução de emissões de gases de efeito estufa, estabelecidas pelo Brasil no contexto do Acordo de Paris, além de estar alinhado às políticas de fomento à transição energética justa e sustentável.
Contribuição local e oportunidades econômicas
Além de contribuir para a matriz energética nacional, o empreendimento tem potencial de gerar impactos socioeconômicos positivos na região, como criação de empregos diretos e indiretos, aumento da arrecadação municipal e investimentos em infraestrutura local. A fase de instalação costuma demandar mão de obra especializada, o que impulsiona a qualificação e contratação de trabalhadores locais.
Com a emissão da Licença de Instalação, o projeto agora avança para as etapas de mobilização de obras, aquisição de equipamentos e consolidação dos contratos de fornecimento de energia. A expectativa é de que a operação comercial tenha início dentro do prazo estabelecido, contribuindo para os objetivos do estado e do país em relação à sustentabilidade e segurança energética.



