Lula assume presidência do Mercosul e destaca papel estratégico da América do Sul na corrida global por energia

Durante a 66ª Cúpula do Mercosul, presidente brasileiro reforça compromisso com a integração energética regional e sustentabilidade, mirando protagonismo sul-americano no cenário geopolítico da transição energética

Ao assumir a presidência rotativa do Mercosul durante a 66ª Cúpula de Chefes de Estado, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sublinhou que a América do Sul não ficará à margem da corrida global por fontes de energia, destacando o potencial do bloco para atuar de forma estratégica na geopolítica da transição energética e na construção de um mundo mais justo, sustentável e integrado.

A fala ocorreu durante a cerimônia oficial de transmissão da presidência do bloco, que passou da Argentina para o Brasil. O evento reforçou não apenas o papel diplomático do Brasil dentro do Mercosul, como também a relevância do continente no novo tabuleiro energético global.

“Também daremos seguimento à declaração sobre integração e segurança energética. A exploração unilateral de recursos naturais nas Malvinas, que condenamos hoje, sinaliza que a América do Sul não permanecerá à parte na corrida global por fonte de energia. Precisamos enfrentá-la unidos”, afirmou Lula.

- Advertisement -

A menção à questão das Malvinas, território sob domínio britânico e reivindicado pela Argentina, serviu de gancho para o presidente destacar a necessidade de coesão entre os países sul-americanos frente aos desafios geopolíticos e energéticos globais.

Energia como eixo da integração regional

Em sua fala, Lula destacou que a integração energética será uma das prioridades da presidência brasileira no Mercosul. A crescente demanda mundial por energia limpa, associada à necessidade de garantir segurança energética, torna o continente sul-americano um dos principais protagonistas da nova matriz energética mundial.

Com abundância de fontes renováveis — solar, eólica, hídrica e biomassa — e vastas reservas de minerais críticos como lítio, nióbio e cobre, o Mercosul reúne condições estratégicas para consolidar sua posição como fornecedor confiável e sustentável de energia e insumos para tecnologias verdes.

A Declaração sobre Integração e Segurança Energética, mencionada por Lula, vem sendo debatida entre os países-membros desde 2023, com foco na interconexão elétrica, regulação integrada, desenvolvimento de hidrogênio verde e investimentos em infraestrutura transfronteiriça.

- Advertisement -

A corrida global por energia e os riscos da fragmentação

A fala do presidente também ressalta o caráter geopolítico da energia, sobretudo no atual contexto de tensões comerciais, mudança climática e reindustrialização de grandes economias. O avanço unilateral de projetos energéticos em territórios disputados ou sensíveis, como mencionado no caso das Malvinas, é um alerta para a necessidade de cooperação multilateral, sob pena de a região ser relegada a mera fornecedora de matérias-primas, sem protagonismo nas decisões globais.

O desafio da América do Sul, segundo Lula, é justamente transformar seus ativos naturais em soberania energética compartilhada e desenvolvimento inclusivo, evitando os erros históricos de exploração predatória e dependência externa.

Sustentabilidade e justiça social como pilares da agenda energética

Ao colocar a energia no centro do discurso político do Mercosul, o Brasil sinaliza que a transição energética precisa ser conduzida com responsabilidade ambiental e inclusão social. A aposta em fontes renováveis, integração regional e industrialização verde vai ao encontro das diretrizes internacionais para o combate às mudanças climáticas e redução da desigualdade.

Além disso, a presidência brasileira no bloco deverá intensificar os diálogos com organismos multilaterais e países parceiros para atrair investimentos em cadeias produtivas locais, com destaque para hidrogênio verde, baterias e mobilidade elétrica.

Destaques da Semana

Artigos

Últimas Notícias