Calor extremo já impõe mais perdas que furacões e terremotos combinados, alerta Swiss Re

Relatório internacional aponta que ondas de calor agravam riscos patrimoniais para empresas e exigem revisão urgente das coberturas de seguro

As ondas de calor extremas deixaram de ser um fenômeno climático pontual para se tornarem um risco estrutural com impactos econômicos e operacionais severos. Essa é a principal conclusão do relatório SONAR 2025: New Emerging Risk Insights, publicado pelo Swiss Re Institute, que aponta um cenário de pressão crescente sobre empresas, seguradoras e setores de infraestrutura diante da escalada das temperaturas globais.

Segundo o estudo, o calor extremo já causa mais mortes do que a soma de furacões, enchentes e terremotos. De junho de 2023 a abril de 2024, foram registradas 76 ondas de calor em 90 países, afetando mais de 6 bilhões de pessoas com pelo menos 31 dias de temperaturas extremas. Essa realidade está provocando uma revisão do conceito de risco patrimonial, principalmente para companhias com alta concentração de ativos físicos, como galpões, subestações, armazéns, fábricas, unidades logísticas e instalações críticas.

“O aumento da frequência e da severidade das ondas de calor afeta diretamente a resiliência das empresas. O risco climático, antes associado apenas ao longo prazo, agora está dentro do ciclo operacional e financeiro das corporações”, alerta o documento.

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Calor extremo e o impacto nos ativos empresariais

O relatório SONAR 2025 elenca diversos efeitos diretos do calor extremo sobre o patrimônio empresarial:

  • Incêndios florestais e urbanos, que atingem instalações industriais, centros de distribuição e sistemas de transmissão;
  • Falhas operacionais em transportes, energia e água, afetando a infraestrutura crítica necessária para o funcionamento das empresas;
  • Combustão espontânea de materiais inflamáveis, como produtos químicos e solventes;
  • Danos estruturais em edificações corporativas, como trincas, dilatação térmica e sobrecarga em sistemas de refrigeração;
  • Infestações por mofo e fungos em ambientes fechados e estoques sensíveis, potencializadas por umidade e calor.

Esse conjunto de efeitos já impacta a sinistralidade das seguradoras. Estima-se que apenas com incêndios florestais, as perdas seguradas tenham somado US$ 74 bilhões entre 2014 e 2023. Para o futuro próximo, o Fórum Econômico Mundial projeta perdas globais de até US$ 448 bilhões por ano até 2035 associadas a eventos climáticos extremos.

Gaps no setor de seguros e oportunidade de inovação

Apesar do aumento da exposição aos riscos climáticos, o SONAR 2025 aponta que muitas apólices patrimoniais ainda não contemplam plenamente os efeitos do calor extremo. O setor segurador, segundo o relatório, ainda está em processo de adaptação frente às novas realidades do clima, o que pode comprometer a proteção oferecida a clientes corporativos.

“Há uma janela clara para inovação em seguros patrimoniais. Produtos paramétricos, coberturas complementares e soluções personalizadas para setores como energia, logística, agroindústria e alimentos serão decisivos para mitigar perdas e preservar a continuidade dos negócios”, reforça o documento.

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Esse alerta ganha força no contexto brasileiro, onde o calor extremo tem se manifestado com força crescente em regiões com infraestrutura energética e industrial relevante — como Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste — elevando a vulnerabilidade das redes e aumentando o risco de interrupções sistêmicas.

Resiliência climática como estratégia corporativa

O relatório também defende que a gestão de riscos climáticos deve migrar do campo emergencial para o planejamento estratégico empresarial. O Swiss Re Institute recomenda que empresas incorporem cenários climáticos aos seus planos de expansão e operação, sobretudo aquelas com instalações críticas, linhas de produção sensíveis ao ambiente ou ativos em áreas de risco climático elevado.

“Resiliência patrimonial não é apenas uma pauta do setor segurador — é um tema estratégico para qualquer empresa que dependa de ativos físicos para operar”, afirma o estudo.

Com urbanização acelerada, envelhecimento de infraestrutura e aumento das temperaturas médias globais, o desafio será combinar informação, tecnologia e financiamento de risco para manter os negócios operando de forma segura e sustentável.

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