Brasil Rumo à COP30: Congresso Sustentável do CEBDS Reforça Liderança Climática e Valor da Amazônia

Com participação de 300 lideranças em Belém, evento promove articulação entre setores público e privado, destaca protagonismo feminino e lança bases para uma economia verde com raízes amazônicas

Em um cenário global marcado por instabilidade geopolítica e crescente urgência climática, o Brasil dá um passo decisivo rumo à liderança ambiental internacional. Nos dias 1 e 2 de julho, o Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS) promoveu em Belém (PA) a 12ª edição do Congresso Sustentável, reunindo cerca de 300 representantes dos setores público, privado e da sociedade civil para debater soluções concretas de sustentabilidade, com foco na Amazônia e na preparação para a COP30.

Com a presença de nomes de peso como a CEO da COP30, Ana Toni, o governador do Pará, Helder Barbalho, e o professor de relações internacionais Oliver Stuenkel, o evento reforçou o papel do Brasil como ator-chave em uma nova ordem climática global. A diversidade dos participantes e dos temas abordados – que incluíram bioeconomia, segurança energética e liderança feminina – mostrou que a transição sustentável passa necessariamente por coalizões amplas, ação pragmática e valorização dos ativos naturais brasileiros.

O Brasil como Solução Climática Global

Logo na abertura do evento, Marina Grossi, presidente do CEBDS e Enviada Especial para o setor empresarial na COP30, destacou a oportunidade histórica do Brasil: “Como aproveitar nossa matriz energética limpa para tornar o aço brasileiro mais verde? Na agricultura e na pecuária, estamos modernizando métodos que nos tornam ainda mais competitivos. Precisamos criar os fundamentos para responder ao chamado da década da implementação”.

- Advertisement -

Em meio às tensões geopolíticas entre potências como Estados Unidos e China, o Brasil desponta como território neutro e confiável. O Congresso reafirmou o potencial do país em exercer liderança global ao investir na biodiversidade, fortalecer a bioeconomia e promover políticas integradas que combinem clima, natureza e inclusão social.

Caminhos Concretos: Da Amazônia ao Mundo

O encontro foi palco de debates sobre como transformar a floresta em ativo estratégico e socioeconômico. Para o governador Helder Barbalho, “a floresta precisa valer mais em pé do que derrubada”. Segundo ele, apenas ações de fiscalização são insuficientes para garantir a preservação no longo prazo. É necessário promover o desenvolvimento econômico da região de forma sustentável, valorizando a população local e evitando o conflito social como obstáculo à conservação ambiental.

A CEO da COP30, Ana Toni, trouxe um alerta direto das negociações internacionais: “A geopolítica não está ajudando. A transformação climática não virá de cima para baixo. Ela será liderada por empresas, consumidores, populações indígenas e governadores”.

Iniciativas de Impacto e Soluções Escaláveis

Como parte da preparação para a COP30, o Congresso apresentou uma exposição com 65 iniciativas empresariais sustentáveis, selecionadas para compor o portfólio Brasil de Soluções. Até o momento, já foram mapeadas 135 ações com potencial de escalabilidade, que serão apresentadas oficialmente durante a cúpula global em novembro. A proposta é mostrar ao mundo o que já está sendo feito no Brasil e inspirar outras nações a agir.

- Advertisement -

Entre os destaques, estavam projetos em bioeconomia, agropecuária regenerativa, infraestrutura resiliente e finanças verdes. Tony Goldner, CEO da TNFD (Taskforce on Nature-related Financial Disclosures), destacou: “Em economias como a do Brasil, não há fluxo de caixa sem o fluxo da natureza”. Ele defendeu uma atuação estratégica das empresas diante dos riscos associados à degradação ambiental.

Protagonismo Feminino na Sustentabilidade

Outro momento marcante foi a entrega do Prêmio CEBDS de Liderança Feminina, que reconheceu três profissionais que atuam na linha de frente da sustentabilidade corporativa: Juliana de Lavor Lopes (AMAGGI), Suellen Joner (Grupo Azzas 2154) e Bruna Mesquita (Michelin). As trajetórias premiadas mostram que é possível alinhar inovação, impacto socioambiental e metas corporativas ambiciosas.

“Ser mulher, trabalhar com sustentabilidade e atuar num cenário tão complexo como a moda traz um gostinho a mais para esse reconhecimento”, afirmou Suellen Joner, que lidera estratégias de ESG no maior grupo de moda da América Latina.

Juliana Lopes fez um chamado à continuidade: “Falamos muito da COP30, mas pouco sobre o depois. Temos um longo caminho até 2050. O agro brasileiro precisa ser também um agro ambiental. As mulheres podem liderar esse processo”.

O CEBDS, cuja equipe é composta por 70% de mulheres, reforçou seu compromisso com a diversidade e a inclusão como alavancas para transformação sustentável de longo prazo.

Belém, a Capital da Esperança Climática

Ao sediar o Congresso e preparar-se para a COP30, Belém se posiciona como símbolo da transformação que se deseja para o mundo: um modelo de desenvolvimento sustentável, conectado às raízes amazônicas e às demandas globais. O evento reafirmou que enfrentar a emergência climática exige soluções ambiciosas, cooperação entre setores e ação imediata.

O Congresso Sustentável 2025 teve o apoio de empresas como Equinor, Philip Morris, Vale, Yara, Banco da Amazônia, Banco do Brasil, Caixa e do Governo Federal. O CEBDS mais uma vez cumpre seu papel como catalisador da ação climática, unindo empresas, governos e sociedade civil em torno de um futuro comum: regenerativo, justo e viável.

Destaques da Semana

Petrobras define indicações para Conselhos de Administração e Fiscal de 2026

Governo propõe recondução de Magda Chambriard e Bruno Moretti...

Petrobras adota cautela e evita repasse imediato do Brent a US$ 90

Em teleconferência de resultados, cúpula da estatal reforça blindagem...

O MW como Ativo Imobiliário: A Nova Fronteira dos Data Centers no Brasil

Especialistas da Capacity analisam por que o custo da...

Conflito entre EUA e Irã eleva riscos para o mercado global de energia, avalia FGV Energia

Escalada militar no Golfo Pérsico reacende temor de choque...

Artigos

Últimas Notícias