Primeira publicação do novo ciclo do Plano Decenal de Expansão de Energia antecipa crescimento anual médio de 2,8% do PIB brasileiro e indica aumento do número de domicílios como vetor de transformação no consumo de energia
O Ministério de Minas e Energia (MME) e a Empresa de Pesquisa Energética (EPE) divulgaram o Caderno de Premissas Econômicas e Demográficas, documento inaugural do Plano Decenal de Expansão de Energia 2035 (PDE 2035), que oferece as bases quantitativas e qualitativas para o planejamento energético do país na próxima década. A publicação traça os principais cenários econômicos e demográficos que orientarão as decisões estratégicas do setor elétrico, considerando diferentes trajetórias de crescimento, investimento e dinâmica populacional.
A análise revela um cenário-base de crescimento sustentado do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro de 2,8% ao ano entre 2026 e 2035, impulsionado por estabilidade macroeconômica, reformas estruturais, aumento da produtividade e confiança dos investidores. Esse crescimento será fundamental para sustentar a expansão da infraestrutura elétrica, viabilizar a transição energética e garantir o atendimento da demanda futura de forma sustentável.
No plano global, a expectativa é de que o PIB mundial cresça a uma taxa média de 3% ao ano, com um papel cada vez mais relevante dos países emergentes no comércio internacional. Já o número de domicílios brasileiros deve crescer 1,2% ao ano, enquanto a população avança apenas 0,3% ao ano, refletindo o aumento da renda, a urbanização e a redução do déficit habitacional.
Crescimento econômico será sustentado por investimentos e produtividade
O cenário de referência do PDE 2035 prevê um avanço dos investimentos nacionais para 19,6% do PIB, com destaque para os setores de infraestrutura, energia, indústria e agropecuária. A produtividade total dos fatores (PTF) deve alcançar crescimento médio de 0,7% ao ano no último quinquênio do período, sinalizando avanços em inovação, capacitação e uso mais eficiente dos recursos produtivos.
Setorialmente, a agropecuária deve crescer 3% ao ano, a indústria terá expansão média de 2,6% e o setor de serviços, 2,9% ao ano. Dentro da indústria, destacam-se os segmentos energointensivos, como eletricidade, gás, água e esgoto, que devem apresentar crescimento médio de 2,8%, refletindo maior demanda por energia e a necessidade de expansão da infraestrutura energética.
Tendências demográficas impactarão o perfil da demanda energética
O caderno aponta que, em 2035, haverá uma significativa redução da densidade por domicílio, com média de 2,5 pessoas por residência, em comparação aos níveis atuais. Esse movimento é impulsionado por melhorias socioeconômicas e deve influenciar diretamente o padrão de consumo residencial, com maior uso de eletroeletrônicos, sistemas de climatização e aquecimento, além de crescimento das soluções distribuídas como geração solar fotovoltaica em telhados.
Essa mudança demográfica também terá reflexos na distribuição espacial da demanda de energia, exigindo novas estratégias de planejamento e operação para garantir o fornecimento seguro, eficiente e sustentável, tanto nas metrópoles quanto em regiões interioranas em expansão.
Cenários alternativos ampliam a capacidade de planejamento do setor
Para lidar com as incertezas do horizonte de longo prazo, a EPE elaborou dois cenários alternativos ao cenário de referência:
- Cenário inferior: considera um ambiente econômico mais instável, com baixo investimento, menor confiança e desafios fiscais. Nesse contexto, o crescimento do PIB seria limitado a 1,9% ao ano, impactando negativamente a demanda energética e a viabilidade de projetos estruturantes.
- Cenário superior: representa um ambiente de maior estabilidade política e econômica, com aceleração de investimentos, avanço das reformas e aumento da produtividade. O PIB poderia crescer até 3,9% ao ano, impulsionando fortemente os setores industriais, de serviços e infraestrutura energética.
Esses cenários auxiliam a calibrar as projeções de expansão da oferta e da demanda de energia, bem como as estratégias regulatórias e de financiamento necessárias para sustentar o crescimento.
Premissas orientam a transição energética e a descarbonização
O Caderno de Premissas Econômicas e Demográficas do PDE 2035 tem papel estratégico na transição energética do Brasil, ao permitir que os investimentos em geração, transmissão e distribuição estejam alinhados com as necessidades reais da sociedade e da economia. A publicação reforça a importância de integrar as dimensões econômica, social e ambiental no planejamento do setor.
A demanda por eletricidade deve continuar crescendo, principalmente nos setores de transportes (com a eletrificação da mobilidade), residencial (pela digitalização e conforto térmico) e indústria (com a automação e uso de fontes renováveis). Ao mesmo tempo, a busca por eficiência energética, a modernização do parque gerador e a inserção de tecnologias limpas devem acelerar a descarbonização da matriz.



