Com participação de Marina Silva, cúpula financeira na bolsa de Londres busca mobilizar capital público e privado para transição verde e biodiversidade até a COP30, em Belém
Em 26 de junho, a capital financeira do mundo será palco de um dos encontros mais estratégicos do calendário climático global: o World Climate Investment Summit. Organizado pela World Climate Foundation, o evento será realizado na sede do London Stock Exchange Group (LSEG), reunindo lideranças de alto nível dos setores público, privado e do terceiro setor. A ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, será uma das principais vozes brasileiras no encontro, marcado por sua missão: impulsionar o fluxo de recursos financeiros rumo à COP30, que será realizada em novembro de 2025, em Belém do Pará.
A presença de Marina Silva reforça o papel do Brasil como protagonista nas negociações climáticas internacionais. Além dela, André Aquino, assessor especial de Economia do MMA, apresentará iniciativas estratégicas do governo federal para alavancar investimentos na proteção da natureza. Entre os destaques está o Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF), voltado ao combate ao desmatamento e à conservação da biodiversidade.
O encontro em Londres marca o início oficial da jornada financeira rumo à COP30. Segundo Jens Nielsen, fundador e CEO da World Climate Foundation, o objetivo é sair da lógica de promessas e avançar para a de implementação. “Oferecemos aos investidores e formuladores de políticas públicas um espaço para conversas francas e focadas sobre ferramentas, incentivos e parcerias. É hora de alinhar capital com ação”, afirma o economista.
Financiamento climático como prioridade estratégica
O World Climate Investment Summit reunirá representantes de fundos soberanos, bancos de desenvolvimento, investidores institucionais, empresas e organizações técnicas. A ideia é discutir mecanismos concretos de financiamento para projetos de transição energética, conservação da natureza e mitigação de riscos climáticos — principalmente nos países em desenvolvimento.
Estruturas inovadoras de financiamento, como novas categorias de ativos e parcerias público-privadas, serão apresentadas por membros da Climate Investment Coalition (CIC) e da Nature Investment Coalition (NIC), ambas lideradas pela World Climate Foundation. As propostas debatidas em Londres alimentarão os próximos fóruns preparatórios: o World Climate & Biodiversity Summit, em Nova Iorque, em setembro, e a Cúpula Mundial do Clima, em Belém, prevista para novembro.
Segundo Nielsen, “o que começa em Londres molda a arquitetura financeira desejada para a COP30, com reflexos diretos nos compromissos globais de implementação do Acordo de Paris”.
Brasil como ponte entre política climática e mercado
A escolha de Belém como sede da COP30 trouxe novo fôlego à agenda ambiental brasileira. O governo federal tem se movimentado para destravar fontes de financiamento e fortalecer o papel do país como destino estratégico de investimentos verdes. A participação de representantes brasileiros no evento em Londres será uma oportunidade de apresentar soluções como o TFFF, o Fundo Amazônia e mecanismos de pagamento por serviços ambientais.
Flora Bitancourt, diretora da World Climate Foundation no Brasil, destaca a importância da colaboração intersetorial. “Criamos ambientes propícios ao investimento, especialmente em mercados emergentes, e reunimos formuladores de políticas, técnicos e o setor privado para lançar o impulso necessário à mobilização climática até a COP30”, explica.
Além de autoridades públicas, o encontro contará com a presença de empresas como Vale, Capgemini, EY, Pátria Investimentos, Instituto Arapyaú, FinDevCanada, Climate Policy Initiative e Instituto Clima e Sociedade (iCS).
A COP30 começa agora
A World Climate Foundation já iniciou a mobilização desde janeiro, com agendas em Davos e São Paulo. Agora, Londres se torna o epicentro do planejamento financeiro da COP30. A meta é clara: chegar a Belém com capital, parceiros e mecanismos prontos para transformar compromissos em ações mensuráveis.
Com esse movimento internacional de alinhamento entre setores, o Brasil desponta como elo fundamental entre a biodiversidade e o sistema financeiro global. A COP30, mais do que um evento, será a prova de que o financiamento climático pode — e deve — acontecer antes das crises se agravarem.



