ONS prevê reservatórios acima de 60% ao fim de junho e sinaliza estabilidade no Sistema Interligado Nacional

Expectativa do operador reforça segurança hídrica no início do período seco, com destaque para recuperação expressiva no Sul e estabilidade da demanda em todo o país

O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) divulgou, por meio do Programa Mensal da Operação (PMO) referente à semana de 21 a 27 de junho, uma projeção otimista para o encerramento do primeiro semestre de 2025: os quatro subsistemas do Sistema Interligado Nacional (SIN) devem apresentar níveis de armazenamento superiores a 60%, consolidando um cenário de segurança energética no início do período tipicamente seco.

Segundo o relatório, o maior percentual de Energia Armazenada (EAR) está projetado para a região Norte, com 99,5%, reflexo direto da sazonalidade das chuvas na bacia amazônica. Na sequência, aparecem o Nordeste com 69,2%, o Sudeste/Centro-Oeste com 67,1% e o Sul com 64%. Este último se destaca pelo crescimento expressivo: um acréscimo de 28,4 pontos percentuais em relação aos 35,6% registrados no início de junho.

Para o diretor-geral do ONS, Marcio Rea, os resultados refletem o esforço de gestão estratégica adotado nas últimas semanas. “Mantivemos uma política operativa focada na preservação dos recursos hídricos, especialmente no Sul. Os dados atuais são adequados para esta fase do ano, mas o monitoramento segue constante diante dos desafios impostos pela estação seca”, afirmou.

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Afluências abaixo da média, com exceção do Sul

As estimativas de Energia Natural Afluente (ENA), indicador que mede o potencial de geração hidráulica a partir da vazão dos rios, revelam um desempenho inferior à Média de Longo Termo (MLT) em três dos quatro subsistemas. A exceção é a região Sul, que deve atingir 118% da MLT, reforçando sua recuperação hidrológica. As projeções para as demais regiões são:

  • Sudeste/Centro-Oeste: 82% da MLT
  • Norte: 61% da MLT
  • Nordeste: 40% da MLT

O comportamento das afluências está alinhado com os padrões climáticos típicos deste período do ano e reflete uma operação voltada ao uso racional dos recursos disponíveis, de forma a minimizar a exposição ao despacho térmico e manter os níveis de reserva operacionais adequados.

Demanda apresenta estabilidade, com leve desaceleração no Sudeste

A demanda de carga do SIN deve manter-se estável em 75.684 MWmed em junho de 2025, de acordo com o boletim. No Sudeste/Centro-Oeste, espera-se uma retração de 2,7% (41.595 MWmed), influenciada pelas temperaturas mais amenas. Já os demais subsistemas apresentam crescimento:

  • Nordeste: 4,5% (12.987 MWmed)
  • Norte: 4,4% (8.046 MWmed)
  • Sul: 1,6% (13.056 MWmed)

Esses percentuais comparam o desempenho estimado de junho de 2025 com os dados consolidados de junho de 2024. O equilíbrio observado no consumo é um fator adicional de alívio para o sistema, contribuindo para a estabilidade dos preços e da operação.

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CMO unificado: R$ 237,94/MWh

Outro ponto de destaque no relatório é o Custo Marginal de Operação (CMO), que permanece uniforme entre os subsistemas, com valor fixado em R$ 237,94/MWh. O CMO reflete o custo de geração da próxima unidade de energia a ser despachada, e sua estabilidade sinaliza equilíbrio entre oferta e demanda, mesmo em um momento de redução nas afluências em parte do país.

A uniformização do CMO em todos os submercados evidencia a boa interligação entre as regiões e a eficiência da operação coordenada do SIN, que permite transferências energéticas estratégicas conforme a disponibilidade hídrica regional.

Segurança no início do período seco

A consolidação de níveis satisfatórios nos reservatórios, a estabilidade da carga e o controle do CMO indicam que o sistema elétrico nacional ingressa no segundo semestre com boa margem operacional, apesar dos riscos estruturais que acompanham o período seco.

Ainda assim, o ONS reforça que continuará monitorando permanentemente as condições hidrológicas e energéticas, mantendo em curso ações preventivas e estratégias de conservação, em alinhamento com os agentes do setor e as diretrizes do Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE).

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