Aneel sinaliza flexibilização regulatória para acelerar infraestrutura de eletromobilidade no Brasil

Diretor-geral Sandoval Feitosa aponta tarifas horárias e mapas de disponibilidade de rede como pilares para gerir demanda e atrair investimentos em eletropostos.

A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) deu um sinal claro ao mercado nesta terça-feira (10) sobre os próximos passos para a integração da mobilidade elétrica ao Sistema Interligado Nacional (SIN). Em um movimento que busca equilibrar o incentivo à infraestrutura de recarga com a segurança operacional das redes, a autarquia sinalizou que a flexibilização de normas de conexão e a inteligência de dados serão as prioridades da agenda regulatória para os próximos ciclos.

O avanço da eletromobilidade traz desafios técnicos significativos para as distribuidoras, especialmente no que diz respeito ao gerenciamento de picos de carga. Para evitar sobrecargas localizadas, o regulador estuda mecanismos que permitam uma conexão mais ágil e menos burocrática para novos pontos de recarga, desde que acompanhados por uma gestão eficiente da demanda.

Gestão de carga e implementação de tarifas horárias

Um dos pontos centrais da estratégia da agência envolve a precificação dinâmica. A ideia é desencorajar a recarga simultânea em horários de ponta e incentivar o uso da rede em períodos de folga sistêmica. O diretor-geral da Aneel, Sandoval Feitosa, detalhou os caminhos para a gestão do sistema: “A pauta concentra-se na flexibilização das normas de conexão e na implementação de tarifas horárias para gerir os picos de demanda.”

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Essa sinalização é vista por especialistas como um passo fundamental para viabilizar o smart charging (recarga inteligente) no Brasil, permitindo que os eletropostos funcionem como ativos flexíveis da rede elétrica, e não apenas como pontos de consumo passivo.

Transparência e mapas de disponibilidade

Outro gargalo identificado pela Aneel é a assimetria de informação entre os investidores de infraestrutura e as concessionárias de distribuição. Muitas vezes, a instalação de um hub de recarga rápida é inviabilizada pela falta de capacidade de curto prazo no transformador local, dado que nem sempre é público.

Para mitigar esse risco e otimizar a alocação de capital, a agência defende a digitalização e a abertura de dados técnicos. Sandoval Feitosa ressalta a importância de dotar o setor de maior visibilidade sobre a malha de distribuição:”O diretor comentou, ainda, acerca da criação de mapas de disponibilidade da rede e a necessidade de mais informação e inteligência sobre o sistema.”

Com esses mapas, empresas de infraestrutura de recarga poderão identificar, em tempo real, os locais onde a rede possui maior capacidade ociosa, reduzindo os custos de reforço de rede e agilizando a conexão de novos carregadores ultrarrápidos.

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