Com 75% de taxa de contratação e mil mulheres formadas, programa abre 400 novas vagas em 2026 e impulsiona mudanças estruturais em EPIs e infraestrutura das distribuidoras.
A busca por equidade de gênero no setor elétrico brasileiro deixou de ser uma meta estatística para se tornar um diferencial de performance e segurança. A Neoenergia atingiu a marca histórica de mil mulheres capacitadas em sua Escola de Eletricistas, um projeto que se tornou referência global em diversidade e inclusão (D&I). O sucesso da iniciativa é medido pela alta taxa de absorção: três em cada quatro formandas são contratadas para integrar os quadros operacionais da companhia.
Para sustentar o ritmo de expansão e modernização de suas redes, a Neoenergia anunciou a abertura de 400 novas vagas para 2026 em suas áreas de concessão (Neoenergia Coelba, Cosern, Pernambuco, Elektro e Brasília). O movimento ocorre em um momento em que o mercado de energia demanda não apenas mais profissionais, mas uma força de trabalho tecnicamente qualificada e diversa.
Reconhecimento global e padrões de segurança
O impacto social da iniciativa transcendeu as fronteiras nacionais e obteve o aval de órgãos internacionais de prestígio. O projeto foi destacado pelo Fórum Econômico Mundial como um modelo de referência em diversidade, além de possuir a certificação dos Princípios de Empoderamento das Mulheres (WEPs) da ONU Mulheres.
Muito além do treinamento técnico, a inclusão feminina forçou uma evolução nos padrões de segurança ocupacional. A presença das mulheres nas equipes de campo fomentou investimentos na adequação de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs). Entre as mudanças, destacam-se a oferta de luvas e botas em tamanhos menores e o desenvolvimento de vestimentas específicas, como sutiãs sem componentes metálicos, uma exigência técnica fundamental para minimizar riscos de arco elétrico e garantir a integridade física em operações de alta complexidade.
Trajetórias de transição e liderança técnica
As salas de aula da Escola de Eletricistas têm sido o ponto de partida para reinvenções profissionais profundas. Em Mossoró (RN), a eletricista Ana Raiza Casusa, de 32 anos, é um exemplo dessa transição, tendo deixado dez anos de magistério para atuar na linha de frente da Neoenergia Cosern.
Ao rememorar sua mudança de carreira, a profissional destaca a importância da rede de apoio técnica: “Através de amigos que atuavam no setor elétrico, fiquei sabendo da Escola de Eletricistas e me inscrevi. Me interessei em buscar novas oportunidades. E deu certo. Finalizei o curso em 2019 e, em 2020, entrei na Neoenergia Cosern. Realizei muitos sonhos, iniciei a faculdade de Engenharia Elétrica.”
O programa também tem quebrado barreiras em cargos de inspeção e gestão, áreas tradicionalmente dominadas pelo público masculino. Em Pernambuco, Joyce Marques consolidou-se como a única inspetora mulher do estado. No campo da liderança operacional, a gerente da Neoenergia Elektro, Ana Faria, comanda uma estrutura composta por 246 colaboradores, dos quais 87% são homens, provando que a qualificação técnica é o único requisito para a ascensão na hierarquia do setor.
Desenvolvimento regional e impacto econômico
Ao oferecer formação gratuita nas regiões onde opera, a Neoenergia atua como indutora do desenvolvimento econômico local. Em 2025, o programa formou 18 turmas mistas, mantendo uma composição de 33% de mulheres no total de alunos, o que demonstra uma mudança cultural gradual, mas sólida, na percepção da profissão de eletricista pela sociedade.
A diversidade de perfis é vasta. Em Brasília, a ex-atleta profissional Marina Saraiva de Azevedo encontrou na manutenção de redes uma nova vocação após encerrar a carreira esportiva devido a uma lesão. Hoje, ela integra a equipe de Taguatinga da Neoenergia Brasília. Histórias como a de Marina reforçam que a Escola de Eletricistas é, acima de tudo, um mecanismo de mobilidade social e eficiência para o setor energético brasileiro.



