Modelo cooperativo baseado em créditos de energia impulsiona crescimento de 40% em 2025 e amplia presença da geração distribuída em oito estados
A expansão da geração distribuída no Brasil continua redefinindo o mercado elétrico, abrindo espaço para novos modelos de negócios voltados ao consumidor final. Entre eles, o modelo cooperativo ganha escala relevante com o avanço da COGECOM, que acaba de alcançar 432 MW em contratos de energia, consolidando-se como a maior marca de geração distribuída do país.
Fundada em 2017 como a primeira cooperativa de energia do Brasil, a organização atua com base no compartilhamento de créditos de energia provenientes de usinas parceiras, permitindo que consumidores associados reduzam suas contas de eletricidade. Atualmente, a cooperativa administra um consumo de aproximadamente 70 GWh por mês e mantém presença em oito estados brasileiros.
O avanço da cooperativa ocorre em um momento de consolidação do mercado de geração distribuída, que vem registrando crescimento acelerado impulsionado pela expansão da energia solar e pela busca por soluções de redução de custos energéticos por parte de consumidores residenciais e empresariais.
Modelo cooperativo ganha escala no mercado de energia
O crescimento da COGECOM reflete o amadurecimento do modelo de geração compartilhada, no qual consumidores se organizam em cooperativas ou consórcios para acessar energia produzida em usinas remotas, principalmente solares.
Nesse modelo, a energia gerada pelas usinas parceiras é convertida em créditos energéticos, posteriormente compensados nas faturas de energia dos cooperados, conforme previsto no marco regulatório da geração distribuída.
À frente da estratégia comercial da cooperativa, Jean Rafael Fontes atribui o avanço da organização à consistência do modelo de atuação e à adesão crescente de consumidores interessados em reduzir custos energéticos.
“A COGECOM opera no mercado a partir do excedente de energia produzido pelas suas usinas parceiras e compartilha esses créditos de produção com os cooperados. Um modelo puramente cooperado que vem gerando uma economia em suas faturas e isso tem alcançado resultados muito positivos”.
O executivo destaca que a cooperativa mantém seis anos consecutivos de crescimento, reforçando a consolidação do modelo dentro do ecossistema da geração distribuída brasileira.
Crescimento de 40% em 2025 impulsiona liderança no setor
O desempenho da cooperativa em 2025 reforçou sua posição de destaque no segmento. Ao longo do último ano, a COGECOM registrou crescimento de 40% em sua base de contratos, consolidando a expansão de sua carteira de consumidores e projetos associados.
O movimento acompanha o avanço da geração distribuída no país, que vem ampliando sua participação na matriz elétrica nacional com base em projetos de pequeno e médio porte conectados diretamente às redes de distribuição. Mesmo diante da posição de liderança alcançada, a estratégia da cooperativa permanece focada na expansão da base de cooperados e no aprimoramento dos serviços oferecidos.
“Eu vejo que o ano passado foi um ano de consolidação para a COGECOM, mas nosso objetivo agora é reforçar essa liderança, não apenas em termos de tamanho, mas também em qualidade e excelência no atendimento”, afirmou o executivo.
Para 2026, a expectativa da cooperativa é manter o ritmo de crescimento, com projeção de expansão próxima de 20% já no primeiro semestre do ano.
Desafios regulatórios e operacionais ainda limitam expansão da GD
Apesar da evolução do mercado, executivos do setor apontam que o avanço da geração distribuída ainda enfrenta desafios estruturais relacionados à infraestrutura e aos processos das distribuidoras de energia.
A integração de novos projetos às redes elétricas exige modernização tecnológica e aprimoramento dos sistemas de gestão das concessionárias, especialmente diante do crescimento acelerado da geração descentralizada.
“a geração distribuída ainda carece do desenvolvimento das concessionárias para que possamos alcançar uma escalabilidade mais saudável. Dependemos bastante das concessionárias para operar de maneira eficiente. À medida que crescemos, percebemos que o crescimento das concessionárias não acompanha o nosso, seja em termos tecnológicos, de processos ou de informatização. Isso acaba gerando dificuldades no dia a dia”, destaca Jean Rafael.
Segundo o executivo, algumas distribuidoras já apresentam avanços relevantes na adaptação aos novos modelos de geração descentralizada. Ele cita como exemplos as concessionárias COPEL, no Paraná, e CELESC, em Santa Catarina, que vêm aprimorando processos e sistemas para lidar com a crescente integração de projetos de geração distribuída às suas redes.
Geração distribuída ganha protagonismo na transição energética
A trajetória da COGECOM reflete um movimento mais amplo de transformação do setor elétrico brasileiro. A expansão da geração distribuída tem ampliado a participação dos consumidores no mercado de energia, ao mesmo tempo em que estimula a descentralização da geração elétrica.
Esse modelo também se conecta diretamente às agendas de transição energética, eficiência energética e democratização do acesso à energia renovável, temas que ganham cada vez mais relevância no planejamento energético do país.
Com o avanço das cooperativas e das usinas compartilhadas, o mercado brasileiro caminha para um ambiente mais diversificado, no qual consumidores passam a atuar também como participantes ativos na produção e gestão da energia.
Nesse cenário, iniciativas cooperativas tendem a desempenhar papel crescente na expansão da geração distribuída, especialmente em regiões onde a adoção de sistemas individuais ainda enfrenta barreiras técnicas ou financeiras.



