CMSE: Reservatórios atingem 59% e garantem segurança energética, mas Sul exige atenção

Com melhora das afluências e avanço da expansão do sistema elétrico, governo destaca cenário mais favorável para o atendimento da demanda, embora mantenha atenção sobre a hidrologia do Sul

O sistema elétrico brasileiro iniciou 2026 com sinais mais favoráveis nas condições hidrológicas e nos níveis de armazenamento dos reservatórios. Durante a 316ª reunião do Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico, realizada pelo MME, autoridades do setor destacaram a melhora nas condições do Sistema Interligado Nacional, impulsionada por volumes expressivos de chuvas registrados em fevereiro em importantes bacias hidrográficas do país.

O encontro também apresentou um balanço das ações do comitê ao longo de 2025 e reforçou o papel do CMSE como principal instância de coordenação interinstitucional da segurança energética brasileira. O cenário atual indica condições adequadas para o atendimento da demanda elétrica em 2026, ainda que o acompanhamento das variáveis hidrológicas permaneça essencial, sobretudo no subsistema Sul.

Chuvas fortalecem condições hidrológicas em regiões estratégicas

Segundo informações do Operador Nacional do Sistema Elétrico, o mês de fevereiro registrou precipitações acima da média em diversas regiões do país, com destaque para as bacias dos rios Grande, Paranaíba e São Francisco.

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Esse comportamento climático foi influenciado pela atuação de sistemas típicos do verão brasileiro, incluindo a Zona de Convergência do Atlântico Sul, responsável por intensificar episódios de chuva em áreas extensas do território nacional.

Apesar do cenário positivo, os técnicos do operador ressaltaram que o subsistema Sul continua apresentando condições hidrológicas mais restritivas. Por essa razão, o comitê recomendou que a operação do sistema priorize a preservação dos reservatórios na região, incluindo a minimização da geração hidráulica sempre que possível e a redução de restrições de defluência mínima junto aos agentes.

Energia armazenada reforça capacidade de atendimento do SIN

Os níveis de armazenamento dos reservatórios também apresentaram melhora relevante ao final de fevereiro. De acordo com os dados apresentados na reunião, os reservatórios do Sudeste/Centro-Oeste encerraram o mês com cerca de 57% de armazenamento. No Sul, o índice ficou em 40%, enquanto o Nordeste atingiu 72% e o Norte registrou 68%.

No agregado nacional, o nível de armazenamento do SIN alcançou aproximadamente 59%, patamar considerado confortável para o período.

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As projeções hidroenergéticas para março indicam cenários distintos entre as regiões do país. No Sudeste/Centro-Oeste, principal subsistema de geração hidrelétrica, a Energia Natural Afluente (ENA) deve variar entre 65% e 80% da média de longo termo (MLT). No Nordeste, os índices podem alcançar até 105% da MLT no cenário superior, sinalizando condições hidrológicas mais robustas.

Já no Sul, a previsão indica maior volatilidade, com ENA podendo variar entre 41% e 91% da média histórica, refletindo a instabilidade climática que tem marcado a região.

Estratégia operacional prevê uso complementar de térmicas

Durante a reunião, o ONS apresentou também os cenários de atendimento de potência para o sistema elétrico em situações de maior demanda ou condições climáticas adversas.

Nesses cenários, o planejamento operacional prevê o uso complementar de usinas termelétricas, aliado à gestão otimizada das hidrelétricas da bacia do São Francisco e ao uso estratégico do reservatório da Usina Hidrelétrica de Itaipu, uma das maiores do mundo em capacidade instalada.

Essa estratégia busca garantir flexibilidade operativa e segurança no suprimento elétrico, sobretudo em períodos de pico de consumo ou eventuais variações hidrológicas.

Novo painel amplia transparência no monitoramento do sistema

Outro destaque da reunião foi a apresentação de um novo painel de acompanhamento das condições de armazenamento do sistema elétrico. A ferramenta utiliza como base a Curva de Referência de Armazenamento (CRef), indicador técnico desenvolvido no âmbito do CMSE.

A iniciativa amplia a transparência das informações e permite um monitoramento mais preciso das condições de segurança energética, fortalecendo a capacidade preventiva de gestão do sistema elétrico brasileiro.

A Secretaria Nacional de Energia Elétrica também apresentou um balanço das ações conduzidas ao longo de 2025, reforçando o papel do CMSE na articulação entre órgãos governamentais, operadores do sistema e agentes do setor elétrico.

Expansão do sistema adiciona quase 750 MW de capacidade

No campo da expansão da infraestrutura elétrica, o sistema brasileiro incorporou 743 MW de capacidade instalada de geração centralizada apenas em fevereiro de 2026.

Entre os empreendimentos que entraram em operação estão 581 MW do Complexo Solar Assu Sol, no Rio Grande do Norte, além de 96 MW das usinas fotovoltaicas Draco Solar 2 e 3, em Minas Gerais, e 58,5 MW do parque eólico Ventos de São Rafael 10, também no estado potiguar.

Na área de transmissão, destacou-se a entrada em operação comercial da linha de transmissão 500 kV Medeiros Neto II – João Neiva 2, com 283 quilômetros de extensão, conectando os estados da Bahia e do Espírito Santo.

Mercado de curto prazo movimenta R$ 3 bilhões

A reunião também trouxe atualizações sobre o desempenho do mercado de energia. A Câmara de Comercialização de Energia Elétrica informou que a liquidação financeira do Mercado de Curto Prazo referente a janeiro de 2026 totalizou R$ 3,02 bilhões.

Desse montante, aproximadamente R$ 2,7 bilhões foram efetivamente liquidados, representando 89,25% do total. Parte dos recursos, equivalente a R$ 499 milhões, foi destinada à Conta de Energia de Reserva (CONER), mecanismo utilizado para garantir a contratação de energia adicional ao sistema.

Setor elétrico reforça segurança para evento internacional

O encontro também abordou medidas de segurança relacionadas à realização da COP15 da Convenção sobre Espécies Migratórias, que ocorrerá entre os dias 23 e 29 de março em Campo Grande (MS).

Sob coordenação do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República, foi ativado o Núcleo de Segurança das Infraestruturas Críticas para garantir que o sistema elétrico mantenha elevados padrões de confiabilidade durante o evento.

O CMSE determinou que os agentes concessionários locais adotem providências adicionais para assegurar a estabilidade do suprimento elétrico ao longo do período.

Monitoramento permanente da segurança energética

Ao final da reunião, o comitê reforçou que continuará monitorando permanentemente as condições de abastecimento e a evolução das variáveis hidrológicas ao longo de 2026.

A estratégia busca assegurar que o sistema elétrico brasileiro mantenha níveis adequados de confiabilidade, equilíbrio entre oferta e demanda e capacidade de resposta a cenários adversos.

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