Rompimento de cabo de transmissão em Jacarepaguá deixa 160 mil clientes sem energia no Rio

Falha em torre da Eletrobras Furnas desligou três subestações e mobilizou operação emergencial da Light; Estrada do Catonho permanece interditada

Uma falha estrutural em um ativo estratégico do sistema de transmissão provocou uma interrupção de grande porte no fornecimento de energia elétrica nas zonas Sul e Oeste do Rio de Janeiro na noite de domingo (1º). O rompimento de um cabo de alta tensão em uma torre da Axia Energia, localizada na Estrada do Catonho, impactou aproximadamente 160 mil unidades consumidoras.

O desligamento atingiu bairros como São Conrado, Rocinha, Itanhangá, Barra da Tijuca e Jacarepaguá, evidenciando a criticidade do tronco de suprimento para a malha de distribuição da região metropolitana. Em áreas como a Freguesia, moradores relataram interrupções superiores a três horas, enquanto equipes técnicas atuavam na recomposição da rede.

Falha em linha de transmissão e desligamento em cascata

O incidente teve origem no sistema de transmissão em alta tensão, cuja função é transportar grandes blocos de energia desde os centros de geração até os pontos de conexão com as distribuidoras. O rompimento do cabo comprometeu o suprimento às subestações alimentadas por esse eixo estrutural, forçando desligamentos automáticos e manobras de proteção.

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De acordo com informações da Subprefeitura de Jacarepaguá, as subestações Barra da Tijuca, São Conrado e Porta D’Água foram desarmadas pela Light como medida de segurança, diante da perda de suprimento proveniente da linha de transmissão afetada.

O seccionamento foi necessário para evitar danos adicionais a equipamentos e preservar a integridade das instalações, seguindo protocolos operacionais típicos em eventos de contingência no sistema elétrico.

Operação de recomposição e restrições operacionais

A concessionária iniciou ainda na noite de domingo as manobras de recomposição do sistema de forma gradual. A complexidade técnica do reparo, que envolve estruturas de transmissão em alta tensão, exige procedimentos rigorosos antes da reenergização plena das subestações.

Por volta das 20h, o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, atualizou o cenário operacional: “Dos 160 mil clientes afetados, cerca 36 mil já tinham sido restabelecidos e que todos os bairros afetados estavam com energia parcial, sem previsão de normalização.”

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A declaração indica que a recomposição ocorreu por etapas, com transferência de carga e realimentação parcial de circuitos, prática comum em eventos de grande impacto para reduzir o tempo médio de interrupção (DEC) e mitigar prejuízos a consumidores residenciais, comerciais e serviços essenciais.

Interdição da Estrada do Catonho e segurança operacional

Com a queda do cabo de alta tensão, a Estrada do Catonho precisou ser totalmente interditada nos dois sentidos para garantir a segurança das equipes técnicas e da população. A restrição inviabilizou a circulação de veículos na área e exigiu coordenação entre concessionária e poder público municipal.

Em ocorrências envolvendo linhas de transmissão, o isolamento da área é etapa obrigatória para eliminar risco de energização residual, curto-circuito ou acidentes durante a reconstrução da estrutura afetada.

As causas do rompimento ainda estão sendo apuradas pela transmissora e pela distribuidora, em procedimento que deve avaliar fatores estruturais, condições climáticas, integridade mecânica e histórico de manutenção do ativo.

Resiliência do sistema e debate sobre infraestrutura urbana

O episódio reacende discussões técnicas sobre a resiliência das linhas de transmissão que atravessam áreas urbanas densamente povoadas. A interrupção simultânea de três subestações demonstra a sensibilidade da rede de distribuição diante de falhas em eixos principais de suprimento.

Embora o Sistema Interligado Nacional (SIN) possua redundâncias e critérios de segurança estabelecidos pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), eventos localizados podem produzir impactos significativos quando envolvem ativos estratégicos de conexão entre transmissão e distribuição.

Além de afetar residências, o apagão comprometeu atividades comerciais, mobilidade urbana e serviços públicos em regiões economicamente relevantes da capital fluminense.

Do ponto de vista regulatório, ocorrências dessa natureza tendem a ser analisadas sob a ótica de indicadores de continuidade do fornecimento e planos de contingência das concessionárias, reforçando a importância de investimentos contínuos em modernização, monitoramento e manutenção preventiva da infraestrutura elétrica.

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