Casa dos Ventos e Dow ampliam autoprodução de energia renovável com 50 MW médios do Complexo Seriemas

Novos acordos envolvem fonte solar no Mato Grosso do Sul e reforço em projeto eólico no Rio Grande do Norte, fortalecendo estratégia de descarbonização e segurança energética da indústria química

A estratégia de autoprodução de energia renovável ganha novo capítulo no mercado brasileiro. A Casa dos Ventos e a Dow anunciaram a assinatura de dois contratos de longo prazo no modelo de autoprodução por equiparação, envolvendo 50 MW médios (MWm) a partir do Complexo Fotovoltaico Seriemas, no Mato Grosso do Sul, além da ampliação da participação no Complexo Eólico Rio do Vento Expansão, no Rio Grande do Norte.

Os acordos reforçam a tendência de grandes consumidores industriais buscarem diversificação de fontes renováveis, previsibilidade de custos e redução estrutural de emissões de CO₂, em linha com metas globais de descarbonização e competitividade no setor químico.

Complexo Seriemas: 400 MW e início de operação em setembro

O novo Complexo Fotovoltaico Seriemas (MS) terá capacidade instalada aproximada de 400 MW e início de operação previsto para setembro deste ano. Por meio da aquisição de participação societária no empreendimento, a Dow passará a contar com suprimento de energia solar em seu portfólio, complementando o fornecimento eólico já contratado com a Casa dos Ventos.

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A estrutura contratual permite à companhia química ampliar a diversificação de sua matriz elétrica no Brasil, combinando fontes eólica e solar. Essa configuração tende a elevar a flexibilidade operacional, reduzir riscos de sazonalidade e fortalecer o planejamento energético de longo prazo.

Além do projeto solar, um novo acordo formalizou o aumento da participação da Dow no Complexo Eólico Rio do Vento Expansão (RN), consolidando a parceria estratégica entre as empresas.

Autoprodução por equiparação e previsibilidade de custos

O modelo de autoprodução por equiparação adotado na operação permite que a Dow se torne sócia direta dos empreendimentos de geração, utilizando a energia produzida para abastecer suas unidades consumidoras no Brasil.

Do ponto de vista regulatório e econômico, a estrutura oferece vantagens relevantes: maior previsibilidade de custos no Ambiente de Contratação Livre (ACL), mitigação de exposição ao Preço de Liquidação das Diferenças (PLD) e alinhamento de longo prazo entre geração e consumo.

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Para a indústria eletrointensiva, especialmente no setor químico, a estratégia de autoprodução de energia renovável se consolida como instrumento-chave para controle de custos, segurança energética e cumprimento de metas ESG.

Parceria estratégica e foco em descarbonização

A operação consolida o modelo de negócio da desenvolvedora focado em atender às necessidades específicas da indústria eletrointensiva por meio da complementaridade de fontes. O diretor-executivo da Casa dos Ventos, Lucas Araripe, ressalta a importância da hibridização para a firmeza do suprimento.

“Os acordos que estamos celebrando agora reforçam uma parceria sólida que temos com a Dow, construída a partir de uma visão comum de sustentabilidade, eficiência energética e planejamento de longo prazo. A combinação de projetos solares e eólicos amplia a robustez do suprimento e evidencia a capacidade da Casa dos Ventos de estruturar soluções customizadas para grandes consumidores de energia”, afirma.

A ampliação do portfólio renovável reflete o compromisso da multinacional com a resiliência energética e a neutralidade de carbono em suas operações de alta intensidade. Claudia Schaeffer, diretora global de Energia e Mudanças Climáticas da Dow, enfatiza o valor estratégico do acordo para a resiliência das unidades brasileiras

“A ampliação de negócios com a Casa dos Ventos é um passo importante em nossa jornada de descarbonização. Uma parceria sólida que traz a diversificação de nosso portfólio de energia e garante o fornecimento de energia competitiva, confiável e sustentável para nossas operações no Brasil”, destacou.

A combinação entre energia solar e energia eólica amplia o fator de capacidade agregado do portfólio e reduz a volatilidade associada a uma única fonte, contribuindo para a redução significativa das emissões indiretas (escopo 2) relacionadas ao consumo de eletricidade.

Tendência no mercado livre de energia

O movimento reforça a consolidação da autoprodução como instrumento estratégico no mercado livre de energia brasileiro. Em um ambiente de transição energética acelerada, expansão da geração renovável e crescente pressão por descarbonização industrial, contratos estruturados de longo prazo com ativos dedicados se tornam cada vez mais comuns entre grandes consumidores.

Para a Casa dos Ventos, a operação evidencia a capacidade de desenvolver projetos renováveis de grande porte e estruturar soluções sob medida para clientes corporativos. Para a Dow, o acordo fortalece a competitividade de suas operações no Brasil, reduzindo exposição a riscos tarifários e elevando o percentual de energia renovável consumida.

Com 50 MW médios adicionais atrelados ao Complexo Seriemas e reforço na fonte eólica no Rio Grande do Norte, a parceria sinaliza a maturidade do mercado de autoprodução de energia renovável no Brasil e sua relevância crescente na agenda de descarbonização da indústria.

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