Consumo de energia elétrica cresce 4,1% em janeiro e registra terceira alta consecutiva no Brasil

Residências lideram expansão da carga, mercado livre atinge 43,2% do consumo nacional e Sul apresenta maior avanço regional

O consumo nacional de energia elétrica somou 49.104 GWh em janeiro de 2026, alta de 4,1% na comparação com o mesmo mês de 2025, marcando a terceira elevação consecutiva da carga no país. Os dados constam na mais recente edição da Resenha Mensal, que aponta retomada consistente da demanda, puxada principalmente pelas classes residencial e comercial.

O desempenho reforça a dinâmica de crescimento do consumo de energia elétrica no Brasil em um cenário de recuperação econômica gradual, temperaturas elevadas e ampliação do mercado livre de energia. No acumulado dos últimos 12 meses, o consumo nacional atingiu 564.740 GWh, avanço de 0,5% frente ao período imediatamente anterior.

Residencial lidera crescimento da carga

A classe residencial foi o principal vetor de expansão em janeiro, com crescimento de 8,6% no consumo de eletricidade em relação a janeiro de 2025. O movimento reflete fatores como maior uso de equipamentos de climatização, expansão do número de unidades consumidoras e mudanças no padrão de consumo.

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O segmento comercial também apresentou avanço relevante, com alta de 6,4%, indicando aquecimento das atividades de serviços e varejo. A classe “outros” cresceu 3,6% no período. Em sentido oposto, a indústria registrou retração de 1,3%, sinalizando possível desaceleração em segmentos eletrointensivos ou ajustes na produção industrial no início do ano.

Sul lidera expansão regional

Regionalmente, o Sul apresentou o maior crescimento percentual do consumo de energia elétrica, com alta de 7,7% em janeiro. O desempenho foi acompanhado por aumentos no Centro-Oeste (+5,4%), Norte (+4,6%), Sudeste (+3,0%) e Nordeste (+2,6%).

A expansão regional heterogênea evidencia a influência de fatores climáticos e econômicos específicos em cada subsistema, além de diferenças estruturais na composição da carga entre indústria, comércio e residências.

O crescimento no Sul também dialoga com a retomada de segmentos industriais e agroindustriais da região, ainda que o dado agregado industrial nacional tenha apresentado leve retração.

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Mercado livre alcança 43,2% do consumo

O ambiente de contratação livre (ACL) respondeu por 21.204 GWh em janeiro de 2026, o equivalente a 43,2% do consumo nacional de energia elétrica. O volume representa alta de 4,0% frente a janeiro de 2025.

O número de consumidores no mercado livre cresceu expressivos 33,5% no período, refletindo o processo de abertura promovido pela Ministério de Minas e Energia por meio da Portaria nº 50/2022, que permitiu, a partir de janeiro de 2024, a migração de todos os consumidores do grupo A (alta tensão) para o ACL.

Desde a ampliação da elegibilidade, migraram para o mercado livre 26 mil consumidores em 2024 e outros 19 mil em 2025, consolidando uma transformação estrutural no modelo de comercialização de energia elétrica no país.

A região Norte liderou a expansão do consumo no ACL, com alta de 6,6%, e registrou o maior crescimento no número de consumidores livres, com avanço de 45,2%.

Mercado regulado mantém maioria da carga

O mercado regulado, atendido pelas distribuidoras, respondeu por 27.900 GWh em janeiro, equivalente a 56,8% do consumo nacional. O segmento apresentou aumento de 4,2% no consumo e de 1,9% no número de consumidores.

No ambiente regulado, o Sul também liderou a expansão do consumo, com crescimento de 9,4%, enquanto o Norte registrou o maior aumento no número de consumidores cativos, com alta de 4,0%.

A combinação entre avanço do ACL e crescimento do mercado regulado indica expansão global da carga, mas também aceleração do processo de migração estrutural para o mercado livre de energia.

Tendência estrutural e implicações para o setor

A terceira alta consecutiva do consumo de energia elétrica reforça sinais de dinamismo da demanda no início de 2026. O crescimento residencial e comercial sustenta a expansão da carga, enquanto o mercado livre amplia sua participação no mix de contratação.

O avanço do ACL, especialmente após a abertura para consumidores de alta tensão, altera o perfil de receita das distribuidoras e intensifica a competitividade entre comercializadoras, geradores e autoprodutores.

Com 43,2% da carga já no ambiente livre, o setor elétrico brasileiro consolida uma transição relevante no modelo de comercialização, em paralelo ao desafio de manter equilíbrio tarifário e sustentabilidade econômico-financeira das distribuidoras.

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