Com aquisições hidrelétricas, expansão eólica e solar e avanço em linhas de transmissão, companhia encerra 2025 com 12,4 GW de capacidade instalada e reforça presença no mercado livre de energia
A ENGIE Brasil Energia encerrou 2025 consolidando um novo patamar operacional e financeiro no setor elétrico brasileiro. A companhia registrou receita operacional líquida de R$ 12,9 bilhões, avanço de 14,6% em relação a 2024, sustentado pelo desempenho do portfólio de geração renovável, pela entrada de novos ativos e pela ampliação da infraestrutura de transmissão. O movimento reforça a estratégia da empresa de combinar crescimento orgânico, aquisições seletivas e disciplina financeira em um cenário de transição energética e expansão do mercado livre de energia.
O Ebitda ajustado somou R$ 7,6 bilhões no acumulado do ano, alta de 3,7% na comparação anual. Já o lucro líquido ajustado atingiu R$ 2,8 bilhões, com retração de 15,6%, impactado principalmente pelo resultado financeiro líquido mais negativo e pelo aumento de depreciação e amortização, parcialmente compensados pela evolução operacional e pela redução de tributos sobre o lucro.
A companhia também anunciou a aprovação, pelo Conselho de Administração, da proposta de distribuição de dividendos obrigatórios e complementares no montante de R$ 557,8 milhões, equivalente a R$ 0,49 por ação, reforçando o compromisso com a remuneração ao acionista mesmo em um ciclo intensivo de investimentos.
Expansão do parque gerador e consolidação em renováveis
O ciclo de investimentos totalizou R$ 6 bilhões em 2025, direcionados à aquisição de ativos hidrelétricos, modernização e revitalização do parque gerador, além da implantação de novos projetos de geração e transmissão. A estratégia reforça o posicionamento da ENGIE Brasil Energia como uma das maiores geradoras privadas do país, com foco predominante em fontes renováveis.
Entre os principais marcos está a entrada em operação comercial integral do Conjunto Eólico Serra do Assuruá, na Bahia. O complexo, formado por 188 aerogeradores distribuídos em 24 parques eólicos, soma 846 MW de capacidade instalada e se tornou o maior empreendimento eólico onshore da ENGIE no mundo. O projeto amplia de forma relevante a participação da fonte eólica no portfólio da companhia e fortalece sua exposição a contratos no ambiente livre.
No segmento solar, a empresa concluiu as obras do Conjunto Fotovoltaico Assú Sol, no Rio Grande do Norte, com 895 MWp (753 MWac) de capacidade instalada. O ativo conta com 229,6 MW médios de capacidade comercial totalmente direcionada ao Mercado Livre de Energia, reforçando a estratégia de diversificação de receitas e atendimento a consumidores corporativos em busca de energia renovável e previsibilidade de custos.
A expansão inorgânica também teve papel central na estratégia de crescimento. A aquisição das usinas hidrelétricas Santo Antônio do Jari (AP) e Cachoeira Caldeirão (PA) acrescentou 612 MW à capacidade instalada da companhia, elevando o parque gerador total para 12,4 GW. A transação, estimada em aproximadamente R$ 2,9 bilhões, amplia a presença da empresa na região Norte e contribui para o equilíbrio hidrológico e geográfico do portfólio.
Transmissão ganha peso e previsibilidade de receitas
No segmento de transmissão de energia, a ENGIE Brasil Energia encerrou o ano operando 3,2 mil quilômetros de linhas. Em 2025, foram entregues 334 km do projeto Asa Branca Transmissora de Energia (BA) e incorporados 162 km da Graúna Transmissora de Energia, que atravessa Minas Gerais e Espírito Santo.
A expansão da malha de transmissão agrega previsibilidade e estabilidade às receitas, característica intrínseca aos contratos regulados do segmento. Essa combinação entre geração renovável e ativos de transmissão fortalece o perfil de risco da companhia e contribui para maior resiliência financeira em diferentes ciclos de preço e hidrologia.
A disciplina na alocação de capital foi ressaltada por Pierre Leblanc, diretor financeiro e de relações com investidores da ENGIE Brasil Energia. “Em 2025, mantivemos uma gestão financeira rigorosa e orientada à criação de valor, direcionando aportes para a expansão sustentável dos negócios no país. Os investimentos refletem uma estratégia consistente de alocação de capital, com foco na aquisição de ativos de qualidade, na implantação de novos projetos e na modernização e revitalização do parque gerador”, comenta.
Além disso, a companhia avançou nas discussões sobre a potencial transferência da participação de 40% detida pela ENGIE Brasil Participações na Jirau Energia para a ENGIE Brasil Energia, com a instalação de um Comitê Especial Independente de Transações com Partes Relacionadas, responsável por assessorar as análises do processo.
Mercado livre impulsiona comercialização
No braço de comercialização de energia, a ENGIE Brasil Energia registrou volume vendido de 4.559 MW médios em 2025, 11% superior ao negociado em 2024. O desempenho foi acompanhado por um crescimento de aproximadamente 24% na base de clientes e de 34% no número de unidades consumidoras.
O avanço está diretamente associado à expansão do mercado livre de energia, que vem atraindo consumidores de médio porte e ampliando a demanda por contratos de longo prazo lastreados em fontes renováveis. O posicionamento estratégico da empresa, com portfólio diversificado e capacidade de estruturar soluções customizadas, favorece a captura de novas oportunidades comerciais.
Eduardo Sattamini, CEO da ENGIE Brasil, destaca que a companhia seguirá combinando crescimento operacional com responsabilidade socioambiental. “Avançamos de forma consistente na expansão de geração e transmissão, ampliando nossa capacidade instalada e reforçando a previsibilidade dos resultados. Nosso compromisso é crescer de forma sustentável, diversificar o portfólio, viabilizar a transição energética e contribuir para a segurança energética do País, sempre com inovação e responsabilidade socioambiental”, afirma.
Estratégia alinhada à transição energética
O desempenho de 2025 posiciona a ENGIE Brasil Energia como um dos principais vetores privados da transição energética no Brasil. A combinação de expansão em geração eólica, solar e hidrelétrica, reforço em transmissão e crescimento no mercado livre de energia cria uma plataforma robusta para captura de valor em um setor cada vez mais competitivo e regulatoriamente complexo.
Com 12,4 GW de capacidade instalada, forte presença em fontes renováveis e carteira ampliada de clientes livres, a companhia reforça sua estratégia de longo prazo: crescimento sustentável, previsibilidade de caixa e protagonismo na transformação da matriz elétrica brasileira.



