Projeto solar no Mato Grosso do Sul reforça estratégia de eficiência energética, previsibilidade operacional e competitividade da indústria química
A Unipar anunciou a assinatura de um Contrato de Compra de Energia Elétrica (PPA) para aquisição de 33 MW médios junto à Ventos de São Norberto Energias Renováveis, empresa do grupo da Casa dos Ventos. O acordo, com prazo de 15 anos e início de suprimento estimado para 2028, integra uma estratégia mais ampla de fortalecimento da autoprodução de energia renovável e consolida a quarta joint venture da companhia no segmento.
O projeto solar será desenvolvido no Mato Grosso do Sul e se insere no movimento crescente de grandes consumidores industriais que buscam previsibilidade energética, mitigação de riscos de mercado e alinhamento às metas de descarbonização.
Estrutura societária e estratégia de longo prazo
A celebração do contrato ocorre no contexto da criação de uma joint venture entre Unipar e Casa dos Ventos. Após o cumprimento das condições precedentes, a Unipar terá direito a uma participação societária correspondente a 9,8% do capital econômico da companhia responsável pelo empreendimento.
O modelo de autoprodução por equiparação, amplamente utilizado por indústrias eletrointensivas, permite que o consumidor tenha acesso à energia a custos mais competitivos, com menor exposição à volatilidade do mercado de curto prazo e maior previsibilidade sobre encargos e custos setoriais.
No setor químico, onde energia elétrica representa parcela relevante da estrutura de custos, a estratégia energética tornou-se componente central da competitividade industrial. Rodrigo Cannaval, CEO da Unipar, destaca a relevância do movimento para o posicionamento da companhia.
“Energia é um insumo essencial para a indústria química e um fator determinante para competitividade. Com a nossa quarta joint venture em geração renovável, combinamos disciplina na alocação de capital e a eficiência das nossas operações”, afirma Rodrigo Cannaval, CEO da Unipar. “A iniciativa contribui para a diversificação da matriz energética da companhia e para a redução da exposição à volatilidade do mercado.”
Em complemento, o executivo reforça o papel da autoprodução na gestão de riscos corporativos. “Em um cenário desafiador para o setor, previsibilidade energética é um diferencial relevante. A autoprodução nos permite mitigar riscos de mercado, otimizar custos e reforçar a resiliência operacional e financeira da companhia”, complementa Cannaval.
Casa dos Ventos avança na oferta de soluções estruturadas
Para a Casa dos Ventos, a parceria reforça sua atuação como estruturadora de soluções customizadas para grandes consumidores industriais. A companhia tem ampliado sua presença no mercado de geração renovável com foco em contratos de longo prazo e modelos societários que combinam eficiência econômica e segurança energética.
“Este acordo com a Unipar reforça nossa capacidade de estruturar soluções customizadas de autoprodução para grandes consumidores industriais, combinando eficiência econômica, segurança energética e sustentabilidade. Estamos apoiando a indústria brasileira em sua jornada de transição energética e descarbonização com projetos sólidos e de longo prazo”, afirma Lucas Araripe, diretor-executivo da Casa dos Ventos.
A estrutura de joint venture permite alinhar interesses entre gerador e consumidor, viabilizando projetos com horizonte de longo prazo e maior estabilidade contratual, fator determinante em um ambiente de mudanças regulatórias e volatilidade de preços no mercado livre de energia.
192 MW médios e matriz 100% renovável no Brasil
Com o novo projeto, a Unipar passará a destinar aproximadamente 192 MW médios às suas fábricas no Brasil. As unidades industriais da companhia já operam com 100% de energia elétrica renovável, seja por meio de autoprodução ou de contratos bilaterais de longo prazo.
A empresa mantém ainda três outras joint ventures nos complexos Tucano (BA), Cajuína (RN) e Lar do Sol (MG), que abastecem suas unidades de Camaçari (BA) e Cubatão (SP). A ampliação do portfólio reforça a estratégia de diversificação geográfica e tecnológica, reduzindo riscos associados a eventuais variações hidrológicas ou de geração intermitente.
No contexto da transição energética e da crescente pressão por redução de emissões na cadeia produtiva, iniciativas de autoprodução renovável ganham protagonismo entre indústrias exportadoras e empresas com compromissos ESG robustos.
A nova parceria entre Unipar e Casa dos Ventos sinaliza que a energia deixou de ser apenas custo operacional para se consolidar como ativo estratégico, determinante para competitividade, previsibilidade financeira e posicionamento sustentável no mercado global.



