Solar Térmica: Cervejarias no CE reduzem custos em até 37% com apoio do Procel

Projetos apoiados pelo Procel mostram economia de até 37% em energia, ganho operacional e forte redução no uso de combustíveis fósseis

O uso de energia solar térmica começa a ganhar escala como solução competitiva para a indústria brasileira intensiva em calor. No Ceará, duas cervejarias reduziram significativamente seus custos energéticos e o consumo de combustíveis fósseis após a adoção da tecnologia em seus processos produtivos, com resultados que reforçam o potencial da solução para o setor de bebidas e outras atividades industriais.

As experiências fazem parte de um projeto nacional conduzido pela 3e Soluções, com recursos do Procel e da ENBPar, que implantou sistemas de aquecimento solar térmico em quatro cervejarias no país. No Ceará, foram beneficiadas a Cervejaria Turatti e a Brewstone; as outras unidades estão localizadas em São Paulo e Mato Grosso do Sul.

Calor solar como resposta ao alto consumo energético da indústria

A tecnologia utiliza o calor do sol para aquecer a água empregada em etapas críticas da produção cervejeira, processo que figura entre os maiores consumidores de energia no setor. Em segmentos industriais, a geração de calor responde pela maior parcela da demanda energética, um desafio estrutural para custos operacionais e metas de descarbonização.

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Dados da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) indicam que cerca de 80% do consumo energético da indústria brasileira está associado à geração de calor. Nesse contexto, a substituição de caldeiras movidas a diesel ou gás por soluções solares térmicas apresenta impacto direto tanto na conta de energia quanto na redução de emissões.

Resultados operacionais e ambientais no primeiro ano

No primeiro ano de operação, as cervejarias atendidas pelo projeto registraram queda média de 30,5% no consumo de combustível, economia mensal superior a R$ 2 mil e redução de 8,5 toneladas de CO₂ por ano por planta. Em alguns casos, a redução dos custos totais de energia chegou a 37%.

Além do desempenho econômico, houve ganhos operacionais relevantes. A água já chega aquecida às etapas produtivas, reduzindo o tempo de preparo e aumentando a eficiência dos processos. Como consequência, a dependência de combustíveis fósseis caiu em mais de 50%, fortalecendo a segurança energética das unidades.

Eficiência no processo produtivo da cervejaria

A experiência prática dentro da linha de produção foi destacada por Marcos Guerra, mestre cervejeiro da Turatti, que acompanhou diretamente a mudança operacional trazida pela tecnologia.

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“Esse projeto veio para a cervejaria em um momento muito especial. A gente tinha bastante dificuldade com aquecimento de água, processo que levava em média 50 minutos. Hoje, é muito rápido, porque a água já entra quente no tanque. Ficou muito mais prático da gente trabalhar”, comemora Marcos Guerra.

Alívio ao sistema elétrico e aplicação em larga escala

A lógica do projeto também dialoga com a operação do sistema elétrico, ao reduzir a demanda por energia em horários críticos. Odailton Arruda, diretor de Projetos Socioambientais da 3e Soluções, explica que a proposta vai além da economia individual das indústrias.

“Isso reduz o impacto sobre o sistema elétrico e ainda melhora a qualidade do fornecimento de energia para indústrias e instituições. Na prática, qualquer indústria que utilize combustíveis ou outras fontes de energia para aquecimento de água pode adotar essa solução. O aquecimento solar térmico pode ser aplicado a diversos segmentos industriais, substituindo sistemas convencionais de aquecimento de forma simples, eficiente e com excelente viabilidade econômica”, afirma Odailton.

Nordeste como vitrine tecnológica para o setor industrial

A escolha do Ceará para a implantação de metade dos projetos-piloto não foi aleatória. A elevada incidência solar da região cria condições ideais para o uso de sistemas termossolares, transformando o Nordeste em uma vitrine tecnológica para aplicações industriais de eficiência energética.

Concluído no primeiro semestre de 2025, o projeto integra as ações do Procel voltadas à redução de emissões e à modernização energética da indústria brasileira. Os resultados reforçam o papel da energia solar térmica como alternativa madura, economicamente viável e estrategicamente alinhada aos desafios do setor elétrico e da transição energética.

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