EDP recupera mais de 106 mil MWh furtados em 2025 e reforça impacto do crime sobre tarifas e segurança do sistema

Volume de energia desviada seria suficiente para abastecer Vitória e Caçapava por um mês; distribuidora intensifica uso de tecnologia e parcerias com forças policiais

O combate ao furto de energia segue como um dos principais desafios operacionais e regulatórios das distribuidoras no Brasil. Em 2025, a EDP recuperou 106.230 MWh de energia desviada ilegalmente em suas áreas de concessão em São Paulo e no Espírito Santo, volume suficiente para abastecer, por um mês, os municípios de Vitória (ES) e Caçapava (SP), que juntos somam cerca de 419 mil habitantes, segundo dados do IBGE.

O balanço consolidado do ano revela que 61.000 MWh foram recuperados na área de concessão paulista, que abrange Guarulhos e outros 27 municípios do Alto Tietê, Vale do Paraíba e Litoral Norte. No Espírito Santo, as ações resultaram no resgate de 45.230 MWh de energia furtada, em um território que compreende 70 cidades atendidas pela distribuidora.

Mais do que uma questão econômica, o furto de energia representa um problema estrutural para o setor elétrico, com impactos diretos sobre a qualidade do fornecimento, a segurança das instalações e, sobretudo, o custo final da energia paga pelos consumidores.

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Inspeções em larga escala e atuação integrada com forças policiais

Ao longo de 2025, a EDP realizou 71.004 inspeções em unidades consumidoras e pontos da rede elétrica, sendo 38.909 no Espírito Santo e 32.095 em São Paulo. As ações abrangeram diferentes perfis de consumo e tiveram como foco principal a identificação de ligações clandestinas, fraudes em medidores e outras irregularidades que comprometem a operação do sistema.

Em paralelo, a companhia ampliou significativamente as operações conjuntas com a Polícia Civil e a Polícia Militar, com acompanhamento de perícia técnica. As fiscalizações resultaram na condução de suspeitos às delegacias, reforçando o caráter criminal da prática e a estratégia de responsabilização dos envolvidos.

A partir da perspectiva da empresa, o combate às irregularidades vai além da recuperação de volumes de energia. Trata-se de uma política permanente de proteção da infraestrutura e de mitigação de riscos à população.

“As ligações clandestinas comprometem o funcionamento de toda a rede, geram custos que acabam recaindo sobre a população e ainda representam um sério risco à segurança. Por isso, a EDP atua de forma permanente para coibir esses furtos, preservar vidas, manter a integridade do sistema elétrico e contribuir para um fornecimento de energia mais equilibrado e justo para todos”, afirma o gestor da EDP, Roberto Miranda.

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Tecnologia e inteligência artificial como ferramentas de fiscalização

Nos últimos anos, a EDP tem ampliado o uso de tecnologias digitais e inteligência artificial para tornar as ações de combate ao furto mais precisas e eficientes. Os sistemas permitem cruzar dados de consumo, identificar padrões atípicos e direcionar as equipes de campo para áreas com maior probabilidade de irregularidades.

Outro eixo estratégico é a blindagem mecânica de instalações de grandes cargas, especialmente em unidades com histórico de fraude. A medida busca dificultar intervenções físicas na rede e reduzir reincidências.

A companhia também destaca que a articulação com órgãos públicos é fundamental para a efetividade das ações, uma vez que o furto de energia, além de infração administrativa, configura crime previsto em lei.

Riscos à vida e impactos sociais do furto de energia

Além dos prejuízos financeiros, o furto de energia é classificado como uma prática de alto risco à vida. As ligações clandestinas são, em geral, realizadas sem qualquer critério técnico, o que eleva significativamente a probabilidade de choques elétricos, curtos-circuitos, sobrecargas e incêndios.

Esses riscos não se limitam aos responsáveis pelas irregularidades. Moradores, trabalhadores e pessoas que circulam no entorno das instalações também ficam expostos a acidentes graves, sobretudo em áreas densamente povoadas.

Do ponto de vista sistêmico, os impactos são ainda mais amplos. Segundo o Relatório de Perdas de Energia Elétrica na Distribuição (25/24), divulgado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), furtos, fraudes e desvios representam uma parcela relevante das perdas totais do sistema no país.

Por determinação regulatória, essas perdas compõem a estrutura tarifária das distribuidoras, o que significa que parte do custo da energia furtada é repassada à tarifa e acaba sendo compartilhada por todos os consumidores regulares.

Nesse contexto, o combate ao furto de energia deixa de ser apenas uma agenda corporativa e se consolida como um tema central para a sustentabilidade econômica do setor elétrico, a modicidade tarifária e a segurança energética no país.

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