Parceria com a Climatempo integra estratégia de adaptação climática e amplia capacidade de antecipação a eventos extremos no sistema elétrico
A ISA ENERGIA BRASIL, líder em transmissão de energia no país, iniciou a implantação de uma rede própria de estações meteorológicas em parceria com a Climatempo, com foco no monitoramento climático contínuo de seus ativos no Estado de São Paulo. A iniciativa integra a Estratégia de Adaptação Climática da companhia e busca fortalecer a resiliência das linhas de transmissão frente ao aumento da frequência e da intensidade de eventos meteorológicos extremos.
Responsável por cerca de 95% da energia transmitida em São Paulo, a empresa passa a contar com uma infraestrutura dedicada à geração de dados climáticos de alta resolução, voltada à antecipação de riscos operacionais e ao aprimoramento da gestão preventiva de seus ativos. O projeto prevê o funcionamento da rede até 2030, com monitoramento de variáveis críticas como ventos, temperaturas máximas, tempestades, incêndios florestais, deslizamentos, inundações e elevação do nível do mar.
Mudanças climáticas e impacto direto na operação do setor
O avanço das mudanças climáticas tem imposto desafios crescentes ao setor elétrico brasileiro, especialmente na área de transmissão, onde a exposição física dos ativos aumenta a vulnerabilidade a fenômenos extremos. A iniciativa da ISA ENERGIA BRASIL parte da constatação de que a infraestrutura meteorológica nacional ainda é limitada frente às dimensões territoriais do país.
Ao detalhar o racional técnico do projeto, o diretor-executivo de Operações da companhia, Bruno Isolani, ressalta que a ampliação da inteligência climática é uma condição estruturante para a confiabilidade do sistema.
“As mudanças climáticas já impactam diretamente a operação do setor elétrico no Brasil, um País de dimensões continentais e elevada variabilidade climática. A implantação de redes próprias de estações meteorológicas é um passo inicial relevante para ampliar o conhecimento climático, expandir a cobertura e antecipar riscos operacionais. Hoje, o Brasil conta com cerca de 700 estações operadas pelo Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), número ainda insuficiente frente à extensão territorial, o que reforça a necessidade de escalar essa infraestrutura por meio de uma coalizão setorial que integre agentes, tecnologia, dados e ciência. Ao incorporar inteligência climática à operação, avançamos para decisões baseadas em ciência, previsibilidade e gestão de risco”, afirma.
Parceria com a Climatempo e uso de inteligência climática
O projeto prevê a instalação inicial de quatro estações meteorológicas completas, posicionadas de forma estratégica no interior paulista, em torres de transmissão selecionadas a partir de estudos técnicos. A Climatempo será responsável pela gestão, operação e interpretação dos dados, transformando informações meteorológicas brutas em alertas operacionais e subsídios objetivos para a tomada de decisão.
O impacto direto do clima na continuidade do serviço é destacado por Vitor Hassan, Country Manager e Head de Energia da Climatempo. Ele ressalta que a transformação de dados brutos em inteligência é o que garante a agilidade na resposta a crises.
“Os eventos meteorológicos extremos já não são exceção e passaram a fazer parte da rotina operacional do setor elétrico. Hoje, mais de 30% dos desligamentos registrados no Brasil estão associados a fenômenos climáticos, enquanto apenas cerca de 7% dos municípios contam com estações meteorológicas completas em operação, muitas delas com falhas recorrentes de dados. Nesse cenário, além de instalar e gerir os sensores, é fundamental transformar dados meteorológicos em inteligência climática aplicada. A gestão, a operação e a interpretação dessas informações não são o core business das transmissoras, mas sim da Climatempo. Nosso papel é traduzir dados complexos em alertas objetivos e ações claras para a transmissora, reduzindo a subjetividade e fortalecendo a tomada de decisão baseada em ciência”, diz.
Monitoramento climático como ferramenta de adaptação
Com a nova rede, a ISA ENERGIA BRASIL amplia a capacidade de detecção de rajadas de vento, chuvas intensas e outros fenômenos críticos, permitindo a geração de alertas operacionais quase em tempo real. Os dados serão integrados às plataformas corporativas da companhia, incluindo o Centro de Monitoramento de Ativos (CMA), fortalecendo a gestão preditiva da infraestrutura de transmissão.
Além do uso operacional, o projeto prevê a reconstrução da série histórica de ventos desde 1980, a elaboração de relatórios anuais até 2030 e a identificação dos pontos mais críticos ao longo das linhas de transmissão. Essas informações devem subsidiar estudos técnicos sobre a evolução dos impactos climáticos nas áreas de concessão da empresa.
Planejamento de longo prazo e regulação do SIN
A iniciativa está conectada a um diagnóstico mais amplo conduzido pela ISA ENERGIA BRASIL em parceria com a WayCarbon, que avaliou, em 2024, a exposição dos ativos a riscos climáticos nos horizontes de 2030, 2040 e 2050. A partir desse mapeamento, a companhia estruturou um plano específico de adaptação e resiliência para sua infraestrutura.
Paralelamente, a empresa lidera a elaboração de um estudo técnico voltado ao fortalecimento do planejamento e da regulação do Sistema Interligado Nacional (SIN) frente às mudanças climáticas, incluindo propostas de metodologias de análise de custo-benefício para investimentos em resiliência.
Vandinaldo Vieira, engenheiro sênior de Desenvolvimento de Linhas de Transmissão da ISA ENERGIA BRASIL, destaca o papel estratégico da base de dados climáticos. “Somente com dados precisos e contínuos é possível fundamentar decisões que aumentem a segurança, a eficiência e a capacidade de adaptação do sistema, diante da intensificação dos eventos extremos”, afirma.
Para especialistas do setor, iniciativas como a da ISA ENERGIA BRASIL sinalizam uma nova fase do planejamento elétrico, na qual adaptação climática deixa de ser tema periférico e passa a integrar o núcleo das decisões de investimento, operação e regulação, com impactos diretos sobre a confiabilidade do sistema e a modicidade tarifária no longo prazo.



