Estudo global do SAS e IDC mostra que manutenção preditiva lidera aplicações e que mais de 60% das empresas já adotaram a convergência entre IA e IoT
A convergência entre inteligência artificial (IA) e Internet das Coisas (IoT), conhecida como AIoT, vem se consolidando como um dos principais vetores de transformação digital nos setores de manufatura e energia. Mais do que uma tendência tecnológica, a AIoT já entrega valor de negócio mensurável, com impactos diretos em eficiência operacional, redução de custos e qualidade da tomada de decisão.
É o que revela o estudo IDC InfoBrief – Como a AIoT está remodelando a eficiência, a segurança e a tomada de decisão industrial, patrocinado pelo SAS, líder global em dados e IA. A pesquisa ouviu mais de 300 executivos industriais em todo o mundo, incluindo empresas dos setores de manufatura, energia e utilities.
Os resultados mostram que 62% das organizações já adotaram a AIoT, enquanto outras 31% planejam implementar a tecnologia, indicando um ritmo acelerado de difusão. Entre os usuários atuais, 43% já alcançaram implementações amplas ou totalmente integradas, o que evidencia a maturidade crescente dessas soluções no ambiente corporativo.
Manutenção preditiva lidera casos de uso
O levantamento aponta que a manutenção preditiva é hoje o principal caso de uso da AIoT, adotado por 71% das organizações. Em seguida aparecem aplicações ligadas à automação de TI (53%) e à cadeia de suprimentos e logística (47%).
Na prática, a combinação de sensores conectados, algoritmos de machine learning e analytics avançado permite antecipar falhas em equipamentos críticos, reduzir paradas não programadas e otimizar o uso de ativos industriais. Para setores intensivos em capital, como energia e manufatura pesada, esses ganhos se traduzem em maior confiabilidade operacional e redução expressiva de custos.
Valor de negócio já é mensurável
Além da eficiência técnica, a pesquisa mostra que a AIoT já entrega valor econômico tangível. Entre os principais benefícios esperados pelas empresas que investem nessa convergência tecnológica estão:
- Redução de custos operacionais (54%)
- Inovação mais rápida e inteligente (52%)
- Simplificação das operações (49%)
Do total de entrevistados, 63% acreditam que a AIoT impulsiona diretamente a produtividade e a competitividade. Um dado que chama atenção é que organizações que utilizam a tecnologia de forma intensiva têm o dobro de probabilidade de relatar benefícios acima das expectativas, quando comparadas às que usam a AIoT apenas de maneira pontual.
A percepção positiva é reforçada por Kathy Lange, diretora de pesquisa de software de IA do IDC, que avalia o estágio atual da tecnologia a partir dos dados do estudo. “Nossa pesquisa constatou que usuários intensivos de AIoT tinham quase o dobro de probabilidade de relatar benefícios que superaram significativamente as expectativas, enquanto menos de 3% dos executivos de indústrias entrevistados disseram que o valor da AIoT não atendeu às expectativas”, afirma. “A conclusão é clara: a AIoT está impulsionando a inovação, simplificando operações e promovendo decisões mais rápidas e inteligentes.”
Lacuna de habilidades é o principal desafio
Apesar do avanço da adoção, o estudo identifica gargalos relevantes para a consolidação da AIoT. O principal deles é a falta de competências técnicas, apontada como a maior barreira, à frente de problemas como integração com sistemas legados, qualidade dos dados e custos de implementação.
Outros desafios mencionados incluem desalinhamento de processos de negócio, resistência cultural e dificuldade de escalar projetos-piloto para ambientes corporativos complexos. Para os analistas, superar essas barreiras é essencial para destravar todo o potencial da tecnologia.
Manufatura acelera transformação digital
No setor industrial, a AIoT vem sendo usada como ferramenta estratégica para enfrentar desafios estruturais, como interrupções na cadeia de suprimentos, escassez de mão de obra e exigências crescentes por produtividade.
A automação das fábricas aparece como um dos efeitos mais visíveis dessa transformação. Com a AIoT, empresas não apenas automatizam tarefas, mas passam a automatizar decisões, integrando dados de sensores, sistemas de gestão e modelos de IA para otimizar processos produtivos em tempo real.
Dez Tsai, diretor sênior global de IA, Dados e Transformação de Fornecedores da TD SYNNEX, parceiro estratégico do SAS, observa que a intensidade de uso é determinante para os resultados obtidos. “Como este InfoBrief deixa claro, a AIoT gera valor de negócio, e quanto mais as indústrias usam, maiores serão os benefícios percebidos”, afirma. “Esperamos que a adoção de soluções de AIoT acelere à medida que as empresas experimentem mais eficiência, produtividade e economia de custos.”
Energia e utilities ganham inteligência operacional
No setor de energia e utilities, a AIoT se apresenta como uma plataforma-chave para modernizar a operação de redes elétricas, usinas e ativos distribuídos. Ao processar dados provenientes de milhares de sensores instalados em equipamentos críticos, como turbinas, transformadores e geradores, a tecnologia permite prever demanda, otimizar despacho, reduzir perdas e melhorar a confiabilidade do sistema.
Além disso, a aplicação de modelos de IA torna os dados mais acessíveis a diferentes perfis profissionais, desde equipes de campo até gestores estratégicos. Esse aspecto contribui diretamente para mitigar a lacuna de habilidades identificada no estudo, democratizando o uso da informação dentro das organizações.
IA, edge e nuvem aceleram inovação
As soluções de IoT do SAS combinam IA, machine learning e integração do edge à nuvem, permitindo analisar grandes volumes de dados em alta velocidade e com baixa latência. Essa arquitetura amplia o valor dos investimentos já existentes em infraestrutura digital e impulsiona a transformação do trabalho, ao migrar da supervisão manual para a orquestração inteligente de processos.
Entre os casos de uso citados no estudo estão organizações como Georgia-Pacific, Volvo Trucks, Lockheed Martin e cidades inteligentes como Jakarta Smart City, que utilizam analytics em tempo real para melhorar confiabilidade de ativos, qualidade de produtos e eficiência em sistemas conectados.



