Executivo com trajetória na Copel, Itaipu e APINE assume comando da entidade em momento de consolidação do setor, que já ultrapassa 44 GW de potência instalada no Brasil
A Associação Brasileira de Geração Distribuída (ABGD) anunciou a nomeação de Luiz Fernando Leone Vianna como presidente executivo interino da entidade. O executivo acumula a nova função com a vice-presidência do Conselho da própria associação e atua como vice-presidente Institucional e Regulatório do Grupo Delta Energia.
A escolha ocorre em um momento estratégico para a ABGD, que encerrou 2025 celebrando dez anos de atuação institucional e consolidação como uma das principais representantes do segmento de geração distribuída no país. O setor vive uma fase de maturidade regulatória e de crescimento consistente, impulsionado principalmente pela expansão da energia solar fotovoltaica em residências, comércios, indústrias e propriedades rurais.
Agenda regulatória e diálogo institucional
Ao assumir a presidência executiva interina, Vianna sinalizou que a prioridade da entidade será fortalecer a interlocução técnica com reguladores, formuladores de políticas públicas e agentes do mercado, em um contexto de mudanças regulatórias relevantes e desafios de integração da geração distribuída ao sistema elétrico.
“A ABGD tem uma agenda muito objetiva para este ciclo: contribuir tecnicamente para o aprimoramento do ambiente regulatório e ampliar ainda mais o diálogo com agentes públicos e privados, com foco em segurança jurídica, previsibilidade e no avanço responsável da geração distribuída”, afirma Vianna.
A declaração reforça a estratégia da entidade de se posicionar como um interlocutor técnico do setor, especialmente em temas como regras de acesso às redes de distribuição, sinal locacional, compensação de energia, modernização tarifária e inserção da geração distribuída na transição energética brasileira.
Trajetória no setor elétrico
Luiz Fernando Leone Vianna possui uma trajetória de destaque no setor elétrico nacional. Ao longo de sua carreira, presidiu a Copel, foi diretor-geral brasileiro de Itaipu Binacional e também presidiu a APINE (Associação Brasileira dos Produtores Independentes de Energia Elétrica). A experiência em empresas estatais, privadas e entidades setoriais confere ao executivo um perfil reconhecido de articulação institucional e conhecimento regulatório.
A chegada de Vianna ao comando executivo interino da ABGD ocorre em um momento em que o setor de geração distribuída demanda cada vez mais integração com o planejamento do sistema elétrico, sobretudo diante do crescimento acelerado da micro e minigeração e dos impactos sobre a operação das redes.
Geração distribuída supera 44 GW no Brasil
Segundo dados da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), a geração distribuída brasileira já soma mais de 44 gigawatts (GW) de potência instalada, com aproximadamente 3,9 milhões de sistemas em operação e cerca de 21 milhões de brasileiros beneficiados. A maior parte dessa capacidade está associada à energia solar fotovoltaica, mas o segmento também engloba pequenas centrais hidrelétricas, biomassa, biogás e eólica de pequeno porte.
O avanço da GD tem contribuído para a diversificação da matriz elétrica, redução de perdas na transmissão, maior resiliência do sistema e estímulo a investimentos descentralizados. Ao mesmo tempo, o crescimento acelerado traz desafios regulatórios relacionados ao equilíbrio econômico-financeiro das distribuidoras, à sinalização de custos de rede e à sustentabilidade do modelo tarifário.
Nesse cenário, a ABGD tem atuado de forma ativa nos debates sobre a aplicação da Lei 14.300, conhecida como Marco Legal da Geração Distribuída, e na construção de propostas que conciliem a expansão do segmento com a estabilidade do setor elétrico como um todo.
Governança para o biênio 2026/2027
A governança da ABGD para o biênio 2026/2027 é liderada por um Conselho presidido por José da Costa Carvalho Neto, executivo com longa trajetória no setor elétrico. Carvalho Neto foi presidente da Eletrobras e da Cemig, além de ter ocupado posições de liderança em empresas e instituições de energia no Brasil e no exterior. Atualmente, atua como sócio-diretor da D3 Energias Renováveis.
O Conselho Deliberativo da entidade é composto por empresas representativas do segmento de geração distribuída, que participam da definição das diretrizes estratégicas da associação. Integram o colegiado: Comerc Energia, Bulbe Energia, Órigo Energia, Hy Brazil Energia, Brasol, Atua Sustentabilidade, Athon Energia, Solargrid, Matrix Energia, Thopen Energy, D3 Energias Renováveis, Grupo Delta Energia, GDSUN, AXS Energia, Evolua Energia e Ineer Energia.
A composição reflete a diversidade de modelos de negócio do setor, que inclui comercializadoras, integradoras, desenvolvedoras de projetos, plataformas digitais e empresas de serviços energéticos.
Papel da ABGD na transição energética
Ao longo da última década, a ABGD se consolidou como uma das principais vozes institucionais da geração distribuída no Brasil, com participação ativa em consultas públicas, audiências regulatórias e debates sobre políticas energéticas. A entidade tem defendido a geração distribuída como vetor de democratização do acesso à energia, estímulo à inovação tecnológica e redução das emissões de gases de efeito estufa.
Com a nova presidência executiva interina, a expectativa é de que a associação amplie sua atuação técnica em temas como armazenamento de energia, hidrogênio verde, digitalização das redes e integração entre geração distribuída e mercado livre, áreas consideradas estratégicas para a próxima fase de evolução do setor elétrico brasileiro.



