Edital multitemas busca soluções em tecnologias de armazenamento, smart meters e operação do sistema, com foco nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste
A CPFL Energia intensifica sua estratégia de inovação aberta e colocou na reta final o prazo para submissão de propostas à Chamada Pública de Projetos (CPP) Multitemas, iniciativa voltada à seleção de projetos de pesquisa, desenvolvimento e inovação (P,D&I) capazes de responder aos principais desafios tecnológicos do setor elétrico brasileiro. O edital contempla, como tema prioritário, Novas Tecnologias e Aplicações de Armazenamento de Energia, cujas inscrições seguem abertas até o dia 8 de fevereiro.
A chamada integra o Programa de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação da ANEEL (PEQuI) e tem como foco estimular soluções tecnológicas desenvolvidas por startups, universidades, centros de pesquisa e empresas de base tecnológica, especialmente nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, áreas estratégicas para a desconcentração geográfica da inovação no país.
Armazenamento de energia no centro da agenda
O destaque dado ao tema de armazenamento de energia reflete uma tendência estrutural do setor elétrico. Com o avanço acelerado da geração renovável intermitente, especialmente solar e eólica, os sistemas de armazenamento vêm se consolidando como um dos principais vetores de flexibilidade, confiabilidade e eficiência operacional do sistema elétrico.
No contexto da transição energética, soluções como baterias eletroquímicas, armazenamento térmico, hidrogênio e sistemas híbridos ganham relevância tanto para aplicações em redes de distribuição quanto para suporte à operação do Sistema Interligado Nacional (SIN). Para a CPFL, investir nesse campo é também preparar a infraestrutura elétrica para um cenário de maior eletrificação, digitalização e descentralização da geração.
O edital da CPP Multitemas busca, justamente, projetos capazes de gerar aplicações práticas, escaláveis e economicamente viáveis, que possam ser incorporadas à operação real do grupo e, posteriormente, difundidas para o mercado.
Inovação regional e consórcios tecnológicos
Podem participar da chamada instituições públicas ou privadas, isoladamente ou em consórcio, incluindo startups, universidades, centros de pesquisa, empresas de base tecnológica, empresas incubadas, fabricantes de materiais e equipamentos e empresas de consultoria.
Conforme as diretrizes do PEQuI, a chamada é destinada prioritariamente às regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste. Consórcios com instituições de outras regiões do país são permitidos, desde que, pelo menos, 50% dos recursos destinados às parceiras do projeto sejam direcionados a instituições sediadas nessas regiões.
O desenho do edital reforça uma diretriz regulatória e institucional relevante: fomentar ecossistemas regionais de inovação, aproximando centros acadêmicos, empreendedores e grandes grupos empresariais em torno de desafios concretos do setor elétrico.
Outros temas estratégicos até fevereiro
Além do eixo de armazenamento de energia, a Chamada Pública Multitemas também recebe propostas, até 27 de fevereiro, para outros três temas considerados críticos para a modernização do setor:
- Revisão da Metodologia de Vidas Úteis dos Ativos do Setor Elétrico;
- Otimização e Resposta Inteligente na Operação do Sistema de Transmissão;
- Aplicações e Gestão de Dados de Smart Meters.
Esses temas dialogam diretamente com a agenda de eficiência regulatória, digitalização das redes, automação de processos e uso intensivo de dados, pilares fundamentais para a construção de redes elétricas mais inteligentes, resilientes e orientadas ao consumidor.
Para apoiar os proponentes, a CPFL realizará workshops técnicos ao longo do processo, com o objetivo de esclarecer dúvidas, apresentar diretrizes e orientar a elaboração das propostas. O cronograma completo, assim como os critérios de seleção e requisitos técnicos, estão disponíveis no edital, que poderá receber atualizações ao longo do processo.
Inovação aberta como estratégia corporativa
Ao comentar a iniciativa, o gerente de Inovação da CPFL Energia, Rafael Moya, destacou o papel da chamada pública dentro da estratégia de inovação aberta da companhia e sua conexão direta com os desafios operacionais do setor.
Segundo o executivo, a CPP Multitemas funciona como uma ponte entre a demanda real das concessionárias e a capacidade de geração de soluções tecnológicas por parte do ecossistema de inovação.
“Ao conectar desafios do dia a dia a soluções tecnológicas desenvolvidas por startups, universidades e centros de pesquisa, ampliamos nossa capacidade de impulsionar a transformação do setor elétrico”, afirma.
A fala de Moya sintetiza uma mudança relevante no posicionamento das grandes empresas de energia: mais do que desenvolver tecnologia internamente, a lógica passa a ser a de orquestrar ecossistemas, capturar inteligência externa e acelerar a aplicação prática de soluções inovadoras.
Armazenamento, dados e o futuro do sistema elétrico
Para especialistas, o foco da CPFL em armazenamento de energia, smart meters e operação inteligente do sistema está alinhado às principais tendências globais do setor elétrico. Em um ambiente de maior complexidade operacional, com fontes distribuídas, consumidores ativos e novos modelos de negócio, a infraestrutura digital e os sistemas de flexibilidade deixam de ser acessórios e passam a ser elementos centrais da arquitetura do sistema.
Nesse contexto, chamadas públicas como a da CPFL funcionam não apenas como instrumentos de fomento à inovação, mas como mecanismos de política tecnológica, capazes de direcionar investimentos, formar competências e acelerar a transição para um setor elétrico mais eficiente, sustentável e digital.



