América Latina e Caribe atingem 65% de renovabilidade na matriz elétrica em 2025

Relatório da OLACDE destaca protagonismo da hidroeletricidade e avanço da fonte solar; Brasil lidera entre as grandes economias com 89% de geração limpa.

A América Latina e o Caribe consolidaram, ao longo de 2025, sua posição como a região mais “verde” do setor elétrico global. De acordo com o mais recente Relatório Mensal de Geração de Energia Elétrica da Organização Latino-Americana e Caribenha de Energia (OLACDE), 65% de toda a eletricidade produzida na região no último ano teve origem em fontes renováveis. O desempenho reflete uma combinação estratégica entre a recuperação das bacias hidrográficas e a entrada maciça de nova capacidade instalada de fontes intermitentes.

Em setembro de 2025, a geração total da região alcançou 156 TWh, um crescimento de 3,3% em comparação ao mesmo período de 2024. Este avanço demonstra não apenas o aumento do consumo, mas a capacidade da infraestrutura regional em absorver a carga através de fontes de baixo carbono, reduzindo a exposição aos combustíveis fósseis.

A hegemonia hídrica e a ascensão do “fator solar”

Apesar da diversificação acelerada, a energia hidrelétrica permanece como a espinha dorsal do sistema regional, respondendo por 45,7% da geração total. Contudo, o dado que mais chama a atenção dos analistas é a resiliência e o dinamismo das fontes variáveis. A geração solar fotovoltaica registrou um salto de 5% apenas no mês de setembro, impulsionada pela entrada em operação de complexos de larga escala e pela expansão da geração distribuída.

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Essa mudança na composição da oferta teve um impacto direto na participação do gás natural, que recuou para 24% da matriz regional. O movimento sinaliza que, em cenários hidrológicos favoráveis, o GNL e o gás de gasoduto passam a atuar estritamente como reserva estratégica, perdendo espaço para o custo marginal próximo de zero das renováveis.

Brasil e o “Clube dos 100%”: Lideranças Regionais

O relatório da OLACDE revela um abismo positivo entre a média regional e o desempenho individual de certas nações. Enquanto a região marca 65%, 11 dos 27 países membros superaram essa métrica. O Brasil, principal mercado da região, atingiu a expressiva marca de 89% de geração renovável, consolidando-se como o motor da transição energética no continente.

Na ponta máxima do ranking, Paraguai e Uruguai operaram com 100% de matriz limpa, seguidos de perto pela Costa Rica (98%) e Venezuela (92%). Chile e Colômbia também figuram entre os destaques, com 70% e 86%, respectivamente, evidenciando que a transição não é um fenômeno isolado, mas uma tendência estrutural do bloco.

Desafios de integração e o papel da intermitência

A variabilidade climática continua sendo o principal fator de risco para a segurança energética regional. Em períodos de afluências recordes, como junho de 2025, o índice de renovabilidade chegou a tocar os 71%. Entretanto, o relatório adverte que a crescente inserção de eólica e solar exige investimentos vultosos em infraestrutura de transmissão e, progressivamente, em sistemas de armazenamento.

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A necessidade de respaldo por térmicas a gás em momentos de ponta ou baixa geração renovável reforça o debate sobre a integração energética regional. A criação de um mercado comum de eletricidade na América Latina permitiria que os excedentes hídricos de um país compensassem a intermitência solar de outro, otimizando o despacho e reduzindo custos operacionais sistêmicos.

Perspectivas para 2050

O cenário desenhado pela OLACDE corrobora as projeções de agências internacionais: a América Latina deve manter o crescimento exponencial de eólica e solar até 2050. O desafio para os próximos anos reside na criação de mecanismos de financiamento climático que permitam que as economias menores do Caribe e da América Central acompanhem o ritmo de descarbonização de gigantes como Brasil e Chile.

Com a redução das emissões de GEE e o fortalecimento da segurança energética frente a incertezas geopolíticas, a região se consolida não apenas como consumidora de tecnologia limpa, mas como um laboratório global de redes elétricas descarbonizadas e resilientes.

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