Parceria entre Teko e Tempo OK integra dados climáticos avançados às análises de preços e responde a mudanças estruturais no perfil de carga do sistema elétrico
A formação de preços no mercado brasileiro de energia elétrica atravessa um dos períodos mais complexos de sua história recente. A combinação entre maior participação de fontes renováveis intermitentes, mudanças no perfil de carga do Sistema Interligado Nacional (SIN) e aumento da frequência de eventos climáticos extremos tem elevado a volatilidade e ampliado os riscos para agentes do Ambiente de Contratação Livre (ACL). É nesse contexto que a consultoria Teko inicia suas operações no país e anuncia uma parceria estratégica com a Tempo OK, empresa especializada em meteorologia aplicada, com o objetivo de integrar inteligência climática às análises de precificação de energia.
A proposta surge como resposta direta às transformações estruturais do setor elétrico, que vêm exigindo modelos analíticos mais sofisticados e maior agilidade na tomada de decisão. A Teko se posiciona como uma consultoria focada em preços de energia em um ambiente caracterizado por incertezas crescentes, enquanto a Tempo OK aporta dados meteorológicos de alta resolução, fundamentais para antecipar variações de geração e demanda.
Clima como variável crítica na formação de preços
A relação entre condições climáticas e preços de energia sempre existiu no Brasil, fortemente dependente da geração hidráulica. No entanto, com o avanço acelerado de fontes eólica e solar, essa correlação tornou-se ainda mais sensível e complexa. Padrões de chuva, vento e radiação solar passaram a influenciar não apenas o balanço energético de médio prazo, mas também a dinâmica intradiária do sistema.
Para o CEO da Teko, Jackson Graziano, a integração de camadas de dados climáticos diretamente na modelagem energética é o que permite transitar da análise puramente estatística para a inteligência estratégica. O executivo ressalta que essa simbiose é o núcleo da proposta de valor da consultoria.
“A parceria com a Tempo OK nos permite combinar modelagem energética e inteligência meteorológica, com foco em apoiar a tomada de decisão de nossos clientes”.
João Hackerott, CEO da Tempo OK, reforça que a precisão meteorológica tornou-se o principal ‘insumo crítico’ para a redução de incertezas no ACL. Segundo Hackerott, a capacidade de antecipar o comportamento das fontes variáveis redefine a confiabilidade das projeções de preço
“A inteligência meteorológica é fundamental para a precificação de energia, pois padrões de chuva, vento e radiação solar permitem antecipar mudanças na geração e na demanda, reduzindo riscos e aumentando a confiabilidade das análises de preços”.
Volatilidade recente expõe limites dos modelos tradicionais
A chegada da Teko ao mercado ocorre após um período de forte ruptura no comportamento dos preços. Entre novembro de 2021 e julho de 2024, o Preço de Liquidação das Diferenças (PLD) mensal da região Sudeste/Centro-Oeste permaneceu abaixo de R$ 100/MWh, refletindo um cenário de abundância hídrica e baixa volatilidade. Esse ambiente, no entanto, foi abruptamente substituído por episódios de estresse a partir do segundo semestre de 2024.
Em outubro daquele ano, o PLD mensal atingiu R$ 480,78/MWh, retornando pouco depois a patamares próximos ao piso regulatório. Esse movimento evidenciou a dificuldade dos agentes em antecipar mudanças rápidas nas premissas do modelo de formação de preços, especialmente em um sistema cada vez mais dependente de fontes intermitentes.
Para 2026, as projeções apontam para um cenário de preços estruturalmente mais elevados e voláteis. A menor regularidade das chuvas, combinada ao aumento da participação de renováveis não despacháveis, tende a tornar o despacho hidrotérmico mais sensível e a resposta dos preços mais intensa.
Carga intradiária e renováveis ampliam a complexidade operacional
A COO da Teko, Clarissa Rizzini, aponta que a transição para um sistema de base renovável impõe um novo rigor técnico à precificação, onde a volatilidade das premissas meteorológicas dita o ritmo do despacho hidrotérmico.
“A variabilidade das chuvas dificulta a antecipação do despacho hidrotérmico, enquanto as mudanças nos modelos de precificação geram um cenário de resposta mais intensa às variações das premissas, resultando em preços elevados em momentos de escassez das fontes hidráulicas e renováveis”.
Dados de carga líquida do SIN reforçam essa leitura. Entre 2022 e 2026, a diferença entre a carga máxima e mínima horária dentro de um mesmo dia mais que dobrou, saltando de cerca de 20 GWmed para mais de 44 GWmed. Esse movimento está diretamente associado à expansão da geração solar e eólica, que altera de forma significativa o perfil horário da carga.
Durante a tarde, a forte geração solar reduz rapidamente a carga líquida. No final do dia, com o desaparecimento dessa fonte, o sistema passa a demandar respostas rápidas de usinas despacháveis, elevando a sensibilidade do despacho e ampliando a dispersão dos preços ao longo do dia. Esse padrão reforça a necessidade de previsões meteorológicas mais precisas e integradas aos modelos energéticos.
Eficiência analítica como vantagem competitiva
A crescente complexidade do SIN impôs um paradoxo aos agentes: a necessidade de inteligência analítica nunca foi tão alta, mas o custo de produzir análises robustas ‘em casa’ tornou-se proibitivo. Jackson Graziano pondera que a Teko atua justamente para suprir esse gap de eficiência, permitindo que as empresas foquem em seu core business sem abrir mão de projeções de alto nível.
“A dinâmica atual do mercado exige previsões mais sofisticadas e respostas ágeis. Ao mesmo tempo em que as empresas enfrentam pressão para reduzir custos, o investimento necessário para produzir análises de qualidade têm aumentado”.
A parceria com a Tempo OK reforça essa estratégia. Com 12 anos de atuação, a empresa de meteorologia se destaca por disponibilizar dados de previsão de chuva do modelo europeu estendido (ECMWF) de forma antecipada, às 10h da manhã, ampliando a janela de decisão dos agentes.
Ao projetar o impacto de longo prazo dessa sinergia, Jackson Graziano enfatiza que a fusão entre análise de preços e ciência climática estabelece um novo padrão de excelência para o setor. Para o executivo, a colaboração sinaliza o fim da era das análises isoladas.
“Com essa colaboração, Teko e Tempo OK combinam modelagem energética e inteligência meteorológica para aumentar a eficiência, a previsibilidade e a competitividade do setor elétrico brasileiro”, concluiu.



