Substituição integral de 3,5 km de cabos de cobre por alumínio marca nova etapa de reforço da confiabilidade elétrica na zona sul do Rio; obras devem durar 30 dias
Após enfrentar um dos episódios mais críticos de interrupção no fornecimento de energia elétrica na zona sul do Rio de Janeiro nos últimos anos, a Light iniciou nesta quarta-feira (7) um amplo processo de renovação da malha elétrica subterrânea nos bairros do Leme e de Copacabana. A intervenção, que envolve um investimento de R$ 12 milhões, ocorre depois da conclusão dos reparos emergenciais que permitiram o restabelecimento da energia e tem como objetivo aumentar a segurança, a confiabilidade e a resiliência do sistema elétrico em uma das regiões mais densamente povoadas e economicamente relevantes da cidade.
A medida surge na esteira de um apagão que deixou milhares de consumidores sem energia por quase três dias, em decorrência do furto de cabos da rede subterrânea. Segundo a concessionária, a sobrecarga causada pela subtração de aproximadamente 3,5 quilômetros de cabos de cobre comprometeu severamente o sistema, exigindo uma resposta emergencial com o uso intensivo de geradores e mobilização contínua de equipes técnicas.
Do atendimento emergencial à reconstrução estrutural da rede
Com o fornecimento de energia restabelecido, ainda que com apoio temporário de geração móvel, a Light dá agora início a uma etapa estrutural do processo: a renovação completa da malha elétrica subterrânea afetada. A intervenção terá duração estimada de 30 dias e será conduzida de forma ininterrupta, com equipes técnicas atuando 24 horas por dia para minimizar riscos e impactos à população local.
De acordo com a concessionária, até o próximo sábado (10), cerca de 20% dos 60 geradores instalados no Leme começarão a ser desmobilizados. A retirada dos demais equipamentos ocorrerá de maneira gradual, acompanhando o avanço das obras e a recomposição definitiva da rede subterrânea. A estratégia busca garantir a continuidade do fornecimento durante todo o período de intervenção, evitando novas interrupções em um sistema já fragilizado.
Substituição de cobre por alumínio: resposta técnica e econômica
Um dos pontos centrais da obra é a substituição integral dos cabos de cobre por cabos de alumínio ao longo dos 3,5 quilômetros de rede danificada. A escolha do novo material não é apenas técnica, mas também estratégica. O alumínio apresenta menor valor no mercado ilegal, o que reduz significativamente o risco de novos furtos, um problema recorrente em redes subterrâneas de grandes centros urbanos.
Além disso, do ponto de vista elétrico, o alumínio é amplamente utilizado em sistemas de distribuição e transmissão, desde que corretamente dimensionado, oferecendo desempenho adequado e maior previsibilidade operacional. A troca do material, portanto, representa um avanço tanto na mitigação de riscos externos quanto na modernização da infraestrutura.
Confiabilidade elétrica em áreas críticas da cidade
Leme e Copacabana concentram uma elevada densidade populacional, além de hotéis, hospitais, comércio intenso e serviços essenciais. A confiabilidade do fornecimento de energia elétrica nesses bairros é considerada crítica não apenas para os moradores, mas também para a economia local e para o setor de turismo, fortemente impactado durante o período de apagão.
Nesse contexto, a renovação da rede subterrânea vai além de uma resposta pontual ao episódio recente. Trata-se de uma ação estruturante, alinhada à necessidade de adaptação do sistema elétrico urbano a um cenário de maior demanda, envelhecimento de ativos e crescente incidência de eventos associados à criminalidade e à sobrecarga das redes.
Atendimento ao consumidor e ressarcimento de prejuízos
Em paralelo às obras, a Light reforçou seus canais de atendimento aos consumidores afetados. A concessionária informou que permanece à disposição dos moradores para o registro de pedidos de ressarcimento por eventuais danos causados pela interrupção do fornecimento de energia. As solicitações podem ser feitas por meio do portal de serviços da empresa, pelo call center, pela agência móvel instalada no Leme ou pela agência comercial de Copacabana.
A ampliação dos canais de atendimento ocorre em um ambiente de maior pressão institucional e social sobre a concessionária, após protestos de moradores e notificações de órgãos de defesa do consumidor durante o período do apagão. O episódio reacendeu o debate sobre a vulnerabilidade das redes subterrâneas, a necessidade de investimentos preventivos e o papel das distribuidoras na gestão de riscos operacionais em áreas sensíveis.



