Aportes de US$ 20 milhões anunciados durante a COP30 ampliam a capacidade de crescimento da empresa e evidenciam o interesse de instituições financeiras globais na transição energética dos setores industriais hard to abate no Brasil
A descarbonização da indústria brasileira ganhou um novo impulso com a conclusão do processo de co-investimento da ComBio, empresa líder nacional em energia térmica renovável, com a DEG, da Alemanha, e a Proparco, da França. As duas Instituições Financeiras de Desenvolvimento (DFIs) europeias anunciaram aportes de US$ 20 milhões, por meio de veículos de co-investimento estruturados com os atuais acionistas da companhia, durante a COP30, realizada em Belém.
A operação, realizada em parceria com as gestoras SPX Capital e Lightrock, reforça o papel estratégico da ComBio na transição energética brasileira, especialmente em segmentos industriais considerados hard to abate, nos quais a substituição de combustíveis fósseis ainda representa um dos maiores desafios para a redução estrutural das emissões de gases de efeito estufa.
Investimento internacional sinaliza confiança no modelo de negócio
A entrada da DEG (Deutsche Investitions- und Entwicklungsgesellschaft), subsidiária do grupo alemão KfW, ocorreu por meio da SPX Capital, enquanto a Proparco, braço da Agência Francesa de Desenvolvimento (AFD) voltado ao setor privado, realizou seu investimento por meio da Lightrock, gestora especializada em impacto e sustentabilidade. O movimento marca o primeiro investimento direto em equity da Proparco no setor climático no Brasil, um sinal claro do crescente interesse de instituições multilaterais por soluções de descarbonização industrial no país.
O anúncio durante a COP30 confere ainda mais peso institucional à operação, ao conectar o investimento a um dos principais fóruns globais de discussão sobre clima, financiamento sustentável e transição energética. DEG e Proparco são reconhecidas internacionalmente por apoiar projetos alinhados à redução de emissões, desenvolvimento econômico e fortalecimento de cadeias produtivas sustentáveis, em linha com a atuação de organismos como o IFC no Brasil.
Energia térmica renovável como vetor da transição industrial
Embora o Brasil se destaque mundialmente por sua matriz elétrica predominantemente renovável, a matriz energética industrial ainda depende fortemente de combustíveis fósseis, especialmente para a geração de calor e vapor em processos produtivos. É nesse ponto que a ComBio se posiciona como um dos principais vetores da transição energética industrial.
Desde o início de suas operações, em 2008, a empresa já evitou cerca de 4 milhões de toneladas de CO₂, ao substituir fontes fósseis por biomassa e eletricidade de origem renovável. Suas plantas de geração de vapor atendem setores como mineração, alimentos e bebidas e indústria química, segmentos que demandam altas temperaturas e, historicamente, apresentam maior dificuldade de eletrificação direta.
Atualmente, as soluções da ComBio evitam aproximadamente 670 mil toneladas de CO₂ por ano, volume equivalente a 17 dias de emissões da cidade de São Paulo, segundo dados da companhia.
Escala, governança e confiança do mercado
Ao comentar a relevância estratégica da operação, o CEO da ComBio, Paulo Skaf Filho, destacou que a entrada das duas instituições europeias representa um marco na trajetória da empresa e um reconhecimento do seu modelo de negócio e governança.
“Os investimentos da DEG e da Proparco marcam um passo decisivo na trajetória da ComBio. Tornar-nos parceiros de instituições globais em finanças sustentáveis reforça a solidez do nosso modelo e proporciona ainda mais confiança aos clientes industriais que atendemos. São investidores altamente exigentes, cujo processo criterioso de seleção atesta a robustez da nossa governança. Com a DEG e a Proparco, estamos mais bem posicionados para escalar nossos projetos e avançar em nosso propósito de viabilizar a descarbonização de setores de difícil abatimento”, afirmou Skaf Filho.
A fala evidencia como o capital de desenvolvimento internacional atua não apenas como fonte de recursos, mas também como selo de qualidade institucional, algo cada vez mais relevante em projetos de infraestrutura energética sustentável.
Visão dos investidores reforça agenda climática
Do ponto de vista da Lightrock, a operação reflete uma convergência entre impacto ambiental mensurável e viabilidade econômica. O sócio da gestora, Gustavo Verdelli, ressaltou que o investimento fortalece a capacidade da ComBio de acelerar a transição energética no Brasil.
“O investimento da Proparco mostra confiança na liderança da ComBio e em sua missão de oferecer soluções de energia limpa e economicamente eficientes em larga escala. Com um modelo comprovado, baseado em parcerias de longo prazo e em impacto ambiental mensurável, a ComBio está em uma posição única para acelerar a transição energética no Brasil”, destacou Verdelli.
Na mesma linha, a CEO da Proparco, Françoise Lombard, enfatizou o alinhamento da operação com a agenda global de ação climática. “Estamos muito felizes em nos unir à Lightrock para investir na ComBio, juntamente com a SPX Capital e a DEG, reforçando nosso compromisso com a ação climática e apoiando uma empresa que reduz significativamente as emissões de CO₂”, afirmou.
Plataforma robusta e perspectiva de crescimento
Para a SPX Capital, que já atua como parceira da ComBio, a entrada das novas instituições valida a estratégia da empresa e amplia sua capacidade de crescimento. Segundo Edson Peli, sócio da SPX, o modelo da ComBio combina transição energética com ganhos econômicos claros para a indústria.
“Receber investidores de classe mundial, como a DEG e Proparco, reforçam a qualidade excepcional da ComBio, a visão e força de seus fundadores e líderes e a relevância de sua missão. A combinação única entre transição energética e economia de custos faz com que a proposta de valor da Combio para seus clientes seja incrivelmente diferenciada”, afirmou.
Essa percepção é compartilhada pela própria DEG. Monika Beck, membro do Conselho de Administração da instituição, destacou que investir em sustentabilidade também significa abrir novas oportunidades de negócios. “Empresas que investem na transformação sustentável hoje não estão apenas garantindo seu próprio futuro, mas também abrindo novos potenciais de negócios. Na DEG, temos um foco muito claro em trabalhar com empresas que enxergam essa transformação como uma oportunidade”, concluiu.



