Parcerias com universidades federais e centros internacionais de P&D colocam resíduos agrícolas, plásticos e urbanos no centro da transição energética do GLP
Em um momento em que a transição energética exige soluções capazes de reduzir emissões sem comprometer a segurança do suprimento, a Supergasbras vem consolidando uma estratégia baseada em ciência, inovação e cooperação acadêmica para viabilizar o BioGL, alternativa renovável ao Gás Liquefeito de Petróleo (GLP). A companhia, que integra o grupo holandês SHV Energy, ampliou os investimentos em pesquisa e desenvolvimento no Brasil por meio de parcerias com universidades federais e centros internacionais de excelência, reforçando seu posicionamento como um dos agentes mais ativos na descarbonização do setor de gás.
A iniciativa é conduzida pelo departamento de Biocombustíveis da empresa e envolve parcerias com cinco universidades federais brasileiras, Universidade Federal Fluminense (UFF), Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e Universidade Federal da Bahia (UFBA). Além disso, a Supergasbras integra um hub global de pesquisa e desenvolvimento da SHV Energy, que conecta institutos e universidades de diferentes países com o objetivo de acelerar soluções de baixo carbono com potencial de escala industrial.
BioGL como vetor estratégico da transição energética
As pesquisas em andamento têm como foco central o desenvolvimento de rotas tecnológicas para produção de BioGL, combustível renovável com propriedades equivalentes ao GLP convencional, mas com menor pegada de carbono. A proposta se alinha às demandas crescentes por combustíveis de menor intensidade emissiva, especialmente em segmentos de difícil eletrificação, como o uso residencial, comercial e industrial atendido pelo gás liquefeito.
Entre as matérias-primas estudadas estão resíduos agrícolas, como casca de soja e sabugo de milho, óleo de cozinha usado, resíduos plásticos, rejeitos de mineração, etanol, resíduos florestais de eucalipto e até lodo de esgoto. A diversidade de insumos reflete a estratégia da companhia de valorizar resíduos amplamente disponíveis no território nacional, ao mesmo tempo em que transforma passivos ambientais em vetores energéticos sustentáveis.
Os projetos são avaliados individualmente, considerando tanto a maturidade tecnológica quanto o potencial de impacto ambiental, econômico e social. A empresa assume os riscos inerentes ao desenvolvimento tecnológico de longo prazo, priorizando iniciativas capazes de contribuir efetivamente para a redução das emissões de gases de efeito estufa e para o fortalecimento da matriz energética brasileira.
Pesquisa aplicada com foco em escala e impacto
A gerente de Biocombustíveis da Supergasbras, Priscila Maziero, aponta que a diversificação da matriz de suprimentos é o pilar central para a perenidade do negócio. Segundo a Maziero, o foco em inovação busca antecipar as demandas por energia de baixo carbono e consolidar a liderança da companhia na transição energética.
“A empresa tem investido fortemente em desenvolvimento de tecnologias para utilizar fontes renováveis e mais sustentáveis. Nossa expectativa é transformar essas pesquisas em soluções escaláveis no futuro, contribuindo para reduzir emissões tanto na nossa operação quanto no consumo dos clientes”.
A fala evidencia que o foco das iniciativas vai além da pesquisa acadêmica. O objetivo é construir rotas tecnológicas viáveis do ponto de vista industrial, capazes de integrar o BioGL à infraestrutura já existente de distribuição e consumo de GLP, reduzindo barreiras à adoção e acelerando os ganhos ambientais.
Com essa postura, a Supergasbras reforça sua maturidade institucional no setor de energia, ao compreender que a transição energética passa necessariamente pela combinação entre inovação, ciência aplicada e visão de longo prazo.
Projetos conectam resíduos, química avançada e biotecnologia
Entre os principais trabalhos em andamento, a parceria com a UFSC se destaca pelo uso de biotecnologia para transformar sabugo de milho e casca de soja, resíduos agrícolas de alta disponibilidade no Brasil, em biopropano, componente essencial do BioGL. O projeto integra o HUB de Biocombustíveis da SHV Energy e conecta a pesquisa desenvolvida no Brasil com estudos conduzidos pela Universidade de Aston, na Inglaterra, ampliando o intercâmbio científico internacional.
Na UFMG, a pesquisa combina duas frentes ambientais críticas: o aproveitamento de óleo de cozinha usado e a utilização de rejeitos de mineração como catalisadores. A metodologia propõe a conversão do óleo residual em BioGL, ao mesmo tempo em que transforma passivos ambientais da mineração em insumos produtivos, criando uma solução integrada de economia circular.
Já no Laboratório de Engenharia de Polimerização (EngePol), da COPPE/UFRJ, um projeto considerado pioneiro no país busca transformar resíduos plásticos de aterro em gás com composição idêntica ao GLP comercial. Os resultados obtidos até o momento são descritos como surpreendentes e abrem caminho para uma rota tecnológica capaz de atacar simultaneamente dois desafios: a destinação de resíduos plásticos e a produção de energia de baixo carbono.
Outra frente relevante é conduzida pelo Grupo de Integração em Processos Químicos (GIPQ), da UFRJ e UFF, em um estudo internacional voltado à conversão de etanol em BioGL. A iniciativa aproveita a abundância do etanol no Brasil e combina modelagem matemática avançada com dados experimentais internacionais para avaliar a viabilidade de futuras aplicações comerciais.
Na UFBA, a pesquisa foca no desenvolvimento de Dimetil Éter (DME) renovável, biocombustível com características semelhantes ao BioGL. A rota tecnológica utiliza resíduos florestais do eucalipto e lodo de esgoto como matérias-primas, ampliando o leque de soluções baseadas em biomassa e resíduos urbanos.
Inovação como pilar do futuro do GLP
Em um cenário de transição energética marcado por soluções múltiplas e complementares, a aposta da Supergasbras no BioGL reforça o papel do gás como vetor relevante na descarbonização, especialmente em aplicações onde a eletrificação plena ainda encontra limitações técnicas ou econômicas.
Ao investir em ciência nacional, integrar universidades federais e conectar o Brasil a hubs globais de inovação, a companhia sinaliza que o futuro do GLP passa necessariamente pela sustentabilidade, pela economia circular e pela capacidade de transformar conhecimento científico em soluções energéticas de impacto real.



