ONS avança na revisão da Reserva de Potência Operativa e prepara atualização metodológica para a Programação Diária da Operação

Nota técnica detalha fundamentos da RPO, descreve metodologia atual e abre caminho para nova etapa de discussão com agentes do setor elétrico

O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) deu mais um passo relevante no aprimoramento dos critérios operativos do Sistema Interligado Nacional (SIN) ao publicar a Nota Técnica NT-ONS-DGL 0124/2025, que consolida o trabalho desenvolvido para a atualização do processo de quantificação da Reserva de Potência Operativa (RPO) no âmbito da Programação Diária da Operação. O documento foi divulgado nesta quinta-feira, 18 de dezembro, e marca o encerramento da primeira etapa do ciclo de revisão metodológica conduzido pelo Operador.

A iniciativa se insere em um contexto de crescente complexidade da operação do sistema elétrico brasileiro, caracterizado pela ampliação da participação de fontes renováveis variáveis, pela expansão da geração distribuída, pelo aumento da demanda em determinados períodos e pela necessidade de manter elevados padrões de confiabilidade e segurança energética. Nesse cenário, a correta quantificação da RPO assume papel estratégico para o planejamento e a operação em tempo real do SIN.

Papel da Reserva de Potência Operativa na segurança do sistema

A Reserva de Potência Operativa é um dos principais instrumentos utilizados pelo ONS para garantir que o sistema tenha capacidade suficiente para responder a variações inesperadas de carga, falhas de equipamentos ou indisponibilidades de geração. Na prática, trata-se de um montante de potência adicional mantido disponível para assegurar o equilíbrio entre oferta e demanda em bases horárias e sub-horárias.

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Atualmente, a metodologia de quantificação da RPO está descrita no Submódulo 2.3 dos Procedimentos de Rede, que estabelece os critérios técnicos e operacionais a serem observados pelo Operador. No entanto, a evolução do parque gerador e o novo perfil de consumo vêm exigindo uma reavaliação desses parâmetros, de forma a refletir com maior precisão os riscos e as necessidades do sistema.

A nota técnica publicada pelo ONS reúne os fundamentos conceituais da RPO, apresenta uma leitura crítica da metodologia vigente e descreve os elementos que embasam a proposta de aprimoramento a ser discutida nas próximas etapas do processo.

Primeira etapa da revisão metodológica é concluída

Segundo o ONS, a publicação da NT-ONS-DGL 0124/2025 representa a conclusão da primeira fase do ciclo de revisão metodológica, com foco específico na quantificação da Reserva de Potência Operativa. Essa etapa teve como objetivo organizar e sistematizar o conhecimento técnico acumulado, além de explicitar as premissas atualmente adotadas pelo Operador na Programação Diária da Operação.

O documento detalha como a RPO é calculada hoje, quais variáveis são consideradas e de que forma o montante de reserva influencia as decisões operativas, como o despacho de usinas térmicas, a alocação de recursos hidráulicos e a definição das margens de segurança do sistema.

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Ao tornar essas informações públicas e estruturadas, o ONS busca ampliar a transparência do processo e criar uma base técnica sólida para o diálogo com os agentes setoriais, incluindo geradores, distribuidores, comercializadores e consumidores livres.

Transparência e previsibilidade para os agentes do setor

A revisão da metodologia de quantificação da RPO tem impacto direto sobre diversos aspectos do setor elétrico, desde a operação física do sistema até a formação de preços no mercado de curto prazo. Alterações nos critérios de reserva podem influenciar o despacho térmico, o Custo Marginal de Operação (CMO) e, consequentemente, o Preço de Liquidação das Diferenças (PLD).

Por isso, a iniciativa do ONS é acompanhada de perto pelos agentes, que demandam previsibilidade regulatória e clareza técnica para a tomada de decisões estratégicas. A nota técnica atende a essa expectativa ao explicitar os fundamentos que orientam o trabalho do Operador e ao sinalizar os próximos passos do processo de revisão.

Próxima etapa prevê debate com o mercado em 2026

Como parte do cronograma estabelecido pelo ONS, está prevista para o primeiro trimestre de 2026 a realização de um workshop dedicado à apresentação e à discussão das informações contidas na nota técnica. O encontro deverá reunir representantes do Operador, agentes do setor e demais interessados, com o objetivo de aprofundar o debate técnico e coletar contribuições para a etapa seguinte da revisão metodológica.

Os agentes que desejarem enviar sugestões, comentários ou questionamentos já podem se manifestar por meio da Central de Relacionamento do ONS, utilizando o título “Projeto – Reserva de Potência Operativa na Programação da Operação”. A expectativa é que esse processo colaborativo contribua para o aperfeiçoamento da metodologia, alinhando-a às melhores práticas internacionais e às especificidades do sistema brasileiro.

Atualização metodológica ganha relevância com transformação do SIN

A discussão sobre a Reserva de Potência Operativa ganha ainda mais relevância em um contexto de transição energética, no qual o sistema elétrico passa a lidar com maior intermitência e menor previsibilidade da geração. A correta dimensionamento da RPO será fundamental para assegurar a confiabilidade do SIN sem impor custos excessivos ao sistema e aos consumidores.

Ao avançar na revisão metodológica e estruturar o debate de forma transparente, o ONS reforça seu papel institucional como guardião da segurança elétrica do país e como agente central na adaptação do modelo operativo às transformações em curso no setor.

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