Projeções atualizadas indicam trajetória sustentada de expansão da demanda e reforçam necessidade de investimentos em infraestrutura e planejamento integrado
O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) e a Empresa de Pesquisa Energética (EPE) divulgaram, nesta quinta-feira (4/12), as novas Previsões de Carga para o Planejamento Anual da Operação Energética (PLAN 2026-2030). O documento, referência fundamental para decisões de política energética, expansão da oferta e estratégias de mercado, projeta que a carga do Sistema Interligado Nacional (SIN) deve crescer, em média, 3,8% ao ano no período de 2026 a 2030.
O novo estudo consolida informações econômicas, sinais de consumo, indicadores industriais e dados operativos recentes, oferecendo aos agentes um panorama detalhado da evolução esperada da demanda nacional. Ele também reforça a importância de um planejamento de longo prazo alinhado à transição energética, à expansão das fontes renováveis e ao avanço do mercado livre de energia, elementos que têm redefinido o comportamento do consumo no Brasil.
Crescimento moderado em 2025, mas retomada mais forte a partir de 2026
As projeções revelam que 2025 será um ano de expansão mais moderada, com crescimento estimado de 1,6% em relação a 2024, resultando em uma carga média projetada de 81.302 MWmed. O número considera dados observados até novembro e as atualizações publicadas no Programa Mensal da Operação (PMO) de dezembro.
A partir de 2026, porém, o cenário se torna mais robusto. Os estudos apontam para uma aceleração consistente da demanda, que deve crescer 4,6% na comparação com 2025, atingindo 85.067 MWmed.
No horizonte do PLAN, a carga do SIN deve chegar a 98.151 MWmed em 2030, movimento que consolida um ciclo de crescimento sustentado e alinhado ao aumento da atividade econômica, da urbanização, da digitalização e da maior participação de novas cargas, como eletromobilidade e processos industriais eletrificados.
Cenário macroeconômico: PIB estável em 2025 e leve ajuste nas projeções de médio prazo
A projeção de crescimento do PIB para 2025 foi mantida em 2,3%, sinalizando estabilidade das expectativas para o próximo ano. Já para o período de 2026 a 2029, houve uma redução suave de 0,1 ponto percentual nas perspectivas de expansão econômica. O ajuste reflete a leitura de que a política monetária deverá permanecer mais restritiva por mais tempo, influenciando ritmos de investimento e consumo.
Por outro lado, os estudos ressaltam que a reforma tributária, a ser consolidada ao longo dos próximos anos, deve contribuir para elevar a produtividade e estimular investimentos, especialmente em infraestrutura e segmentos de maior intensidade energética. Esse movimento tende a gerar impactos relevantes tanto na expansão da carga quanto na composição regional e setorial da demanda.
Integração entre planejamento e operação: um dos eixos centrais do novo PLAN
A elaboração conjunta entre ONS, CCEE e EPE reforça a importância da convergência entre planejamento de longo prazo, planejamento da operação e dinâmica comercial, especialmente em um momento em que novas tecnologias, geração distribuída, armazenamento e resposta da demanda vêm alterando significativamente o perfil de consumo.
A integração entre as instituições garante que dados econômicos, estruturais e operacionais sejam analisados de forma alinhada, reduzindo assimetrias de informação para agentes, reguladores e formuladores de políticas públicas. O resultado é um conjunto de projeções mais realistas, aderentes ao comportamento do mercado e úteis para orientar decisões de investimento.
Workshop apresentará detalhes do estudo aos agentes do setor
Para aprofundar a análise dos resultados e promover um diálogo construtivo com os agentes, o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) e a Empresa de Pesquisa Energética (EPE) realizarão um Workshop de apresentação das Previsões de Carga do PLAN 2026-2030. O evento ocorrerá na próxima quarta-feira, 10 de dezembro, das 9h às 12h, por meio da plataforma Webex.
O workshop é direcionado a distribuidoras, geradoras, consumidores livres, comercializadoras, consultorias e demais profissionais do setor elétrico. Além da participação no evento, os agentes podem acessar as premissas, os cenários detalhados e as séries numéricas no documento técnico completo, que também foi divulgado nesta quinta-feira.
Importância estratégica do estudo para o setor elétrico
As Previsões de Carga do PLAN são consideradas um dos insumos mais relevantes para o planejamento energético nacional. Elas influenciam desde análises de expansão da transmissão e da geração até decisões empresariais ligadas a portfólios de compra, estratégias de longo prazo no mercado livre, avaliação de riscos e projeções de preço.
O crescimento acelerado previsto para o período 2026-2030 reforça a necessidade de:
- consolidar investimentos em infraestrutura,
- ampliar a resiliência da operação,
- integrar novas tecnologias ao sistema,
- fortalecer mecanismos de flexibilização e resposta da demanda,
- acelerar projetos que permitam acompanhar a transição energética.
Dada a rápida evolução do setor, especialmente com o avanço de fontes renováveis variáveis e novas cargas emergentes, as previsões de carga se tornam ainda mais essenciais para o equilíbrio estrutural e a segurança operativa do SIN.



