Brasil atinge 50% de renováveis na matriz energética e consolida participação quatro vezes superior à média global, aponta Resenha Energética 2025

Estudo do MME revela recorde na oferta interna de energia, expansão da solar e biocombustíveis, avanço em eficiência energética e protagonismo do país na transição global

A edição 2025 da Resenha Energética Brasileira, publicada nesta segunda-feira (1º/12) pelo Ministério de Minas e Energia (MME), confirma que o Brasil ampliou para 50% a participação de fontes renováveis em sua matriz energética em 2024, proporção quase quatro vezes superior à média global, estimada em 14,2%, e muito acima do verificado nos países da OCDE (13%).

Os dados atualizados consolidam estatísticas produzidas por instituições como EPE, ANEEL e ANP, e reforçam a posição do Brasil como uma das matrizes mais limpas e diversificadas do mundo. O documento também apresenta comparações internacionais e avanços em setores como biocombustíveis, eficiência energética e oferta interna de energia.

O secretário Nacional de Transição Energética e Planejamento do MME, Gustavo Ataíde, afirmou que o trabalho fortalece o monitoramento das políticas energéticas e dá visibilidade ao avanço da transição brasileira.

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“Esta nova edição da Resenha Energética evidencia o aprimoramento contínuo das políticas do setor e reafirma o caminho do aproveitamento dos recursos nacionais e da diversificação da matriz. Continuaremos trabalhando para fortalecer a transição energética e assegurar o protagonismo do Brasil no cenário global”, declarou.

Participação renovável atinge 50% e supera padrões internacionais

A principal conclusão da Resenha é a confirmação de que 50% da matriz energética brasileira em 2024 teve origem em fontes renováveis, um incremento de 0,9 ponto percentual frente a 2023. A evolução coloca o Brasil em posição de liderança mundial em transição energética, respaldado por:

  • forte expansão da energia solar, com crescimento de 33,2%;
  • avanço contínuo da eólica, com aumento de 12,4%;
  • salto dos óleos vegetais (28,35%), contribuindo para oferta de combustíveis limpos.

A participação renovável quase quadruplicada em relação à média global reforça a competitividade ambiental do país e sua capacidade de articulação no mercado internacional de energia e clima.

Oferta Interna de Energia atinge recorde: 322 milhões de tep

Outro indicador relevante é a Oferta Interna de Energia (OIE), que chegou ao maior patamar histórico: 322 milhões de toneladas equivalentes de petróleo (tep), alta de 2,4% em comparação com 2023.

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Enquanto as fontes renováveis continuaram ganhando espaço, as fontes não renováveis permaneceram estáveis, com leve recuo no consumo de petróleo e derivados. Para analistas do setor elétrico e do mercado de combustíveis, o movimento indica maior equilíbrio entre expansão econômica e diversificação energética, com menor pressão sobre emissões e vulnerabilidades externas.

Transporte mantém tendência de descarbonização com salto nos biocombustíveis

O setor de transportes teve alta de 2,7% no consumo final de energia em 2024. O destaque ficou para os biocombustíveis, que avançaram de forma robusta:

  • etanol: + 15,6%;
  • biodiesel: + 19,2%.

Esse avanço ocorreu no contexto da implementação da Lei do Combustível do Futuro (Lei 14.993/2024), que estabelece mandatos progressivos para etanol, biodiesel, biometano e diesel verde, redesenhando a trajetória de descarbonização do setor de mobilidade no país.

Para especialistas, os números demonstram que a inserção crescente de biocombustíveis está alinhada às metas de redução de emissões e à consolidação de cadeias produtivas integradas ao agronegócio e à bioenergia.

Eficiência energética segue avançando: país está 11,8% mais eficiente que em 2005

A edição 2025 da Resenha mostra avanços consistentes em eficiência energética. Pelo Índice ODEX, indicador internacional que mede o desempenho global de eficiência, o Brasil está 11,8% mais eficiente em 2023 em comparação a 2005.

O resultado reflete o fortalecimento de programas históricos, especialmente o Procel, que desde 1986 já acumulou economia de aproximadamente 263 bilhões de kWh. Na leitura do MME, o país tem ampliado o uso racional da energia, reduzindo perdas e modernizando equipamentos, edificações e processos industriais.

Setor energético reforça protagonismo climático e segurança de suprimento

A Resenha Energética 2025 confirma a consolidação de uma das matrizes mais renováveis do mundo, fortalecendo a narrativa brasileira na COP30 e em fóruns de financiamento climático. Além da competitividade ambiental, a diversificação da matriz também contribui para maior segurança energética, menor volatilidade diante de crises internacionais, melhor posicionamento para atrair investimentos em hidrogênio verde, combustíveis sustentáveis e novas tecnologias de captura e uso de carbono e expansão do mercado de créditos de energia e certificados ambientais.

O MME também divulgou um painel interativo online reunindo todos os dados da Resenha, ampliando a transparência e facilitando o acesso de pesquisadores, agentes do setor elétrico, empresas e formuladores de políticas públicas.

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