ANM deve nomear Cláudio Freire e Fábio Borges como diretores substitutos após saída de dois membros da diretoria

Técnicos assumem para garantir quórum e continuidade das decisões enquanto governo e Senado enfrentam impasse sobre indicações para agências reguladoras

A ANM (Agência Nacional de Mineração) deve confirmar na próxima semana a nomeação dos superintendentes Cláudio Roberto Freire e Fábio Borges como diretores substitutos do órgão regulador. Os dois ocuparão temporariamente as cadeiras que ficarão vagas com o encerramento dos mandatos dos diretores Tasso Mendonça e Roger Cabral.

A movimentação ocorre em um momento delicado para a agência, que enfrenta indefinição política sobre a escolha de novos titulares e depende da manutenção do quórum para garantir a continuidade de decisões colegiadas essenciais para o setor mineral.

Quem são os novos diretores substitutos

Freire é o atual chefe da Superintendência de Outorga de Títulos Minerários, uma das áreas estratégicas da ANM, responsável pela análise e concessão de autorizações de pesquisa, lavra e regularização minerária. Ele está na agência desde a época do antigo DNPM e é considerado um dos quadros mais experientes do órgão.

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Borges comanda a Superintendência de Tecnologia da Informação e Inovação, área responsável pela digitalização e modernização dos sistemas da ANM, incluindo plataformas de cadastro, arrecadação e acompanhamento de processos minerários. Sua atuação tem sido central para iniciativas de transformação digital e redução de passivos processuais.

A indicação dos dois técnicos segue o rito previsto na Lei 13.848/2019, que rege as agências reguladoras. A legislação estabelece regras claras para substituições temporárias: o substituto pode permanecer no cargo por até 180 dias, com possibilidade de rodízio entre servidores até que o governo conclua a indicação dos novos diretores e o Senado aprove os nomes.

A publicação das nomeações no Diário Oficial da União deve ocorrer no início da próxima semana.

Substitutos garantem quórum e evitam paralisação da diretoria

A escolha de diretores substitutos é fundamental para manter a governança da ANM. Sem eles, processos de alto impacto, como outorgas minerárias, julgamentos de autos de infração, reajustes de compensações financeiras e análises de grandes projetos, ficariam travados.

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A Lei das Agências Reguladoras determina que decisões colegiadas só podem ocorrer com quórum mínimo, o que seria comprometido após a saída de Mendonça e Cabral. A substituição evita sobrecarga dos diretores remanescentes e preserva a continuidade administrativa.

Atualmente, além dos dois mandatos que estão por expirar, a diretoria é composta pelo diretor-geral Mauro Henrique Sousa, por José Fernando Gomes e por Caio Trivellato, este último afastado do cargo após ter sido preso no âmbito da Operação Rejeito, da Polícia Federal, que apura irregularidades em concessões minerárias.

Com esse cenário, a garantia de quórum depende diretamente da nomeação de substitutos.

Impasse político trava definições sobre novos diretores

Apesar da necessidade de recomposição da diretoria, o processo de indicação dos novos titulares enfrenta um momento de indefinição política em Brasília. Nos últimos dias, a relação entre o governo e o Senado, responsável por sabatinas e aprovação dos indicados, sofreu novo desgaste.

O estopim foi a insatisfação do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), com a condução, pelo governo, da indicação de Jorge Messias para o STF (Supremo Tribunal Federal). Alcolumbre expôs publicamente o desconforto em nota oficial, ampliando a tensão entre o Executivo e o Legislativo.

Esse ambiente político cria incertezas sobre a rapidez com que a Casa apreciará futuras indicações para agências reguladoras, incluindo a ANM. Interlocutores avaliam que o Senado pode adotar posição mais rígida nas sabatinas ou postergar decisões, dependendo da evolução da crise institucional.

Setor mineral acompanha com atenção

Para o setor mineral, a definição da diretoria da ANM é estratégica. A agência lida com temas como:

  • análise e concessão de direitos minerários;
  • arrecadação da CFEM;
  • fiscalização e segurança de barragens;
  • regularização de jazidas e lavras;
  • regulação de grandes projetos de investimento;
  • transição para sistemas digitais de acompanhamento.

Empresas e especialistas consideram que a nomeação de substitutos técnicos é positiva para manter a estabilidade decisória, mas alertam que a ausência prolongada de diretores titulares pode prejudicar planejamento, segurança jurídica e previsibilidade regulatória.

A expectativa do setor é de que o governo avance nas negociações com o Senado para destravar as indicações, reduzindo o risco de paralisia ou lentidão em processos relevantes.

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