Operação brasileira reduz 83% das emissões industriais e se torna referência global na aplicação de combustíveis renováveis em larga escala
A Unilever Brasil consolidou um dos movimentos de descarbonização industrial mais relevantes do país ao atingir a marca de mais de 80% do volume produzido com energia limpa e renovável. O resultado coloca a operação brasileira entre as mais avançadas do grupo na substituição de combustíveis fósseis, sobretudo com o uso de biometano, biomassa e biogás. Entre 2015 e 2024, a empresa conseguiu reduzir 83% das emissões absolutas de Escopos 1 e 2 no território nacional, desempenho que supera a média global da companhia para o mesmo período, estimada em 72%.
O avanço brasileiro ocorre em um contexto de ampliação do mercado livre de combustíveis renováveis e de maior disponibilidade de biometano oriundo de aterros sanitários e unidades de biogás. Ao migrar suas unidades para modelos de fornecimento renovável, a empresa evita a emissão anual de aproximadamente 45 mil toneladas de CO₂, resultado equivalente a retirar milhares de veículos das estradas ou evitar 81 mil viagens de carro entre São Paulo e Rio de Janeiro. Trata-se de um movimento estratégico que reforça a ambição global da companhia de eliminar 100% das emissões operacionais até 2030.
Biometano impulsiona transição energética nas principais unidades industriais do país
A migração recente para o uso de biometano nas fábricas do interior de São Paulo é um dos pilares que explicam a aceleração da descarbonização no país. As unidades de Valinhos e Vinhedo, responsáveis pela produção de marcas como Dove, Lux, Rexona, Seda e TRESemmé, passaram a substituir completamente o gás natural por biometano fornecido por empresas especializadas do setor.
A fábrica de Valinhos adotou o biocombustível após o estabelecimento de acordo com a Edge, empresa do grupo Cosan. A mudança permitiu zerar as emissões operacionais da planta, que é responsável por alguns dos principais itens do portfólio de cuidados pessoais da marca. Já a unidade de Vinhedo realizou a transição em junho de 2025, com fornecimento da Ultragaz, eliminando totalmente as emissões de sua caldeira industrial, o coração energético do processo produtivo local.
Ambas as operações utilizam biometano produzido a partir da decomposição de resíduos orgânicos em aterros sanitários. Esse modelo reduz emissões diretas e impede a liberação de metano (CH₄), gás que possui potencial de aquecimento global cerca de 80 vezes maior que o dióxido de carbono (CO₂). Isso significa que cada metro cúbico de biometano substitui não apenas o uso de combustíveis fósseis, mas também previne emissões que ocorreriam naturalmente no descarte de resíduos.
Produção circular reforça estratégia de baixo carbono dentro das unidades
Além das fábricas abastecidas por biometano comprado no mercado livre, a Unilever também opera unidades que geram seu próprio combustível renovável. Em Pouso Alegre (MG), a fábrica de alimentos implantou um biodigestor capaz de transformar resíduos orgânicos da própria produção em biogás. A planta elimina a necessidade de fontes externas e cria um modelo circular de energia dentro da operação.
Na unidade de Indaiatuba (SP), que é considerada a maior fábrica de sabão em pó do mundo, a estratégia utiliza biomassa proveniente de eucalipto certificado. O combustível é processado em uma planta própria de cogeração, garantindo estabilidade térmica e previsibilidade energética. Esse modelo se tornou um dos casos mais emblemáticos do setor industrial no uso de biomassa sustentável para substituição integral de fontes fósseis.
Brasil se destaca como laboratório de inovação e descarbonização da companhia
O conjunto de iniciativas implantado no país tem atraído atenção da matriz global da Unilever, não apenas pelo resultado expressivo, mas pela replicabilidade das soluções adotadas. O mercado nacional oferece algumas vantagens competitivas, como maturidade do mercado livre, crescimento acelerado da oferta de biometano e disponibilidade de soluções de biomassa certificada.
Esses fatores tornam o Brasil um ambiente ideal para pilotar soluções integradas de descarbonização industrial, que posteriormente podem ser escaladas para outras operações do grupo.
Movimento reforça tendência de industrialização com renováveis no país
A trajetória da Unilever evidencia uma tendência crescente na indústria brasileira: a substituição de fontes fósseis por combustíveis renováveis de base térmica. Biometano, biogás e biomassa têm se consolidado como alternativas viáveis técnica e economicamente, especialmente em segmentos com alta demanda térmica contínua, como higiene, beleza, limpeza e alimentos.
Ao adotar modelos de transição energética com impacto imediato na redução de emissões, a empresa contribui para o desenvolvimento de novos mercados de energia limpa e fortalece cadeias tecnológicas em expansão no país. O movimento também demonstra a capacidade do setor industrial brasileiro de liderar agendas de descarbonização, independentemente de estímulos regulatórios diretos, um ponto cada vez mais relevante no contexto global.



