Fintech da Brookfield acelera estratégia de financiamento à geração distribuída e reforça aproximação com o mercado de capitais para chegar a 2026 com nova estrutura de gestão
A Sol Agora, fintech especializada em soluções de crédito para acesso à energia solar e controlada pela Brookfield no Brasil, deu início a um novo ciclo estratégico ao anunciar a troca de comando e o avanço para a criação de sua própria gestora de recursos. As mudanças ocorrem em um momento em que a companhia busca ampliar escala, diversificar fontes de funding e atender à crescente demanda por financiamentos destinados à mini e microgeração fotovoltaica no país.
O movimento marca o início de uma expansão mais agressiva para 2026. A empresa trouxe o executivo Flávio Suchek para assumir o cargo de CEO e liderar a transição para o novo modelo. Com passagem por instituições como BTG Pactual e Banco BV, o executivo acumula experiência em crédito estruturado, varejo financeiro e originação de produtos sofisticados para investidores institucionais, combinação vista como central para o novo posicionamento da Sol Agora.
Ao comentar sua chegada, o novo CEO destacou a aproximação com o mercado de capitais como peça-chave para o próximo estágio da empresa. “Estamos mais próximos do mercado de capitais, com base sólida para operar em todo o ciclo do crédito e preparados para escalar soluções de energia renovável em todo o país”, afirmou.
Estruturação de até R$ 850 milhões em novos fundos no primeiro semestre de 2026
Com a transição em andamento, a Sol Agora projeta estruturar até R$ 850 milhões em novos fundos no primeiro semestre de 2026. A iniciativa depende diretamente da obtenção do registro da nova gestora, prevista para o primeiro trimestre do ano.
O plano contempla o lançamento de dois veículos principais:
- Sol Agora 4, com captação estimada de até R$ 600 milhões, direcionado ao financiamento de projetos de geração distribuída em residências e pequenos negócios;
- Um FIDC Warehouse, com volume aproximado de R$ 250 milhões, voltado à estabilização de portfólios e posterior transferência de créditos, mecanismo tradicional usado por fintechs para acelerar ciclos de originação sem comprometer liquidez.
Suchek afirma que o novo arranjo permitirá ganhos operacionais e financeiros. “A criação da gestora nos permite operar com mais eficiência e ampliar o acesso ao mercado de capitais, essencial para financiar a expansão da energia solar no país. É um passo importante para diversificar fontes de funding e acelerar o crescimento da geração distribuída, uma vez que a empresa já está capacitada.”
Demanda crescente e necessidade de especialização em ativos renováveis
O avanço da Sol Agora ocorre em um momento no qual a transição energética e a necessidade de capital para projetos limpos têm atraído investidores institucionais, bancos, fundos internacionais e agências multilaterais. Essa dinâmica pressiona o mercado por gestores especializados capazes de estruturar veículos de investimento alinhados às características dos ativos renováveis, como ciclos longos, pulverização de clientes e risco operacional diferenciado.
Segundo Eduardo Solamone, diretor de Relações com Investidores da fintech, esse movimento justifica a estratégia da companhia. “Existe capital disponível e um espaço evidente para gestores focados em conectar energia limpa e mercado de capitais. A gestora amplia nossa autonomia, aumenta a eficiência e abre novas avenidas de receita.”
Atualmente, a Sol Agora presta consultoria a três FIDCs que somam mais de R$ 2,2 bilhões captados com investidores como Itaú, BR Partners, BNP Paribas e IFC (braço financeiro do Banco Mundial). O portfólio inclui desde fundos dedicados exclusivamente à geração distribuída até estruturas híbridas que financiam equipamentos, integradores e instaladores.
Escala operacional e avanço da geração distribuída explicam mudança
Criada em 2022, a fintech já financiou mais de 65 mil projetos, totalizando R$ 1,8 bilhão em crédito originado. O desempenho recente tem sido destaque no setor: apenas em 2025, a empresa atingiu originações superiores a R$ 80 milhões por mês, diante de uma demanda mensal estimada em R$ 1,5 bilhão. Com esse ritmo, a expectativa é encerrar o ano com R$ 2,4 bilhões em financiamentos contratados.
Esses números ajudam a explicar por que a empresa optou por internalizar a gestão de fundos. Com a evolução da geração distribuída após a Lei 14.300/2022, que estabeleceu marco regulatório próprio, integradores, distribuidores e consumidores residenciais têm buscado crédito com mais agilidade e condições mais competitivas, ampliando o papel de fintechs especializadas na articulação entre tecnologia, risco e captação.
Brookfield reforça presença no ecossistema da transição energética
A Brookfield, uma das maiores gestoras globais de infraestrutura e energia renovável, vem aumentando sua exposição ao mercado de energia solar no Brasil. A Sol Agora compõe o braço de investimentos em soluções descentralizadas, alinhado à estratégia global do grupo de ampliar participação em ativos de transição energética e promover a integração entre capital institucional e projetos verdes.
A criação da gestora própria coloca a fintech em posição estratégica para captar novos investidores, nacionais e internacionais, e fortalecer seu papel como financiadora da expansão da energia solar distribuída no país, especialmente em um ambiente de competição crescente e maior sofisticação dos produtos financeiros voltados para renováveis.



