Ministro de Minas e Energia afirma que eventuais impasses são “pontuais” e que governo deve recompor maioria no Parlamento; declara também apoio a Rodrigo Pacheco em eventual disputa pelo governo de Minas
O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, avaliou nesta segunda-feira (1º) que o diálogo institucional deve prevalecer para superar os recentes atritos entre o governo federal e o Congresso Nacional. A declaração ocorre em meio às discussões sobre a indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, ao Supremo Tribunal Federal (STF), tema que provocou reações no Legislativo nos últimos dias.
Questionado pela imprensa após participar de uma sessão especial no Senado Federal em homenagem ao Dia Nacional do Delegado de Polícia, Silveira afirmou que eventuais tensões fazem parte da dinâmica política, mas não comprometem a relação entre Executivo e Parlamento. “Eu acredito sempre no diálogo, na busca dos problemas reais da sociedade. Esse é o papel que o presidente Lula exerce com tanta experiência e de forma extremamente dedicada. Dialogar para construir maioria nas casas parlamentares é extremamente natural e qualquer estresse que seja pontual, eu tenho absoluta convicção que será resolvido para o bem do Brasil”, declarou.
A manifestação ocorre após o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), divulgar nota criticando o governo por ainda não ter formalizado ao Congresso a mensagem com o nome de Jorge Messias, apesar de a indicação já ter sido publicada no Diário Oficial da União. O episódio expôs um desconforto entre o Legislativo e o Palácio do Planalto e reabriu discussões sobre a articulação política no último trimestre do ano.
No Ministério de Minas e Energia, Silveira tem reforçado, em diferentes agendas, a importância da estabilidade institucional para destravar pautas de interesse do setor, como a expansão da infraestrutura de transmissão, os projetos de hidrogênio de baixo carbono, a revisão do marco dos sistemas isolados e as discussões referentes ao avanço da Agenda da Transição Energética Justa. A avaliação de auxiliares do governo é que o ministro tem atuado como articulador natural entre a agenda do MME e a base parlamentar, especialmente o PSD, legenda à qual é filiado.
Apoio a Pacheco e impacto no tabuleiro político mineiro
Além das declarações sobre o diálogo com o Congresso, Silveira também comentou sobre o cenário eleitoral de 2026. O ministro afirmou que apoiará o ex-presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), caso ele decida disputar o governo de Minas Gerais. O gesto reforça o alinhamento entre os dois políticos, que compartilham proximidade com a cúpula do PSD e com o presidente Lula, além de histórico de atuação conjunta em pautas relacionadas ao setor energético e ao desenvolvimento regional.
“Eu acompanharei o presidente Rodrigo Pacheco nas decisões que ele tomar no processo eleitoral, mas, nesse momento, sigo extremamente dedicado à gestão do MME”, disse Silveira. A fala é vista como sinal de que o ministro não pretende assumir protagonismo eleitoral no curto prazo, mas mantém influência na construção das alianças do partido no estado.
O apoio público também reforça o peso de Minas Gerais, segundo maior colégio eleitoral do país e polo estratégico do setor energético, no xadrez político nacional. A região concentra debates relevantes sobre mineração, infraestrutura elétrica, expansão de renováveis e expansão da malha de gás natural, temas nos quais Silveira tem buscado ampliar a presença da União.
Diálogo político e agenda energética
A posição manifestada pelo ministro ocorre em um momento no qual o governo tenta acelerar projetos considerados prioritários para o setor de energia. Entre eles estão o avanço de grandes obras de transmissão, a implementação do Programa Energias da Amazônia, a definição do marco regulatório do hidrogênio de baixo carbono e a revisão da política de conteúdo local para componentes renováveis.
A condução dessas agendas depende diretamente da relação entre Executivo e Congresso, principalmente na tramitação de projetos de lei e na aprovação de autoridades que influenciam a governança setorial. Por isso, o aceno público de Silveira ao diálogo político tende a ser interpretado como movimento para evitar ruídos que possam afetar votações sensíveis nas próximas semanas.



