CEOs globais repensam liderança e ampliam foco em IA, gestão de riscos e sustentabilidade, aponta KPMG

Levantamento global mostra redesenho das estratégias de crescimento diante de incertezas econômicas, avanços em inteligência artificial e tensões geopolíticas

A nova edição da pesquisa global com CEOs realizada pela KPMG revela uma inflexão importante no modo como as lideranças das maiores empresas do mundo estão tomando decisões estratégicas. Diante de um ambiente marcado por instabilidade econômica, tensões geopolíticas prolongadas e transformação acelerada provocada pela inteligência artificial, 72% dos executivos já adaptaram seus planos de crescimento. O estudo envolveu mais de 1.300 líderes de 11 países e 12 setores, oferecendo uma leitura ampla sobre as prioridades e as preocupações da alta gestão para os próximos anos.

A nova dinâmica competitiva tem exigido respostas mais rápidas e estruturas mais flexíveis. Entre os CEOs entrevistados, 26% apontaram a necessidade de decisões mais ágeis como a principal competência para navegar o cenário atual. Outros 24% destacaram a importância da comunicação transparente, e 23% afirmaram que a capacidade de identificar, priorizar e gerenciar riscos se tornou mais crítica do que nunca.

De acordo com o presidente da KPMG no Brasil e na América do Sul, Charles Krieck, o ambiente global tem levado os líderes a reconfigurar sua atuação. “O relatório trouxe um panorama impulsionado por tensões geopolíticas e esse cenário está estimulando uma mudança na abordagem de liderança, com muitos adaptando as estratégias de crescimento para lidar com o mundo complexo de hoje”, analisou.

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Cibersegurança, IA e capacitação entram no topo das preocupações corporativas

A pesquisa reforça que as barreiras ao crescimento continuam alinhadas às transformações tecnológicas e ao ambiente digital. O crime cibernético segue como o maior risco percebido, citado por 79% dos CEOs. O tema tem se mantido de forma consistente entre as principais ameaças para as corporações, à medida que ataques digitais se tornam mais sofisticados e exploram vulnerabilidades em cadeias globais.

Além disso, 77% dos executivos apontam a necessidade de aprimorar as habilidades da força de trabalho em inteligência artificial, enquanto 75% destacam o desafio de integrar a IA aos processos de negócios. A tendência indica que, apesar da adoção acelerada da tecnologia, a maturidade organizacional ainda está em construção, e depende de investimentos estruturais em pessoas e governança.

Confiança global recua, mas CEOs mantêm aposta em talentos e M&As

O estudo mostra que a confiança dos CEOs na economia global caiu de 72% em 2024 para 68% em 2025, refletindo a persistência de riscos geopolíticos e volatilidade macroeconômica. Ainda assim, o otimismo não desapareceu: 92% das lideranças planejam aumentar o número de funcionários nos próximos 12 meses, e 40% esperam crescimento dos lucros acima de 2,5% no período.

Outro dado relevante é que 89% dos CEOs seguem interessados em operações de fusões e aquisições, movimento associado à busca por inovação, acesso a tecnologia e expansão de portfólio, elementos essenciais em um ambiente competitivo que muda rapidamente.

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IA domina a agenda de investimentos, mas governança ética preocupa

A inteligência artificial aparece como um vetor central dos planos corporativos. Cerca de 71% dos CEOs afirmaram que a IA é prioridade de investimento para 2026, e 69% pretendem direcionar entre 10% e 20% do orçamento corporativo à implementação da tecnologia já nos próximos 12 meses.

O avanço rápido, porém, traz dilemas relevantes. Os líderes expressaram preocupações quanto às implicações éticas do uso da IA (59%), à prontidão dos dados (52%) e à falta de regulamentação (50%). A combinação de velocidade de adoção, alto impacto e ausência de regras claras tem colocado os conselhos de administração em posição de alerta.

O desafio humano também é central. Segundo a pesquisa, 61% dos CEOs estão contratando novos talentos com habilidades tecnológicas amplas. Em paralelo, 70% temem a competição global por profissionais qualificados, e 77% mencionam o aprimoramento das habilidades da força de trabalho como um obstáculo crítico.

Para Krieck, as lideranças estão se movendo de forma ativa diante da disrupção. “Ficou claro que os CEOs estão encontrando oportunidades decorrentes da disrupção e investindo de forma arrojada em tecnologia e talentos. Eles demonstraram ainda um equilíbrio cuidadoso entre inovação e responsabilidade, reconhecendo a necessidade de seguir evoluindo enquanto gerenciam preocupações em relação à ética, regulamentação, aprimoramento das habilidades e acesso a talentos”, destacou.

Compromisso climático ganha força e confiança aumenta

Apesar do ambiente global instável, a pesquisa da KPMG indica que o compromisso com a agenda climática está se consolidando entre os maiores executivos. Cerca de 60% dos CEOs afirmaram estar confiantes em atingir as metas de emissões líquidas zero até 2030, aumento expressivo em relação aos 51% registrados em 2024.

O resultado sugere que a transição energética e a governança climática seguem como prioridades estratégicas, especialmente em setores expostos a regulações ambientais e pressão de investidores por práticas ESG robustas.

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