MME destaca avanço regulatório, expansão da transmissão e leilões para armazenamento como pilares da próxima década energética
O Ministério de Minas e Energia (MME) reforçou, em Lisboa, a posição estratégica do Brasil no mapa global de investimentos energéticos durante sua participação no painel “Perspectiva de investimento no setor energia” da Conferência Ibero-Brasileira de Energia (Coniben). O encontro reuniu autoridades, especialistas e investidores para discutir integração energética, desafios de infraestrutura e os fatores que tornam o país um dos destinos mais atraentes para capital de longo prazo em energia.
Gustavo Ataíde, secretário Nacional de Transição Energética e Planejamento do MME, representou a pasta no debate e apresentou a visão do governo para os próximos dez anos, um período marcado por ampliação da transmissão, novos leilões voltados a armazenamento e crescente demanda por fontes renováveis.
Brasil aposta em instrumentos financeiros e regulatórios para acelerar a transição
Ao abordar a estratégia nacional para investimentos, Ataíde destacou que o país vive um momento singular, combinando segurança jurídica, alta renovabilidade e previsibilidade regulatória. Segundo ele, esses fatores têm favorecido a entrada de capital estrangeiro e ampliado a competitividade no setor.
“A troca de experiências é essencial para seguirmos avançando. O Brasil tem implementado instrumentos financeiros e regulatórios para impulsionar a transição energética e promover o desenvolvimento sustentável”, afirmou o secretário.
A fala reforça o movimento recente do MME de estruturar arcabouço regulatório mais robusto para tecnologias emergentes, como sistemas de armazenamento e hidrogênio de baixa emissão.
Leilões de armazenamento avançam e colocam o Brasil em nova fase de modernização
Um dos pontos centrais do painel foi a apresentação dos leilões de reserva de capacidade programados para 2026. Esses certames serão os primeiros do país dedicados exclusivamente à contratação de potência a partir de sistemas de armazenamento em baterias (SAE-BESS).
O modelo, que remunera potência, não energia, é considerado crucial para garantir flexibilidade operacional ao Sistema Interligado Nacional, especialmente diante do aumento da geração solar e eólica.
A ampliação dos leilões de transmissão também foi destacada como prioridade. As projeções do governo indicam que, até 2034, deverão ser construídos 218 mil quilômetros de novas linhas, uma das maiores expansões estruturais da história do setor elétrico brasileiro.
Matriz energética atinge 50% de renovabilidade e reforça confiança internacional
Durante o debate, o MME também ressaltou o diferencial competitivo da matriz energética brasileira. Dados do Relatório Síntese do Balanço Energético Nacional 2025 (ano-base 2024) mostram que o Brasil atingiu 50% de renovabilidade, índice muito superior ao dos países da OCDE e à média global.
A permanência das hidrelétricas como base estruturante, somada ao avanço expressivo da energia solar, eólica, biomassa e biocombustíveis como o biodiesel, fortalece a posição do país como líder em energia limpa.
Para o setor privado, esse desempenho eleva o potencial do Brasil como polo de investimentos em eletrolisadores, hidrogênio renovável, mobilidade elétrica e soluções de armazenamento.
Integração e cooperação internacional são prioridades estratégicas
A Coniben, sediada em Lisboa, se consolida como um dos principais eventos de integração energética do eixo Ibero-Brasileiro. A edição deste ano destacou o tema “Convergência Energética: Estratégias para Mitigação e Compensação”, reunindo governos, academia, agências de regulação e grandes investidores.
O MME avalia que o alinhamento geopolítico com países europeus fortalece o ambiente de investimentos e abre novas oportunidades para cooperação tecnológica e desenvolvimento de infraestrutura crítica.



