Mudanças simultâneas na diretoria, no COANGRA e nos conselhos ocorrem em meio a fase crítica de Angra 3 e reforçam foco da estatal em governança, segurança e continuidade operacional
A Eletronuclear promoveu um conjunto relevante de ajustes em sua estrutura executiva e de governança após renúncias recentes em posições-chave. A partir de 24 de novembro, Alexandre Caporal, até então diretor financeiro, assume a presidência interina da estatal, oficializando uma transição que já vinha ocorrendo desde o início do mês, quando passou a exercer a função de forma substituta. A mudança é consequência da renúncia de Sinval Zaidan Gama, que acumulava simultaneamente a presidência interina e a diretoria técnica até o dia 20.
As alterações ocorrem em um momento estratégico para a companhia, que avança em duas frentes simultâneas: o cronograma de retomada e desenvolvimento de Angra 3 e a operação regular de Angra 1 e Angra 2. As três unidades compõem o núcleo da geração nuclear no Brasil, responsável por garantir parte essencial da energia de base ao Sistema Interligado Nacional (SIN).
Transição na diretoria técnica e reposicionamento da governança
Com a saída de Sinval Gama, a diretoria técnica passa a ser comandada por Raphael Ehlers dos Santos, eleito pelo Conselho de Administração da Eletronuclear no final de outubro. A nomeação passou a valer em 21 de novembro, consolidando a substituição no comando da área responsável por supervisionar engenharia, projetos, licenciamento, segurança e todas as decisões operacionais ligadas às usinas.
Antes de assumir a posição executiva, Ehlers presidia o Conselho Fiscal da Eletronuclear, função agora assumida por seu suplente, Cristiano Augusto Trein. A presidência do colegiado ainda deverá ser definida pelo Conselho de Administração, etapa importante para recompor integralmente a governança da estatal.
A movimentação é interpretada internamente como uma etapa de reorganização necessária para dar fluidez às decisões técnicas relacionadas a Angra 3, cuja retomada formal inaugurou um novo ciclo para o programa nuclear brasileiro.
COANGRA passa por reformulação após renúncia de coordenador
O Comitê Estatutário de Acompanhamento do Projeto da Usina Termonuclear Angra 3 (COANGRA), responsável por monitorar tecnicamente e estrategicamente o andamento das obras, também passou por alteração relevante. O então coordenador, Armando Casado, renunciou ao cargo no dia 18 de novembro.
A empresa informou que a composição atual do comitê permanece inalterada, mas ainda avalia qual membro assumirá a coordenação. A definição atrai a atenção do setor, uma vez que o COANGRA tem papel determinante na validação de etapas físicas do projeto, cronogramas, contratações e diretrizes orçamentárias. A expectativa é de que a escolha ocorra de maneira a garantir continuidade e alinhamento entre diretoria, conselho e equipes técnicas.
Demais diretorias e conselhos seguem estáveis
A Eletronuclear comunicou que não há alterações adicionais nas demais diretorias executivas, nem nos conselhos estatutários. A manutenção do restante da estrutura é vista como uma forma de preservar estabilidade administrativa em um momento de decisões estratégicas para o avanço de Angra 3 e para a modernização operacional de Angra 1 e 2.
A estatal destaca que suas equipes permanecem focadas nas agendas de licenciamento, reforço de segurança, atualização tecnológica e aperfeiçoamento de práticas de governança corporativa, temas particularmente sensíveis em empreendimentos nucleares.
Normalidade operacional é mantida e segurança segue prioridade
Mesmo com a reorganização administrativa, a Eletronuclear reforça que as usinas de Angra 1 e Angra 2 seguem operando normalmente, com todos os protocolos técnicos e de segurança plenamente atendidos. A empresa sublinha que transições de liderança não impactam rotinas operacionais, uma vez que processos críticos e estruturas de comando das unidades seguem estáveis.
A estatal também enfatiza que seu compromisso com excelência operacional, transparência e segurança nuclear permanece inalterado. Na manifestação institucional, a Eletronuclear apresenta as mudanças como parte de um ajuste natural de governança, sem prejuízo às metas estruturantes da companhia.
Impacto das mudanças para o setor nuclear brasileiro
As reformulações ocorrem em um momento decisivo para o setor nuclear nacional. O Brasil busca consolidar Angra 3 como peça-chave de sua matriz elétrica, especialmente em um contexto de crescente expansão renovável, que aumenta a necessidade de fontes firmes e despacháveis.
Ao assumir a presidência interina, Caporal passa a conduzir uma agenda complexa, que envolve:
- Avanço físico e financeiro de Angra 3;
- Coordenação com órgãos reguladores e fiscalizadores;
- Consolidação da governança interna;
- Manutenção da excelência operacional de Angra 1 e 2;
- Articulação institucional com o Ministério de Minas e Energia, CNEN, Eletrobras e demais atores do setor.
Já Raphael Ehlers assume a diretoria técnica em um cenário que exige precisão técnica, agilidade regulatória e interação constante com equipes de engenharia, auditores e autoridades de segurança nuclear.
Especialistas avaliam que a capacidade de harmonizar diretoria, conselhos e comitês será determinante para garantir previsibilidade ao projeto Angra 3 e para manter a confiabilidade das operações nucleares no país.



