Neoenergia vende participação em Dardanelos por R$ 2,5 bilhões e reforça estratégia de rotação de ativos

EDF Brasil assume 75% da hidrelétrica no Mato Grosso; operação consolida movimento de M&As do grupo espanhol e deve gerar impactos positivos em caixa, lucro e alavancagem

A Neoenergia anunciou na última semana uma das suas operações estruturantes mais relevantes do ano com a venda de 75% de sua participação na Usina Hidrelétrica de Dardanelos, localizada em Aripuanã (MT), para a EDF Brasil Hidro Participações S.A. A transação, avaliada em R$ 2,5 bilhões (Enterprise Value atualizado), insere-se na estratégia de rotação de ativos que o grupo vem implementando nos últimos três anos, período em que consolidou mais de dez operações de fusões e aquisições (M&As) em diferentes segmentos do setor elétrico.

Com capacidade instalada de 261 MW divididos em cinco unidades geradoras, Dardanelos é capaz de atender aproximadamente 1,4 milhão de habitantes, e integra o conjunto de ativos de geração hídrica de grande porte da empresa. A EDF Brasil passará a deter 75% da usina, enquanto a Neoenergia permanecerá com uma fatia de 25% por meio de uma nova sociedade.

Estrutura da operação: valores, composição societária e direitos futuros

O valor-base da transação é de R$ 2,2 bilhões, considerando o Enterprise Value de 100%. Esse montante será atualizado pela variação do CDI desde dezembro de 2024 até a data de fechamento, cálculo que, na data da assinatura, resultou no Enterprise Value de R$ 2,5 bilhões. O valor continuará a ser corrigido até a conclusão da operação.

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Paralelamente, Neoenergia e EDF Brasil Holding S.A. firmaram um acordo de investimentos que prevê aporte de R$ 93,5 milhões pela Neoenergia na Hidro Participações. Com isso, a Neoenergia passa a deter 25% da nova empresa, enquanto a EDF Brasil Holding permanece com 75%.

O contrato prevê ainda que, em até dois anos e meio após o fechamento da operação, a EDF Brasil Holding terá o direito de adquirir os 25% restantes da Neoenergia. Por sua vez, a Neoenergia também poderá optar por alienar sua participação integral.

Movimento reforça estratégia de rotação de ativos e foco em disciplina de capital

A operação foi recebida como um passo adicional na estratégia de reposicionamento do portfólio da companhia, que busca simplificação societária, geração de valor e disciplina de capital.

Ao comentar o racional estratégico da venda, o CEO da Neoenergia, Eduardo Capelastegui, contextualiza que a decisão faz parte de um ciclo contínuo de aprimoramento da eficiência e maximização de ativos.

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“Essa operação reforça a estratégia de rotação de ativos da Neoenergia com foco na otimização de portfólio com geração de valor, seguindo a disciplina de capital e simplificação da estrutura. Assumimos o controle de Dardanelos em 2023. Agora, com essa venda, conseguimos maximizar o valor do ativo para nossos acionistas. A transação reforça a criação de valor por meio de M&As (sigla em inglês para fusões e aquisições), sendo que nos últimos três anos já foram realizadas mais de 10 operações pelo Grupo Neoenergia”, resslatou Capelastegui.

Impactos econômicos: EBITDA, lucro líquido e alavancagem em foco

Além da dimensão estratégica, a venda deve reforçar indicadores financeiros importantes da companhia. Em sua avaliação, Capelastegui destaca que a transação tende a melhorar tanto o resultado operacional quanto o balanço da empresa.

O movimento consolida o compromisso da Neoenergia com a otimização de portfólio em um momento de forte competitividade no setor elétrico, em que a recomposição de caixa, a disciplina de investimentos e a gestão de risco assumem protagonismo nas decisões corporativas.

Regulação e próximos passos: operação depende de aprovação do CADE e ANEEL

A conclusão da venda ainda depende de condições precedentes usuais para operações dessa natureza, incluindo a aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE) e da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL). Somente após o aval dos dois órgãos a transferência de participação poderá ser formalizada.

A usina de Dardanelos opera comercialmente desde agosto de 2011 e desempenha papel relevante no suprimento energético do Mato Grosso, contribuindo para o reforço da matriz hídrica da região Norte do país.

A operação, quando concluída, marcará mais um movimento significativo no processo de racionalização e reposicionamento do portfólio da Neoenergia, uma estratégia que se alinha ao contexto atual do setor, marcado pela busca por eficiência operacional, redução de riscos e foco em ativos com maior retorno ajustado ao capital.

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